O arranha-céu Gherkin, marco de 180 metros na City de Londres, integra o portfólio global do Banco Safra desde 2014, após aquisição estimada em R$ 2,6 bilhões, reforçando a projeção internacional do grupo brasileiro no mercado imobiliário corporativo.
Origem, projeto e características estruturais
Inaugurado em 2004 como 30 St Mary Axe, o edifício projetado pelo arquiteto britânico Norman Foster foi concebido para otimizar eficiência aerodinâmica, minimizar cargas de vento e reduzir o consumo energético por meio de ventilação natural interna. A fachada reúne 7.429 painéis de vidro planos distribuídos em 41 andares, enquanto a única superfície curva encontra-se na cúpula que abriga o restaurante panorâmico Searcys at The Gherkin.
Com 47 mil m² de área locável, o prédio ocupa terreno de 1.900 m² no principal distrito financeiro britânico. A planta elíptica maximiza iluminação diurna e proporciona corredores de circulação de ar entre as lajes, solução que garantiu redução de aproximadamente 50 % no consumo de energia em relação a torres convencionais de mesmo porte.
O apelido “gherkin” — pepino em inglês — refere-se ao formato cônico-oval da estrutura, facilmente identificado no horizonte londrino. Desde a conclusão, o imóvel figura na lista de arranha-céus mais altos do Reino Unido, ao lado da Shard e do primitivo One Canada Square.
A operação de compra e a estratégia do Banco Safra
Em julho de 2014, proprietários anteriores colocaram o ativo à venda por cerca de £ 650 milhões, equivalente a R$ 2,6 bilhões na cotação da época. Quatro meses depois, um veículo de investimento ligado ao Banco Safra concluiu a transação, superando concorrentes asiáticos e fundos soberanos do Oriente Médio. O valor final não foi oficialmente divulgado, mas analistas do setor estimaram prêmio de 15 % sobre o preço anunciado.
Segundo comunicado interno, a instituição avaliou três pilares no processo decisório: (1) liquidez elevada do mercado imobiliário “prime” londrino, (2) potencial de valorização atrelado ao status icônico do prédio e (3) fluxo estável de receita originado de contratos de locação de longo prazo com multinacionais de serviços financeiros. A operação ampliou a exposição internacional do conglomerado, que já controlava ativos comerciais em Nova York, Miami e Paris.
Relatórios subsequentes indicam que, uma década após a aquisição, o cap rate médio do edifício situou-se em torno de 3,4 % ao ano, refletindo demanda consistente por escritórios “Grade A” na capital britânica, mesmo diante das oscilações geradas pelo Brexit e pela pandemia de 2020.
Uso público, turismo corporativo e impacto econômico local
Embora classificado como prédio corporativo de acesso restrito, o Gherkin integra, todo mês de setembro, o programa Open House London, que concede visitação gratuita a imóveis emblemáticos da cidade. Em média, 9 mil visitantes percorrem o edifício durante o fim de semana do evento, impulsionando receitas de turismo e serviços nas imediações da Bishopsgate.
Imagem: Internet
No topo, o restaurante e bar Searcys opera mediante reserva, oferecendo vista de 360° para pontos históricos como Tower Bridge, St Paul’s Cathedral e Tower of London. Pesquisas da consultoria Savills apontam que mesas localizadas na cúpula geram tíquete médio 30 % superior ao de estabelecimentos equivalentes em Westminster, devido à experiência panorâmica exclusiva.
A presença de um proprietário brasileiro em um ativo símbolo da City expande a percepção de investimentos de origem latino-americana na Europa. Dados do Office for National Statistics indicam que o estoque de capital brasileiro em imóveis comerciais do Reino Unido superou US$ 5,1 bilhões em 2025, crescimento de 42 % em uma década, com o Gherkin respondendo por parcela substancial desse montante.
Desempenho do imóvel no mercado pós-pandemia
A migração parcial para modelos híbridos de trabalho reduziu a taxa média de ocupação de escritórios em Londres de 95 % para 87 % entre 2020 e 2022. Contudo, o Gherkin manteve índice de vacância abaixo de 5 %, sustentado pelo perfil de inquilinos de alto padrão creditício e pela localização prime. Ajustes contratuais permitiram repasse inflacionário anual próximo de 3 %, preservando a rentabilidade em libras esterlinas.
Em 2024, a Knightsbridge Wealth avaliou o ativo em torno de £ 900 milhões, resultado de apreciação imobiliária e da queda de yields no segmento “trophy assets”. Caso o Safra decidisse alienar o bem, a realização de ganho contábil poderia superar £ 250 milhões líquidos, segundo estimativas da Deloitte Real Estate.
Conclusão técnica e perspectivas
A aquisição do Gherkin pelo Banco Safra consolidou presença brasileira em um dos endereços corporativos mais disputados do mundo, combinando retorno financeiro consistente, visibilidade institucional e diversificação cambial. O ativo permanece resiliente frente às transformações do mercado de trabalho e às incertezas macroeconômicas britânicas. Para os próximos anos, analistas esperam manutenção da alta demanda por escritórios “Grade A” na City, impulsionada pela expansão de empresas de tecnologia financeira e serviços jurídicos internacionais. Em cenário de juros reais ainda baixos no Reino Unido, estima-se que o rendimento locativo do Gherkin continue competitivo, preservando a atratividade do arranha-céu no portfólio global do grupo brasileiro.




