Na manhã de 4 de dezembro, um grupo de remadores em treinamento de skiff retirou uma tartaruga-marinha de uma rede de pesca na Baía Sul, em Florianópolis, demonstrando coordenação rápida entre atletas, treinador e um pescador local para preservar o animal ameaçado.
Contexto do resgate e perfil dos envolvidos
Os participantes do salvamento estavam em sessão de preparo físico para competições nacionais de remo quando perceberam o animal em dificuldade. Entre eles, destacaram-se o atleta olímpico Pedro Colono e a remadora paralímpica Marcela Teixeira, ambos integrantes do Clube de Regatas Aldo Luz. O treinador Marquinho Martins, do rival Clube Náutico Francisco Martinelli, também se uniu ao esforço, rompendo a tradicional rivalidade esportiva em favor da vida selvagem.
Segundo a União Internacional para Conservação da Natureza, tartarugas-marinhas enfrentam risco elevado de captura incidental. A rede onde o animal ficou preso é exemplo de “pesca fantasma”, termo usado para artefatos abandonados ou perdidos que continuam capturando fauna aquática.
Fases da operação de salvamento
1. Identificação do perigo – Durante o percurso de aproximadamente 8 km, os atletas avistaram a tartaruga tentando emergir para respirar, mas com mobilidade limitada pela malha de nylon.
2. Estabilização – Pedro Colono manteve o casco do animal acima da superfície, reduzindo o estresse hipóxico. Estudos da Fundação Projeto Tamar indicam que tartarugas podem sofrer parada respiratória após 30 minutos submersas contra a vontade.
3. Busca por instrumentos de corte – Marcela Teixeira remou de volta ao ponto de apoio a cerca de 400 m da cena para obter faca apropriada. O trajeto foi concluído em menos de 5 minutos, tempo crítico para a sobrevivência do réptil.
4. Remoção da rede – Com auxílio de Marquinho Martins e de um pescador que navegava nas proximidades, as fibras de polietileno foram seccionadas em três pontos, liberando nadadeiras e carapaça sem causar lesões aparentes.
Imagem: Canva
5. Libertação imediata – Após verificação visual de integridade, a tartaruga-marinha foi solta no próprio local, prática recomendada pelo Centro de Reabilitação de Animais Marinhos para minimizar deslocamento adicional.
Repercussão pública e implicações ambientais
O vídeo registrado por celular, postado no perfil @marcelatts, alcançou mais de 150 mil visualizações em 24 horas, ampliando o debate sobre descarte inadequado de equipamentos de pesca. Organizações como o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) reforçaram, em nota, que a região da Baía Sul fica próxima a rotas migratórias de tartarugas-verdes (Chelonia mydas), classificadas como ameaçadas.
Levantamento do Projeto Tamar aponta que, somente em 2022, foram registradas 112 ocorrências de enredamento no litoral de Santa Catarina, com 63% envolvendo redes abandonadas. A legislação brasileira já prevê multa de até R$ 100 mil para responsáveis por descarte irregular, porém a fiscalização em áreas estuarinas permanece limitada.
No ambiente esportivo, a iniciativa reforçou a campanha “Remo é Respeito”, que estimula clubes náuticos a recolher resíduos durante treinos. Após o episódio, a Federação Catarinense de Remo anunciou intenção de firmar parceria com órgãos ambientais para instalar pontos de coleta de redes danificadas nos principais trapiches da capital.
Conclusão técnica
O resgate da tartaruga-marinha na Baía Sul ilustra como a interação entre atletas, profissionais da pesca e entidades de conservação pode reduzir impactos da pesca fantasma na fauna costeira. A rápida resposta de Pedro Colono, Marcela Teixeira e Marquinho Martins evitou possível asfixia do animal e evidenciou lacunas na gestão de resíduos pesqueiros. A expectativa é de que o registro viral estimule ações educativas e reforço da fiscalização na região, enquanto clubes de remo planejam incorporar rotinas de monitoramento ambiental a seus treinamentos diários.


