Axia Energia (AXIA3): Bradesco BBI reforça compra, eleva preço-alvo e aponta distorção de mercado

A retração recente das ações da Axia Energia (AXIA3) levou o Bradesco BBI a reiterar recomendação de compra, ajustar o preço-alvo para R$ 73 e destacar uma assimetria positiva entre o valor de tela e o potencial de geração de caixa da companhia.

Revisões de curto prazo sinalizam impacto pontual nos resultados de 2026

O Bradesco BBI recalibrou projeções após identificar queda nas cotações de energia no segundo trimestre de 2026. O preço médio estimado para o mercado de curto prazo passou de R$ 280/MWh para R$ 160/MWh, repercutindo menor liquidez e aumento momentâneo da oferta hídrica no Sistema Interligado Nacional. Esse ajuste reduziu em 10 % a expectativa de Ebitda para o trimestre, agora projetado em R$ 6,3 bilhões, patamar 19 % inferior ao consenso do mercado.

Para o consolidado de 2026, o banco estima Ebitda ajustado de R$ 29,1 bilhões e lucro líquido de R$ 10,6 bilhões. Ainda que esses números fiquem aquém das médias compiladas pela agência de dados proprietária da instituição, o BBI ressalta que o desvio é explicado pelo recuo transitório nos preços de curto prazo e por ajustes nas projeções de geração hidrelétrica, especialmente nos ativos situados nas regiões Norte e Nordeste.

Modelo de longo prazo indica preço de energia acima do consenso

Segundo o relatório disponibilizado pela Ágora Investimentos, o mercado precifica a Axia Energia com base em valores de energia de R$ 190/MWh no horizonte de longo prazo. O Bradesco BBI, entretanto, trabalha com premissa de R$ 227/MWh a partir de 2027, sustentada por:

  • Custo marginal de expansão superior a R$ 280/MWh em projetos eólicos e acima de R$ 300/MWh em solares;
  • Demanda estrutural crescente ancorada em eletro-intensificação industrial e expansão do consumo residencial;
  • Expectativa de contratação mais seletiva nos próximos leilões de energia, reduzindo oferta excedente.

Com essas premissas, a instituição enxerga upside significativo para AXIA3, já que a ação, aos níveis atuais, embute premissas mais conservadoras que as sugeridas pelos custos de nova capacidade.

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Estratégia de capital: dividendos robustos e recompra bilionária

Mesmo após as revisões, o banco manteve estimativa de distribuição de R$ 12,5 bilhões em dividendos em 2026, equivalente a dividend yield próximo de 8 %. A empresa ainda não divulgou a política de payout para o período, mas o montante estimado reflete a forte geração operacional e a posição de caixa preservada após a privatização.

Paralelamente, a companhia anunciou programa de recompra de ações no valor de R$ 4 bilhões. Para o Bradesco BBI, a medida demonstra disciplina na alocação de capital e reforça a tese de valorização, pois reduz o número de papéis em circulação e eleva o lucro por ação sem alterar a estrutura operacional.

Conclusão Técnica

Os cortes pontuais nas projeções de 2026 refletem pressões conjunturais nos preços spot de energia e ajustes na geração hidrelétrica, mas não comprometem a tese de longo prazo da Axia Energia. O preço-alvo de R$ 73, ligeiramente superior ao anterior, espelha cenário de custo de expansão elevado e demanda consistente a partir de 2027. Com dividend yield estimado em 8 % e programa de recompra de R$ 4 bilhões, a empresa segue posicionada para capturar valor adicional conforme o mercado converge para premissas de preço mais alinhadas às projeções do Bradesco BBI.