Alinhamento de Mercúrio, Júpiter, Vênus e Lua volta a ser visível nesta quinta-feira, 18, após o pôr do sol

Mercúrio, Júpiter, Vênus e a Lua crescente formam novamente um alinhamento aparente no céu logo após o pôr do sol desta quinta-feira, 18, fenômeno que poderá ser observado a olho nu em todo o Brasil, desde que o horizonte voltado para o oeste esteja livre de obstáculos.

Sequência visual e horários estimados do fenômeno

A partir de cerca de 18h (horário local), os planetas ficam dispostos em uma linha imaginária que segue a eclíptica, faixa celeste por onde transitam o Sol, a Lua e os demais corpos do Sistema Solar. A ordem observável, de baixo para cima, será:

  • Mercúrio – próximo ao horizonte, com magnitude média de +0,9, desaparece em poucos minutos.
  • Júpiter – visível logo acima, com magnitude aproximada de −2,0, some antes de 19h.
  • Vênus – astro mais brilhante da configuração, magnitude de cerca de −4,0, serve de referência até por volta das 20h.
  • Lua crescente – posicionada mais alta, com iluminação de cerca de 15 %, encerra a fileira celeste.

O intervalo ideal de observação vai dos primeiros minutos do crepúsculo vespertino até o início da noite, quando Mercúrio e Júpiter se perdem no brilho residual do horizonte.

Contexto orbital e raridade do alinhamento

Os cinco planetas visíveis a olho nu (Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno) compartilham planos orbitais próximos ao da Terra. Essa disposição faz com que, do ponto de vista terrestre, todos pareçam percorrer praticamente o mesmo trajeto celeste. Essa linha recebe o nome de eclíptica e abriga ainda as constelações do Zodíaco.

Embora configurações que envolvem três ou mais planetas aconteçam, em média, a cada 12 a 15 meses, a conjuntura desta semana apresenta dois fatores que aumentam sua relevância:

  1. Proximidade angular reduzida – os astros aparecem em uma faixa de cerca de 10 °, comprimindo o campo de visão.
  2. Contraste luminoso – a Lua em fase fina destaca-se junto a Vênus, o corpo celeste mais luminoso após o Sol e a Lua cheia.

Conforme a astrônoma Josina Nascimento, do Observatório Nacional, “a combinação de proximidade visual e brilho acentuado, somada à presença da Lua em fase inicial, confere caráter menos frequente ao fenômeno”.

Recomendações práticas para a observação

Não são necessários telescópios ou binóculos para identificar a formação. Entretanto, especialistas sugerem algumas precauções:

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Imagem: reversjr

  • Local aberto: Praças, mirantes ou áreas litorâneas, desde que livres de prédios, árvores ou morros na direção oeste.
  • Antecipação: Chegar ao ponto escolhido com pelo menos 15 minutos de antecedência para adaptar a visão e localizar Vênus, o guia mais evidente.
  • Aplicativos astronômicos: Recursos de realidade aumentada podem auxiliar na identificação, mas não substituem a observação direta.
  • Fotografia: Câmeras com lente grande-angular e tempo de exposição de 1 – 3 s, apoiadas em tripé, registram a configuração com clareza.

Apesar de continuar visível pelos próximos dias, o alinhamento tende a perder definição porque Mercúrio e Júpiter mergulham cada vez mais cedo abaixo do horizonte. Estima-se que, até início de julho, ambos fiquem inviáveis para observação a olho nu.

Próximos eventos celestes relevantes

O calendário astronômico do segundo semestre inclui pelo menos dois destaques:

12 de agosto
Chuva de Meteoros Perseidas atinge pico nas regiões Norte e Nordeste, com taxa de até 100 meteoros/hora.
17 de setembro
Oposição de Saturno coloca o planeta em seu ponto mais próximo da Terra em 2024, favorecendo observações com telescópios amadores.

A repetição do alinhamento atual, com Mercúrio, Júpiter, Vênus e a Lua dentro da mesma faixa angular, voltará a ocorrer somente em março de 2026, segundo projeções do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG-USP).

Conclusão Técnica

O alinhamento desta quinta-feira, 18, representa oportunidade breve para observar simultaneamente três planetas interiores e a Lua sem auxílio óptico. A janela útil de observação concentra-se nos primeiros 60 minutos após o pôr do sol, antes que Mercúrio e Júpiter desapareçam no horizonte. Nos dias subsequentes, a convergência persiste, porém com visibilidade decrescente. A próxima configuração comparável está prevista para 2026, reforçando a relevância deste evento para entusiastas e para a divulgação científica nacional.