Azzas 2154 mantém Alexandre Birman e Roberto Jatahy na liderança em meio a disputas societárias

Azzas 2154 confirmou, em 26 de maio de 2026, a recondução de Alexandre Birman ao cargo de diretor-presidente e de operações, e de Roberto Jatahy à chefia da unidade de vestuário feminino, estendendo seus mandatos por dois anos e sinalizando a manutenção do projeto de integração entre Arezzo&Co e Grupo Soma apesar de conflitos societários em curso.

Estrutura de poder preservada após a fusão que criou a maior “house of brands” do país

A fusão entre Arezzo&Co e Grupo Soma, concluída em 2024, concentrou sob o guarda-chuva da Azzas 2154 marcas como Animale, Hering, Reserva e Farm. Desde então, Birman e Jatahy dividem o comando operacional da companhia.

Na ata divulgada ao mercado, o conselho destacou que a recondução dos executivos tem como objetivo “assegurar continuidade na execução do plano estratégico”, cujo foco está na integração de portfólio e na captura de sinergias financeiras.

Com a decisão, ambos permanecem no topo da estrutura corporativa até maio de 2028, período considerado crítico para a consolidação dos sistemas logísticos e de governança que unificam as duas operadoras varejistas.

Conflitos societários migraram para a CAM-B3 e mantêm pressão sobre a governança

A harmonia institucional, no entanto, foi abalada por litígios iniciados após mudanças na estrutura organizacional. Jatahy questionou judicialmente a redistribuição de poderes internos e, na sequência, os dois sócios levaram o debate à Câmara de Arbitragem do Mercado B3 (CAM-B3).

Os processos tratam de eventuais violações ao acordo de acionistas e ao estatuto social. A empresa foi compelida a detalhar os procedimentos ao regulador, ampliando a visibilidade de riscos de governança aos investidores.

Ainda que a manutenção de Birman e Jatahy indique trégua temporária, analistas seguem observando a possibilidade de cisão parcial de ativos, hipótese reforçada por declarações de instituições financeiras e por relatórios que apontam potencial de “destravamento de valor” caso as operações sejam separadas.

Indicadores financeiros pressionam a gestão em meio ao reordenamento executivo

No 1T26, a companhia reportou lucro líquido recorrente de R$ 63,9 milhões, queda de 45,7 % ante igual período de 2025, enquanto a receita líquida recuou 8 %. O desempenho reflete o impacto da rotatividade em posições estratégicas e dos custos da integração de sistemas de distribuição.

Entre as unidades de negócio, o segmento de vestuário feminino, sob comando de Jatahy, mostrou velocidade de reposicionamento inferior à de calçados e acessórios, área historicamente liderada por Birman. O banco JP Morgan ressaltou, em relatório publicado em maio de 2026, que “ruídos societários adicionam incerteza” às projeções de retorno para a ação AZZA3.

Apesar das dificuldades, o conselho avalia que o ciclo de integração ainda pode gerar sinergias anuais estimadas em R$ 180 milhões a partir de 2027, número reiterado durante a reunião de recondução.

Ativos estratégicos e cenários de reconfiguração seguem no radar do mercado

Rumores sobre uma eventual divisão de marcas ganharam força após a saída de executivos responsáveis pela linha Fashion & Lifestyle e pela unidade Reserva. Especulações indicam que a grife Farm, vista como um dos ativos de maior valor agregado do portfólio, poderia ser listada no exterior para financiar expansão internacional.

Outra possibilidade discutida nos bastidores prevê a criação de duas companhias independentes: uma dedicada a calçados e acessórios premium, sob liderança de Birman, e outra focada em vestuário feminino, sob gestão de Jatahy. Nenhum dos cenários foi oficialmente confirmado pelo conselho, que reiterou compromisso com “unidade estratégica” até a conclusão do mandato recém-prorrogado.

Conclusão técnica

A reeleição de Alexandre Birman e Roberto Jatahy garante continuidade administrativa à Azzas 2154 em um momento de performance operacional enfraquecida e contestações societárias. O ato sinaliza confiança do conselho na dupla para conduzir a integração, mas não elimina a possibilidade de reconfigurações futuras. Até 2028, o mercado deverá monitorar a eficácia das medidas de sinergia, o andamento das arbitragens na CAM-B3 e o impacto de eventuais decisões sobre segmentação de ativos no valor de mercado da ação AZZA3.