Megalanço de 14 mil tainhas encerra safra recorde em Bombinhas

Captura de 14.096 tainhas no último dia da temporada, na praia de Quatro Ilhas, marca o encerramento oficial da safra 2026 para a modalidade de arrasto de praia em Santa Catarina, após o Ministério da Pesca e Aquicultura confirmar que 90 % da cota nacional foi atingida.

Produtividade acima da média impulsiona Bombinhas em 2026

O megalanço registrado em 7 de junho reuniu pescadores dos 17 ranchos tradicionais de Bombinhas e adicionou 14.096 peixes ao total da temporada. Antes desse resultado, quatro lances já haviam somado cerca de 44 mil tainhas; com a nova marca, a cidade atinge aproximadamente 58 mil unidades capturadas apenas pelo arrasto de praia.

A abundância de cardumes nesta safra reflete condições oceanográficas favoráveis, como correntes frias e alta disponibilidade de alimento, que concentraram a espécie Mugil liza na faixa costeira do Litoral Norte catarinense. Segundo relatos de coordenadores dos ranchos, as redes foram fechadas em menos de uma hora, indicando densidade populacional incomum para o período.

Sistema de cotas e crescimento de 20 % no limite de captura

A temporada de 2026 começou em 1.º de maio com a maior autorização de pesca desde a adoção do sistema de cotas, em 2018. O acordo tripartite entre pescadores, Governo de Santa Catarina e Governo Federal elevou em 20 % o limite nacional, fixando-o em 5.216 t para todas as modalidades permitidas.

De acordo com o Ministério da Pesca e Aquicultura, a modalidade artesanal de arrasto de praia contribuiu significativamente para o atingimento de 90 % da cota coletiva, gatilho que determina o encerramento imediato da temporada. O monitoramento é realizado por relatórios diários enviados pelas colônias e auditados por fiscais federais, garantindo rastreabilidade e transparência dos números.

Especialistas em recursos pesqueiros observam que o aumento pontual da cota acompanha séries históricas de recuperação do estoque da tainha. Estudos do Centro de Pesquisa em Aquicultura e Pesca indicam que o recrutamento de juvenis na região Sul apresentou crescimento médio anual de 8 % nos últimos cinco anos, sustentando a decisão de ampliar temporariamente o volume autorizado.

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Imagem: Adriana Lamim

Impacto socioeconômico e próximos passos para as comunidades

O ciclo de pesca da tainha movimenta a economia das comunidades costeiras de Santa Catarina, gerando renda direta para cerca de 2 mil pescadores artesanais e indireta para redes de comércio local, transporte e turismo gastronômico. Em Bombinhas, a captura acumulada estimada em 58 mil peixes representa aumento superior a 30 % em relação ao ciclo anterior, segundo dados da Colônia de Pescadores Z-13.

Com o fim da safra, as equipes de arrasto de praia voltam-se para espécies liberadas pela regulamentação federal, como corvina, robalo e anchova, mantendo a operação dos ranchos e a ocupação da mão de obra local. Já o ministério planeja iniciar em julho uma avaliação técnica para definir a cota de 2027, levando em conta variáveis ambientais, captura declarada e tendências de mercado.

Autoridades ambientais alertam que a continuidade do crescimento sustentável depende do monitoramento intensivo dos estoques e da fiscalização de modalidades não autorizadas. Programas de treinamento sobre boas práticas de manejo, promovidos pela EPAGRI e universidades regionais, devem ser ampliados para garantir a conservação da espécie sem comprometer o sustento das comunidades.

Conclusão Técnica

O megalanço de 14.096 tainhas em Quatro Ilhas consolida a temporada 2026 como a mais volumosa desde a implantação do regime de cotas, encerrando a pesca artesanal de arrasto de praia após o atingimento de 90 % da quota nacional. A elevação de 20 % no limite, associada a condições ambientais favoráveis, permitiu ganhos expressivos para os pescadores de Bombinhas, que agora direcionam suas redes para espécies alternativas regulamentadas. Nas próximas semanas, o Ministério da Pesca e Aquicultura conduzirá análises de desempenho e de estoque, cujos resultados orientarão as metas de captura para 2027, mantendo o equilíbrio entre produtividade econômica e conservação marinha.