As ações preferenciais da Braskem (BRKM5) saltaram mais de 20% no pregão de 12 de maio, impulsionadas pela elevação da recomendação do JP Morgan de “neutro” para “compra” e pelo novo preço-alvo de R$ 15, que implica valorização potencial de 63% sobre o fechamento anterior.
Recomendação revisada impulsiona maior alta diária desde 2023
O upgrade do JP Morgan inverteu a tendência de baixa que dominava o Ibovespa no mesmo dia, quando o índice cedia aproximadamente 1%. Por volta das 12h40, BRKM5 era negociada a R$ 11,24, acumulando a maior variação diária desde novembro de 2023 e ampliando a valorização em 2026 para 42%. A decisão foi acompanhada da revisão do preço-alvo de R$ 10,50 para R$ 15, sustentada por três vetores: restrição de oferta global de petroquímicos, recuperação de margens e aprimoramento da governança corporativa.
Cenário externo: oferta apertada eleva margens e spreads
Segundo relatório do banco norte-americano, os spreads petroquímicos globais atravessam inflexão favorável. Tensões geopolíticas no Oriente Médio e gargalos logísticos reduziram a disponibilidade de produtos derivados de nafta, elevando as taxas de utilização das plantas mundiais. O movimento fortaleceu os preços dos principais insumos e sustentou margens superiores ao histórico recente.
Ao incorporar essas distorções, o JP Morgan passou a projetar resultados mais robustos para a Braskem no curto prazo. A instituição alerta, porém, que o realinhamento da cadeia de suprimentos deve ocorrer gradualmente ao longo dos próximos meses, mantendo o patamar de rentabilidade acima do ciclo médio até, pelo menos, meados de 2027.
Ambiente doméstico: incentivos fiscais e menor assimetria competitiva
No mercado interno, a companhia deverá se beneficiar da extensão do Regime Especial da Indústria Química (REIQ), do aumento de benefícios fiscais relacionados a matérias-primas básicas e da criação do Programa Especial de Sustentabilidade da Indústria Química (2027–2031). Aos olhos dos analistas, tais medidas reduzem a pressão de custos e ampliam a competitividade da produção local em um contexto de menor oferta global.
Esses estímulos, somados ao câmbio ainda acima de R$ 5,00 por dólar, favorecem a geração de caixa da Braskem em suas unidades brasileiras, contribuindo para mitigar oscilações na receita proveniente de plantas no México, Europa e Estados Unidos.
Governança: entrada da IG4 Capital redefine equilíbrio de poder
A reestruturação acionária em andamento inclui a substituição da Novonor (antiga Odebrecht) por um modelo de co-governança entre IG4 Capital e Petrobras. O novo acordo estabelece conselho de administração com 11 membros, dos quais três independentes, e requer consenso para deliberações estratégicas. Para o JP Morgan, a paridade reduz assimetrias, amplia a transparência e atenua o risco de interferências, fatores que historicamente penalizaram o múltiplo de valor da petroquímica.
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A conclusão da operação permanece sujeita à aprovação de órgãos reguladores e ao rito interno na Petrobras, mas o mercado já precifica parte dos ganhos potenciais de governança. Ainda assim, o banco avalia que esses avanços estão “apenas parcialmente refletidos” na cotação atual de BRKM5.
Projeções financeiras até 2027
Com base em Ebitda projetado de US$ 2,8 bilhões para 2026 — frente a US$ 1,9 bilhão em 2025 —, o JP Morgan estima alavancagem líquida de 2,3 vezes, inferior às 3,0 vezes registradas no fim de 2024. A redução do endividamento, combinada ao cenário de margens mais largas, sustenta expectativa de retorno sobre o capital empregado (ROCE) próximo a 10%, contra média de 6% nos últimos três anos.
Para 2027, o banco projeta normalização gradual dos spreads para níveis mid-cycle, mas ainda acima dos patamares de 2023. Nesse contexto, a Braskem manteria fluxo de caixa livre positivo, capaz de financiar investimentos estimados em R$ 5 bilhões no triênio sem pressionar a estrutura de capital.
Conclusão técnica
A recomposição de margens internacionais, as medidas de apoio à indústria química no Brasil e a reformulação de governança formam a base para o novo posicionamento construtivo do JP Morgan em relação à Braskem. Embora a reabertura total das rotas logísticas no Oriente Médio possa moderar parte dos prêmios atuais, o banco considera que o preço de tela ainda não captura integralmente os efeitos combinados de oferta restrita, incentivos domésticos e menor risco societário. A instituição mantém preço-alvo de R$ 15 e avalia que a convergência a esse patamar dependerá do ritmo de execução dos ajustes operacionais e da efetivação da nova estrutura acionária nos próximos trimestres.



