Ranking de Competitividade 2026: Brasil cai para 65ª posição mesmo liderando geração de empregos

O Brasil recuou sete colocações no Ranking Mundial de Competitividade 2026, elaborado pelo IMD World Competitiveness Center, passando da 58ª para a 65ª posição entre 70 economias, apesar de despontar entre os cinco países com maior capacidade de criar empregos e atrair investimento estrangeiro.

Pilares avaliados e evolução dos indicadores

O estudo do IMD avalia quatro pilares — performance econômica, eficiência governamental, eficiência dos negócios e infraestrutura — por meio de 341 indicadores combinados entre estatísticas internacionais e a percepção de executivos. Em 2026, o Brasil registrou deterioração em todos os pilares:

  • Eficiência dos negócios: queda de 11 posições, refletindo ambiente regulatório complexo, custos elevados e baixa produtividade empresarial.
  • Performance econômica: recuo de seis colocações, influenciado por crescimento moderado do PIB, instabilidade cambial e pressão inflacionária.
  • Eficiência governamental: manutenção da trajetória descendente observada desde 2022, com ênfase em burocracia, percepção de corrupção e rigidez fiscal.
  • Infraestrutura: piora em conectividade logística, déficit de transporte ferroviário e limitações no acesso a tecnologia de ponta.

Destaques positivos: emprego, empreendedorismo e investimento externo

Embora o resultado geral tenha sido negativo, alguns indicadores posicionam o país entre as primeiras colocações globais. A capacidade de criar postos de trabalho no longo prazo garantiu ao Brasil o 5º lugar nesse quesito. Segundo Hugo Tadeu, diretor do Núcleo de Inovação e Tecnologias Digitais da Fundação Dom Cabral (FDC), o resultado demonstra “resiliência para absorver mão de obra mesmo em cenários adversos”.

Outros pontos fortes identificados pelo ranking:

  • Subsídios governamentais: 5º lugar, impulsionando setores estratégicos como energia renovável e agronegócio.
  • Participação de fontes renováveis na matriz energética: também 5ª posição, reforçando vantagem comparativa em hidrelétricas, eólica e solar.
  • Fluxo de investimento direto estrangeiro (IDE): 7ª colocação, sinalizando confiança estrutural no mercado interno de consumo e em projetos de longo prazo.
  • Atividade empreendedora em estágio inicial: 8º lugar, evidenciando dinamismo de micro e pequenas empresas e vitalidade dos ecossistemas de inovação regionais.

Fatores limitantes: qualificação profissional e competitividade de custos

O ponto de maior fragilidade está relacionado ao capital humano. O país ocupa a última posição em qualificação profissional, educação gerencial e competências financeiras. A escassez de trabalhadores com formação técnica e domínio de habilidades digitais onera a produtividade, eleva custos operacionais e limita a inserção em cadeias globais de valor.

No âmbito fiscal, o custo do crédito, a carga tributária e a volatilidade macroeconômica também impactam a competitividade. Taxas de juros em patamar elevado, combinadas a uma estrutura de impostos complexa, reduzem margens corporativas, inibem expansão de capacidade e restringem investimentos em pesquisa e desenvolvimento.

Comparativo internacional e tendências para 2027

Singapura assumiu a liderança do levantamento graças a ambiente regulatório enxuto, políticas de inovação contínuas e sólida governança institucional. Hong Kong, Suíça e Taiwan completam as quatro primeiras posições, enquanto Emirados Árabes Unidos se destacam no quinto lugar com a melhor performance econômica entre todas as nações avaliadas.

Na parte inferior da tabela aparecem Botsuana, Mongólia, Nigéria, Namíbia e Venezuela, refletindo desafios em estabilidade política, infraestrutura básica e gestão macroeconômica.

Para 2027, analistas apontam três vetores críticos ao Brasil:

  1. Reforma educacional acelerada para ampliar oferta de cursos técnicos, aumentar a permanência escolar e fomentar competências em ciências e tecnologia.
  2. Simplificação tributária e aprimoramento de marcos regulatórios a fim de reduzir o custo Brasil, estimular a formalização e facilitar a atração de novos capitais.
  3. Modernização da infraestrutura logística, priorizando ferrovias de carga, corredores de exportação e integração de modais, elemento determinante para reduzir gargalos e elevar eficiência operacional.

Conclusão Técnica: A queda do Brasil para a 65ª posição expõe vulnerabilidades estruturais em gestão pública, formação de capital humano e produtividade empresarial. Entretanto, a permanência entre os líderes mundiais em geração de empregos, empreendedorismo nascente e recepção de investimento estrangeiro indica potencial de recuperação. A trajetória para retomar competitividade depende de políticas coordenadas em educação, infraestrutura e simplificação regulatória, com monitoramento de metas de curto e médio prazo já para o ciclo de avaliação de 2027.