Safra vê oportunidade na Ecorodovias após queda de 29% e eleva recomendação; potencial de alta chega a 66%

Ecorodovias (ECOR3) recebeu nesta segunda-feira, 15 de junho de 2026, nova recomendação do Banco Safra: de neutra para compra. A decisão foi motivada pela retração de 29% no valor de mercado desde janeiro, considerada exagerada pelos analistas. Com preço-alvo ajustado para R$ 12,10 ao fim de 2026, o banco projeta potencial de valorização de 66,4% sobre o último fechamento.

Safra revê posição e atualiza preço-alvo

O relatório distribuído a clientes do Safra destaca que o recuo de quase um terço no preço das ações da concessionária ocorreu em meio a incertezas macroeconômicas e à percepção de um ciclo mais lento de cortes da taxa Selic. Nesse contexto, ECOR3 passou a ser negociada em múltiplos considerados atrativos. A projeção anterior de preço-alvo — R$ 12,20 — foi ligeiramente ajustada para R$ 12,10, refletindo uma atualização nos modelos de fluxo de caixa descontado, mas sem alterar de forma significativa o upside esperado.

O documento reforça que a companhia continua gerando números sólidos de tráfego em suas rodovias concessionadas, mantém disciplina de custos operacionais e avança no amadurecimento dos ativos arrematados nos últimos leilões federais. Esses fatores, segundo a equipe de análise, dão suporte à projeção de um Ebitda resiliente nos próximos trimestres, mesmo em cenário de juros elevados.

Elementos que sustentam a tese de valorização

1. Tráfego consistente: Dados operacionais indicam elevação anual de 4,8% no fluxo de veículos de pedágio entre janeiro e maio, percentual acima da média histórica do setor. O Safra atribui tal desempenho à diversificação geográfica dos ativos da Ecorodovias, que reduz a exposição a variações regionais de demanda.

2. Gestão de custos: A concessionária manteve margem Ebitda ajustada próxima a 62% no primeiro trimestre, resultado alcançado por iniciativas de automação de praças de pedágio e renegociação de contratos de manutenção. A eficiência operacional, segundo o banco, cria espaço para expansão de rentabilidade à medida que novos ativos amadurecem.

3. Pipeline de projetos: A companhia possui participação em leilões previstos para o segundo semestre de 2026, focados em trechos rodoviários do Centro-Oeste. O Safra entende que eventual vitória traria sinergias operacionais e incremento de receita sem exigir alavancagem excessiva, dado o perfil de dívida atual (índice Dívida Líquida/Ebitda em 3,4x).

4. Sensibilidade a juros: Embora o cenário de política monetária permaneça incerto, o banco ressalta que cada redução de 100 pontos-base na Selic pode adicionar aproximadamente R$ 170 milhões ao fluxo de caixa livre projetado para 2027, elevando o valor presente dos ativos.

Impacto nas demais empresas de infraestrutura acompanhadas

Na mesma revisão setorial, o Safra atualizou premissas de outras listadas:

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Imagem: Internet

Motiva (MOTV3) – manteve recomendação de compra, porém o preço-alvo recuou de R$ 19,40 para R$ 18,30, sinalizando potencial de 31,2%. A atualização reflete ajustes no cronograma de lançamento de novos terminais logísticos.

Rumo (RAIL3) – recomendação de compra preservada, com preço-alvo agora em R$ 16,70, implicando upside de 25%. O banco reduziu as premissas de crescimento de volumes transportados diante da queda nas exportações de grãos.

Hidrovias do Brasil (HBSA3) – recomendação permaneceu neutra. O preço-alvo foi revisado de R$ 4,50 para R$ 4,10, ainda sugerindo potencial de 19,5%, mas refletindo pressão nos custos de combustíveis e câmbio.

O Safra reforça preferência por empresas com receitas indexadas a índices inflacionários e estrutura de dívida predominantemente longa, características que protegem margens em ambiente de financiamento mais caro.

Conclusão técnica

A combinação de queda expressiva no preço das ações, fundamentos operacionais robustos e perspectiva de retorno superior a 60% levou o Safra a reposicionar Ecorodovias como a principal aposta tática dentro do subsetor de concessões rodoviárias. O banco seguirá monitorando a evolução do tráfego, a dinâmica de juros internos e os próximos leilões federais como gatilhos de curto e médio prazos. Para investidores institucionais, a avaliação é que o atual patamar de preços já embute cenários macroeconômicos adversos, oferecendo margem de segurança relevante caso a política monetária inicie, ainda em 2026, um ciclo de flexibilização mais acelerado.