Natura (NATU3) avança no Ibovespa com lucro de R$ 35 mi no 2T26, porém relatórios mantêm recomendação neutra

O mercado reagiu positivamente à divulgação do resultado da Natura referente ao segundo trimestre de 2026: mesmo com lucro líquido 82% inferior ao de um ano antes, as ações chegaram a liderar as altas do Ibovespa, impulsionadas pela percepção de que os números vieram menos fracos do que o previsto.

Lucro, receita e margem: desempenho abaixo do histórico, mas acima das projeções

A companhia reportou lucro líquido de R$ 35 milhões, comparado a R$ 197 milhões no 2T25. A receita líquida recuou 9,1%, para R$ 5,1 bilhões, situando-se no piso do intervalo preliminar apresentado em julho. Mesmo com a retração, o mercado já estimava um cenário ainda mais severo, o que suavizou o impacto nos preços dos papéis.

O Ebitda consolidado somou R$ 620 milhões, com margem de 12%. Esse resultado superou em 21% a projeção do Bradesco BBI e em 14% o consenso reunido pela Bloomberg, refletindo rigor no controle de despesas operacionais. A alavancagem caiu para 2,35x dívida líquida/Ebitda, evidenciando disciplina financeira e reforçando a diretriz anunciada de manter margens acima de 10% até o fim de 2026.

Brasil pressionado, operação hispânica em recuperação

No mercado doméstico, a receita encolheu 14,8%, impactada por consumo mais fraco, ajustes logísticos e interrupções temporárias de estoque após a atualização do sistema SAP e o remanejamento produtivo decorrente do fechamento da fábrica de Interlagos. A escassez de itens afetou a produtividade das consultoras, enquanto a revisão na política de preços e no modelo de franquias reduziu o ritmo de vendas online no curto prazo.

Em contraste, a unidade hispânica apresentou sinais de virada. Segundo o Itaú BBA, a rentabilidade melhorou no México graças a um corte de 15% em despesas gerais e administrativas. O BTG Pactual registrou crescimento de 0,7% na receita anual, desempenho 5,6 p.p. superior à estimativa interna e o primeiro avanço depois de quatro trimestres de contração.

Reação dos investidores e posição das casas de análise

No pregão de 11 de agosto, às 13h25, NATU3 valorizava 2,26%, figurando entre os maiores ganhos do Ibovespa. O movimento refletiu o alívio gerado pela antecipação de dados preliminares em julho, que reduziu o componente surpresa normalmente associado à temporada de balanços.

Apesar da alta imediata, Bradesco BBI, BTG Pactual, Itaú BBA e Citi mantêm recomendação neutra para o papel. Em julho, BBI e Itaú BBA rebaixaram a indicação de compra à luz das projeções preliminares. Embora reconheçam o controle de custos e a robustez do fluxo de caixa, os relatórios apontam que a retomada do volume de vendas no Brasil e na marca Avon tende a exigir mais tempo. O Citi acrescenta que, após a valorização, a relação risco–retorno permanece pouco atrativa em comparação a outros ativos de consumo discricionário.

Conclusão técnica

Os resultados do 2T26 confirmam um momento de transição operacional para a Natura, com margens preservadas apesar da queda de receita e de desafios logísticos no Brasil. A performance acima das expectativas explica o impulso de curto prazo nas ações, porém a manutenção das recomendações neutras indica que o mercado aguarda evidências consistentes de recuperação de vendas e normalização dos estoques antes de revisar teses de investimento. O próximo catalisador deverá ser a divulgação do fluxo de caixa livre no terceiro trimestre, quando a administração projeta aceleração, e a evolução das iniciativas de integração de sistemas e de reestruturação comercial.