A Americanas S.A. (AMER3) informou que realizou 4.314 desligamentos em abril de 2026 e intensificou a venda de unidades operacionais, veículos e equipamentos, numa estratégia voltada a reforçar o caixa enquanto conduz o processo de recuperação judicial aprovado em 2023.
Redução de pessoal e consolidação da malha de lojas
O relatório mensal entregue à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) detalha que, dos 4.314 desligamentos, 1.069 ocorreram por pedido de demissão, enquanto 726 contratações foram registradas no mesmo período. Ao fim de abril, a companhia contava com 22.797 empregados celetistas e 1.319 terceirizados.
Na frente comercial, o grupo encerrou 166 pontos de venda nos últimos 12 meses, reduzindo a base para 1.448 lojas. Mesmo assim, o canal físico respondeu por 91 % da receita no primeiro trimestre de 2026, crescimento de 16,5 % na comparação anual, evidenciando ainda a relevância do varejo tradicional no mix de canais.
Liquidação de ativos estratégicos
No âmbito patrimonial, a empresa confirmou a alienação de participações, centros de distribuição e unidades deficitárias:
• Uni.Co (Imaginarium e Puket) – vendida em abril à Fan Store Entretenimento (BandUP!) por R$ 152,9 milhões.
• Dez lojas Hortifruti Natural da Terra – transferidas em maio para o grupo Oba Hortifruti por R$ 69,3 milhões; a subsidiária segue em processo de desinvestimento completo.
• Centro de Distribuição de Belém – alienado por R$ 350 mil.
• Equipamentos porta-pallets – negociação aprovada pela Justiça com a Max Comércio por R$ 3,1 milhões.
• Frota leve – leilões concluídos envolvendo modelos Tiguan, Passat e Volvo XC40.
• Aeronave Embraer EMB-505 (Phenom 300) – proposta vinculante de R$ 9 milhões recebida em 2023 permanece válida.
Além disso, os ativos remanescentes da rede Vem Conveniência e a participação na joint venture encerrada com a Vibra Energia S.A. estão listados para venda. À época da cisão, ficou acertado um pagamento de R$ 192 milhões à Americanas, montante considerado na atualização patrimonial.
Estrutura de capital e consumo de caixa
Em 30 de abril, a companhia registrava R$ 185,7 milhões em caixa, redução de 14 % sobre o saldo de início de mês (R$ 217 milhões). O consumo líquido de R$ 31,3 milhões concentrou-se em:
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• 72 % – compra de mercadorias;
• R$ 13 milhões – despesas ligadas à recuperação extrajudicial;
• demais obrigações trabalhistas e operacionais.
No horizonte de 12 meses, a queima acumulada alcança R$ 350 milhões, dos quais R$ 45 milhões correspondem ao fluxo operacional e o restante a encargos financeiros. Considerando aplicações, saldos bancários e títulos de valores mobiliários, os recursos disponíveis somam R$ 441,1 milhões, enquanto a dívida líquida encerrou o primeiro trimestre em R$ 347 milhões.
A administração destaca a melhora do ciclo de caixa – intervalo entre desembolso para estoques e recebimento de vendas – que caiu de 62 dias em maio de 2025 para 19 dias em abril de 2026, favorecendo a liquidez imediata.
Conclusão Técnica
Os números comprovam a estratégia de desmobilização de ativos e ajuste de estrutura como vetores centrais da recuperação judicial da Americanas. A companhia segue dependente de alienações adicionais para preservar liquidez e honrar compromissos prioritários, especialmente trabalhistas. Os próximos relatórios mensais deverão indicar o ritmo de venda de participações remanescentes, a efetivação do acordo relativo à Vem Conveniência e a evolução do consumo de caixa em meio à temporada de compras do segundo semestre.



