Médico Luiz Alberto Alecio, pioneiro da ortopedia em Chapecó, morre aos 76 anos

O ortopedista Luiz Alberto Alecio morreu neste domingo, 14 de abril de 2024, em Chapecó (SC), aos 76 anos, segundo comunicado oficial da família. Reconhecido como um dos introdutores da especialidade no Oeste catarinense, Alecio consolidou carreira de referência regional em medicina esportiva e traumatologia, deixando lacuna sensível na assistência à saúde local.

Trajetória profissional e pioneirismo regional

Nascido em 1947, Luiz Alberto Alecio cursou Medicina na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, com formação complementar em Ortopedia no início da década de 1970. Ao fixar residência em Chapecó, participou da organização dos primeiros serviços estruturados de cirurgia ortopédica na região, contribuindo para ampliar o acesso do interior catarinense a procedimentos antes restritos às capitais. Colegas de profissão relatam que, ao longo de mais de quatro décadas de atividade clínica, coordenou equipes multidisciplinares, implementou protocolos de reabilitação pós-operatória e estimulou programas de atualização contínua em hospitais públicos e privados.

Entre os marcos de sua atuação, destacam-se as parcerias com instituições de ensino para estágio de residentes e a participação em congressos nacionais da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia. Fontes do Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina apontam Alecio como mentor de gerações de especialistas que hoje integram quadros de referência no Oeste do estado.

O histórico profissional inclui, ainda, atendimento voluntário em mutirões de cirurgias ortopédicas promovidos por entidades filantrópicas, medida que reduziu significativamente filas de espera para procedimentos como artroplastias de quadril e reparos ligamentares.

Repercussão e homenagens

A confirmação do óbito gerou manifestações imediatas de pacientes, entidades médicas e autoridades locais. Em nota, a diretoria do Hospital Regional do Oeste classificou Alecio como “pilar no desenvolvimento científico e assistencial da ortopedia chapecoense”. O filho, Marco Alecio, também ortopedista, publicou mensagem de despedida ressaltando o legado de dedicação, ética e empatia no atendimento clínico.

Nas redes sociais, ex-pacientes relataram casos de reabilitação bem-sucedida atribuídos à intervenção e ao acompanhamento direto do médico. A Associação de Atletismo de Chapecó lembrou que Alecio prestava consultoria voluntária a atletas amadores, atuando na prevenção de lesões em competições regionais.

Profissionais de saúde enfatizaram que a perda ocorre em momento de crescente demanda por cirurgias ortopédicas eletivas, represadas pela pandemia da Covid-19. Para a diretoria técnica do hospital regional, a ausência de seu expertise exigirá redistribuição de agendas e reforço em programas de capacitação, sobretudo em áreas de cirurgia reconstrutiva.

Ritos de velório e cremação

O corpo está sendo velado no Memorial Stürmer, no centro de Chapecó, com visitas abertas ao público até 22h. Conforme comunicado da Funerária Stürmer, após esse horário será realizado o translado para o Crematório Anjos de Luz, em Erechim (RS), onde ocorrerá cerimônia reservada à família.

As homenagens presenciais contam com protocolo de recepção organizado pelo Conselho Regional de Medicina e pela Sociedade Catarinense de Ortopedia, que disponibilizaram livros de memória para registro de depoimentos. O crematório informou que as cinzas serão entregues à família em até 48 horas, procedimento padrão para casos em que não há investigação forense pendente.

Não foram divulgadas informações sobre a causa da morte. O atestado de óbito foi emitido na manhã de domingo, sem necessidade de encaminhamento ao Instituto Médico Legal, indicando quadro clínico compatível com falência orgânica decorrente de comorbidades crônicas.

Perspectivas para a ortopedia em Chapecó

A saída definitiva de um profissional com trajetória consolidada levanta debate sobre a formação de novos especialistas no Oeste catarinense. Dados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde evidenciam que Chapecó possui atualmente 32 médicos ortopedistas ativos, número considerado suficiente para a cobertura populacional, mas concentrado em clínicas privadas. Especialistas defendem expansão de programas de residência médica regionalizados para compensar a perda de capital humano sênior.

Universidades locais estudam a criação de bolsas de estímulo para recém-formados que se comprometam a permanecer na região por, no mínimo, três anos. A proposta, em análise no Conselho Municipal de Saúde, inclui incentivos fiscais a hospitais que ampliarem vagas de treinamento supervisionado em cirurgia de joelho, ombro e trauma ortopédico.

Além da esfera assistencial, a morte de Alecio pode acelerar o planejamento de uma unidade de medicina esportiva vinculada ao hospital universitário em construção, projeto que pretende transformar Chapecó em polo de reabilitação de atletas de alto rendimento no Sul do país.

Conclusão Técnica

A morte do Dr. Luiz Alberto Alecio encerra ciclo relevante no desenvolvimento da ortopedia catarinense, deixando como principal legado a consolidação de protocolos clínicos e a formação de profissionais que hoje sustentam a especialidade na região. No curto prazo, a rede hospitalar reorganiza escalas e planeja reforços para absorver a demanda anteriormente atendida pelo médico. No médio e longo prazos, instituições de ensino e órgãos de classe avaliam medidas estruturantes para garantir sucessão qualificada, ampliando capacitação local e atraindo novos especialistas. A continuidade desses esforços definirá o ritmo de evolução da assistência ortopédica em Chapecó nos próximos anos.