Berkshire Hathaway reforça aposta em Alphabet e estreia na Delta após giro de US$ 40 bi no 1T26

Berkshire Hathaway elevou sua participação na Alphabet para 58 milhões de ações e abriu posição de 40 milhões de papéis na Delta Air Lines no primeiro trimestre de 2026, movimentando cerca de US$ 40 bilhões entre compras e vendas, segundo o formulário 13-F divulgado após o fechamento do mercado em 15 de maio.

Rotatividade recorde: detalhes dos principais movimentos

O documento entregue à Securities and Exchange Commission (SEC) mostra que a Berkshire, gestora presidida por Greg Abel desde dezembro, comprou US$ 16 bilhões em ações e vendeu aproximadamente US$ 24 bilhões no período. A ampliação da aposta na Alphabet – agora estimada em US$ 23 bilhões – respondeu pela maior fatia das aquisições. Já a inclusão da Delta, avaliada em cerca de US$ 3 bilhões, marca o retorno do conglomerado ao setor aéreo sob a nova liderança executiva.

No lado das alienações, a Chevron concentrou o maior volume financeiro, com redução de 46 milhões de ações, o que gerou realização estimada em US$ 8 bilhões. A companhia também encerrou ou diminuiu posições em Mastercard, Visa, Aon e UnitedHealth Group, sinalizando realocação de capital para segmentos de tecnologia e consumo cíclico.

Mudança na gestão e impacto sobre o portfólio de US$ 300 bi

O período de janeiro a março foi o mais ativo “da história recente” do portfólio de renda variável da Berkshire, avaliado em mais de US$ 300 bilhões. A rotatividade coincide com a saída de Todd Combs, gestor responsável por aproximadamente US$ 15 bilhões em ativos, que deixou a firma para assumir posição no JPMorgan Chase em dezembro de 2025. Com isso, o colega Ted Weschler passou a administrar 6 % do portfólio, ante 5 % no ano anterior, ampliando sua influência estratégica.

Warren Buffett permanece como chairman e ainda pode intervir em decisões pontuais, mas as compras de Alphabet e Delta são atribuídas principalmente ao novo arranjo de governança, que privilegia visão de longo prazo em conglomerados tecnológicos e oportunidades táticas em viagens aéreas, setor que se beneficia da reabertura global pós-conflitos no Oriente Médio.

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Números adicionais e posições emergentes

Além das transações de maior destaque, a Berkshire:

  • Iniciou posição de 3 milhões de ações na Macy’s, avaliada em cerca de US$ 55 milhões.
  • Triplicou o investimento no New York Times para 15 milhões de ações, totalizando mais de US$ 1 bilhão.
  • Ampliou a participação na construtora Lennar Classe A de 7 milhões para 10 milhões de papéis.

Os ajustes confirmam a estratégia de diversificação entre tecnologia, consumo discricionário e housing, combinada à redução de exposição em energia fóssil, diante da volatilidade dos preços do petróleo e da mudança de mandato gestional.

Conclusão Técnica

As alterações declaradas no 13-F do primeiro trimestre de 2026 indicam realinhamento expressivo no portfólio da Berkshire Hathaway, motivado por transição de gestores e revisão de teses setoriais. A ampliação da posição em Alphabet e o retorno ao setor aéreo via Delta sugerem foco renovado em escalabilidade de receita digital e recuperação do tráfego global de passageiros. O recuo em Chevron e a saída de players do setor financeiro-saúde apontam para avaliação mais cautelosa frente a margens comprimidas por pressões regulatórias e geopolíticas. Para o segundo trimestre, a expectativa de mercado recai sobre novos relatórios regulatórios que poderão confirmar continuidade dessa rotação, sobretudo se a Berkshire aproveitar janela de volatilidade para incrementar participações em empresas de crescimento estruturado.