Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, despencou para a 274ª posição entre 279 terminais avaliados no AirHelp Score 2026, tornando-se o pior da Europa e um dos seis piores do planeta, resultado atribuído sobretudo ao baixo índice de pontualidade que afeta cerca de 35 milhões de passageiros por ano, grande parcela deles oriundos do Brasil.
Como o AirHelp Score 2026 foi calculado
Publicada anualmente pela AirHelp, a classificação analisou 279 aeroportos de 76 países entre maio de 2025 e abril de 2026. A metodologia distribui peso de 60% para pontualidade dos voos, enquanto os demais 40% dividem-se igualmente entre experiência do passageiro e qualidade de instalações. Para a edição de 2026, a empresa examinou milhares de registros operacionais e coletou 14,3 mil avaliações de viajantes, que classificaram itens como limpeza, acessibilidade, sinalização, eficiência de funcionários, tempo de espera, oferta gastronômica e opções de compras. Considera-se pontual o voo que chega ao destino com atraso máximo de 15 minutos em relação ao horário previsto.
O modelo estatístico utilizado busca reduzir distorções sazonais, aplicando média móvel sobre o período de 12 meses analisado. Dessa forma, o ranking equilibra picos de alta temporada, eventos climáticos extremos e variações operacionais decorrentes de obras ou greves.
Números que levaram Lisboa ao fim da tabela
O Aeroporto Humberto Delgado recebeu nota média de 6,3 em pontualidade, a mais baixa entre todos os terminais europeus listados. Embora tenha obtido pontuação ligeiramente superior em experiência do passageiro (7,1) e em infraestrutura (7,0), o peso maior atribuído à regularidade dos voos provocou o recuo global. O fluxo anual superior a 36 milhões de pessoas pressiona a capacidade instalada do terminal, projetado originalmente para cerca de 22 milhões de usuários, segundo dados da ANA – Aeroportos de Portugal.
Entre os fatores operacionais apontados por controladores de tráfego aéreo estão:
- Ausência de pistas paralelas, o que limita o número de movimentos por hora.
- Espaço restrito para ampliação de pátios de aeronaves, gerando gargalos nos horários de pico.
- Filas na imigração superiores a 45 minutos em períodos de alta demanda, segundo relatos de passageiros compilados pela AirHelp.
Esses entraves resultam em atrasos em cadeia que se propagam para conexões europeias, africanas e do Oriente Médio, segmentos em que Lisboa atua como hub estratégico da TAP Air Portugal.
Contrastando extremos: destaques e lanternas na Europa
Enquanto Lisboa ocupa a última posição continental, o Aeroporto de Bodø, na Noruega, alcançou o nono lugar global graças a índice de pontualidade de 8,7 e altas notas de satisfação do passageiro. O Aeroporto de Billund, na Dinamarca, fecha o top 10 mundial, impulsionado por instalações modernas e processos de embarque automatizado.
Na outra ponta, compartilham as piores colocações europeias:
Imagem: Internet
- Aeroporto Rhodes Diagoras, Grécia – 271º
- Aeroporto de Manchester, Reino Unido – 269º
- Aeroporto de Heraklion, Creta – 268º
- Aeroporto de Nice Côte d’Azur, França – 267º
Os cinco terminais compartilham volume de tráfego acima do planejado e constrangimentos estruturais que prejudicam a eficiência de pousos e decolagens.
Implicações para brasileiros e para o turismo português
Portugal permanece entre os destinos internacionais mais procurados por brasileiros, seja para turismo, educação ou residência. Dados da Direção-Geral de Estatística da UE indicam que o fluxo Brasil-Portugal cresceu 18% em 2025, tendência que pressiona ainda mais o já saturado aeroporto lisboeta. Companhias como LATAM, Azul e Gol operam frequências diárias para a capital portuguesa, reforçando o volume de chegadas.
Para mitigar gargalos, o governo português retomou estudos sobre a construção de um novo aeroporto na região do Montijo, projeto estimado em € 3,2 bilhões. O cronograma preliminar prevê licenciamento ambiental até 2027 e inauguração parcial em 2031, mas especialistas do setor alertam que atrasos regulatórios podem postergar o alívio de capacidade.
Brasil desponta no ranking global de 2026
Em contraste com o desempenho lisboeta, nove aeroportos brasileiros foram listados entre os 20 melhores do mundo, com destaque para o Aeroporto de Fortaleza, classificado na segunda colocação geral. A concessão privada iniciada em 2018, combinada a investimentos em pátios, equipamentos de auxílio à navegação e automação de processos alfandegários, elevou a pontualidade média para 9,1. O case brasileiro evidencia a correlação entre investimentos contínuos em infraestrutura e ganhos de regularidade operacional.
Conclusão Técnica
O AirHelp Score 2026 expôs o descompasso entre a relevância estratégica do Aeroporto Humberto Delgado e sua infraestrutura atual. O posicionamento na 274ª posição global decorre, majoritariamente, do baixo desempenho em pontualidade, fator com peso decisivo na metodologia do ranking. Sem intervenções estruturais de grande porte, como a implantação do novo aeroporto complementar, a tendência é de manutenção dos gargalos operacionais em Lisboa, sobretudo diante da expansão do tráfego proveniente da América do Sul e das rotas de conexão para África e Oriente Médio.




