Polícia prende suspeitos pelo homicídio de Maikon Diekson, jovem encontrado carbonizado em Joaçaba

Dois homens foram presos pela Polícia Civil de Santa Catarina sob suspeita de participação no homicídio de Maikon Diekson de Lima, 21 anos, cujo corpo carbonizado foi localizado em Joaçaba, no Meio-Oeste catarinense, fato que mobilizou investigadores desde o final de abril.

Avanço das investigações e dinâmica da operação

Segundo a Delegacia de Homicídios de Joaçaba, as detenções ocorreram na madrugada desta terça-feira (14) durante a execução de mandados de busca e prisão preventiva expedidos pela 1ª Vara Criminal da comarca. A força-tarefa envolveu 18 agentes, apoio do Canil K-9 e viaturas de Chapecó, Herval d’Oeste e Xanxerê. Os suspeitos foram localizados em pontos distintos de Chapecó e Xanxerê, cidades escolhidas, de acordo com a polícia, para dificultar o rastreamento.

O inquérito foi instaurado em 29 de abril, dia em que populares encontraram a vítima em uma área de mata próxima à SC-150. Desde então, houve:

  • Coleta e cruzamento de 27 horas de imagens de câmeras públicas e privadas;
  • Perícia em dois automóveis suspeitos, ambos submetidos a exames de luminol;
  • Análise de registros telefônicos que indicaram 14 ligações entre os detidos e a vítima nas 48 horas que antecederam o crime.

Os investigadores trabalham com a hipótese de crime premeditado motivado por desavença financeira relacionada ao comércio informal de entorpecentes. A linha foi reforçada por extratos bancários que apontam transferência de R$ 3.700,00 da conta de Maikon para um dos suspeitos três dias antes da morte.

Perfil da vítima e dos suspeitos

Maikon Diekson de Lima era natural de Herval d’Oeste, cursava técnico em eletrônica e exercia atividade autônoma em manutenção de celulares. Relatos de familiares indicam que o jovem havia se afastado dos estudos no início do semestre para quitar dívidas. Ele desapareceu em 27 de abril após informar à mãe que se encontraria com um conhecido em Joaçaba.

Os presos têm 23 e 26 anos, respectivamente, com antecedentes por furto qualificado e porte ilegal de arma de fogo. A Polícia Civil não divulgou nomes completos para preservar a fase inicial do processo, mas confirmou que:

  • O suspeito de 26 anos possuía mandado de prisão em aberto desde janeiro por quebra de regime semiaberto;
  • O investigado de 23 anos trabalhava como motorista de aplicativo e teria fornecido o veículo utilizado para transportar a vítima;
  • Laudo cadavérico atestou morte por traumatismo cranioencefálico antes da tentativa de ocultação mediante fogo.

Apesar das evidências materiais, ambos serão tratados como investigados até que o Tribunal do Júri avalie a denúncia do Ministério Público. A Defensoria Pública já manifestou intenção de acompanhar o caso e solicitar liberdade provisória.

Procedimentos legais e próximas etapas

Concluída a fase de prisões, o delegado responsável, Rafael Rossetto, confirmou que o inquérito deverá ser relatado em até 10 dias, prorrogáveis por igual período. As próximas diligências incluem:

  1. Confronto balístico de projétil encontrado próximo ao corpo com arma apreendida na residência do suspeito mais velho;
  2. Quebra de sigilo telemático, autorizada pelo Tribunal de Justiça de SC, para rastrear mensagens em aplicativos criptografados;
  3. Reconstituição simulada na área rural de Joaçaba, programada para 22 de maio, a fim de dirimir contradições nos depoimentos.

Paralelamente, a Perícia Forense trabalha na identificação definitiva de vestígios de combustível que podem indicar o ponto de ignição do fogo. O laudo químico, segundo o Instituto Geral de Perícias (IGP), ficará pronto em até cinco dias úteis.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública reforçou que o caso terá acompanhamento direto do núcleo de enfrentamento a homicídios, criado após o estado registrar aumento de 8,4% nesses crimes no primeiro trimestre, comparado a 2023.

Conclusão técnica

Com a prisão dos dois principais suspeitos e a consolidação de elementos periciais, o inquérito alcançou fase decisiva. O delegado Rafael Rossetto trabalha para encaminhar o relatório final ao Ministério Público até o fim de maio. A expectativa é que o órgão ofereça denúncia por homicídio qualificado (art. 121, §2º, incisos I, III e IV do Código Penal) e ocultação de cadáver (art. 211), conduzindo o caso a julgamento pelo Tribunal do Júri de Joaçaba. Até que a denúncia seja recebida, os investigados permanecem no Presídio Regional de Chapecó, à disposição do Judiciário.

As autoridades mantêm o canal de denúncias 181 aberto para coleta de informações adicionais que possam auxiliar na consolidação probatória. Novas atualizações dependerão da conclusão dos laudos periciais pendentes e da eventual cooperação de testemunhas ainda não localizadas.