Bares e restaurantes devem movimentar R$ 2,42 bilhões durante a Copa do Mundo de 2026, cifra 15,7 % superior ao último torneio, segundo projeção da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O volume, estimado para os meses de junho e julho, reflete o horário nobre dos jogos na América do Norte, o contexto de juros elevados no Brasil e o potencial incremento de consumo se a Seleção Brasileira avançar na competição.
Horários favoráveis alavancam fluxo de clientes
Os confrontos da fase de grupos ocorrerão nos Estados Unidos, México e Canadá no auge do verão do hemisfério norte. Para o público brasileiro, isso significa partidas vespertinas e noturnas, coincidindo com o pico de movimento dos estabelecimentos de alimentação fora do lar. A CNC ressalta que, em edições anteriores, a maioria dos jogos acontecia pela manhã ou início da tarde, períodos de demanda naturalmente mais baixa.
O relatório da entidade indica que a concentração de torcedores nesses horários pode elevar em 5,4 % o faturamento médio do setor, valor classificado como “prêmio Copa”. Esse adicional decorre da soma de dois fatores: aumento do número de frequentadores e tíquete médio maior, impulsionado pelo consumo coletivo de bebidas e petiscos durante as partidas.
Impacto dos juros altos no comportamento de compra
Mesmo com a taxa Selic a 14,25 % ao ano, bares e restaurantes mostram resiliência. A CNC argumenta que o custo elevado do crédito desestimula a aquisição de bens duráveis — como televisores — tradicionalmente financiados a prazo. Esse recuo inibe o consumo doméstico e redireciona o orçamento para experiências imediatas fora de casa.
Fabio Bentes, economista-chefe da confederação, afirma que o segmento de alimentação fora do domicílio tende a funcionar como “porto seguro” em ciclos de aperto monetário. Segundo ele, o brasileiro privilegia vivências sociais que exigem desembolso à vista, em detrimento de compras parceladas que aumentariam o endividamento em um contexto de juros elevados.
Essa dinâmica contribui para que bares e restaurantes sejam apontados como um dos poucos ramos “blindados” contra a deterioração do poder de compra ocasionada pela política monetária contracionista.
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Dependência do desempenho da Seleção Brasileira
A CNC projeta que cada fase superada pela equipe nacional pode acrescentar receitas expressivas ao segmento. A expectativa base de R$ 2,42 bilhões considera, porém, apenas os jogos da fase de grupos. Historicamente, quando o Brasil avança às fases eliminatórias, a movimentação de torcedores nos estabelecimentos cresce em ritmo proporcional à relevância de cada confronto.
Em 2018 e 2022, por exemplo, as casas que exibiam partidas decisivas registraram ocupação acima de 90 % da capacidade, segundo dados compilados por associações estaduais de bares. A progressão da Seleção gera ciclos de consumo mais longos: clientes chegam horas antes do apito inicial e permanecem após o término, ampliando o consumo de repetição.
No cenário oposto, uma eliminação precoce costuma reduzir o fluxo a partir das quartas de final, quando o interesse espontâneo do público diminui. Por isso, empresários do setor monitoram não apenas os indicadores macroeconômicos, mas também o desempenho esportivo, que pode redefinir as projeções de curto prazo.
Conclusão Técnica
O setor de bares e restaurantes entra na Copa do Mundo de 2026 sustentado por três pilares objetivos: horários comerciais favoráveis, deslocamento de consumo provocado pelos juros altos e potencial de receita adicional vinculado ao desempenho da Seleção Brasileira. Mantidas as variáveis atuais, a estimativa de R$ 2,42 bilhões em vendas representa novo recorde histórico e consolida o evento esportivo como principal catalisador de faturamento semestral para o segmento. O acompanhamento dos jogos e da política monetária nas próximas semanas definirá os ajustes de oferta, logística e estoque que proprietários deverão adotar para capturar o máximo desse ciclo de alta demanda.



