Braskem impulsiona ganhos do Ibovespa enquanto Cosan puxa perdas em semana marcada por tensão política e petróleo alto

Apesar da sequência de cinco quedas semanais do Ibovespa, a ação preferencial da Braskem (BRKM5) avançou 35,82%, liderando os poucos ganhos no índice, enquanto Cosan (CSAN3) recuou -14,20% após balanço negativo, em um cenário de dólar forte, petróleo acima de US$ 110 e incertezas políticas no Brasil.

Pressão externa e dólar valorizado deterioram o humor do mercado

O Ibovespa encerrou a sexta semana em campo negativo, ao acumular perda de 3,71% e fechar aos 177.283,83 pontos. No mesmo período, o dólar à vista avançou 3,55%, cotado a R$ 5,0678. Investidores reagiram à escalada dos preços do petróleo — o Brent orbitou US$ 110 — e à ausência de avanços diplomáticos durante a viagem do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à China. A continuidade do conflito no Oriente Médio elevou expectativas de inflação global e reforçou apostas de juros altos por mais tempo, principalmente nos EUA, onde há chance de aperto adicional pelo Federal Reserve em janeiro de 2027.

Na mesma semana, Jerome Powell deixou a presidência do Fed após oito anos, sendo substituído pelo ex-diretor Kevin Warsh, visto como próximo da atual administração norte-americana. A transição contribuiu para ampliar a volatilidade, pois parte do mercado projeta uma postura monetária mais dura na nova gestão.

Ruído político doméstico amplia aversão ao risco

O ambiente local foi dominado pelo vazamento de áudio envolvendo o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A suposta negociação para financiamento de US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões à época) destinados a um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, hoje preso, colocou a viabilidade eleitoral do parlamentar em xeque. Analistas apontam que a incerteza em torno da principal candidatura da direita aumentou o prêmio de risco exigido pelos investidores, ofuscando inclusive o anúncio governamental de subvenção à gasolina para atenuar pressões inflacionárias.

O quadro político, somado à reta final da temporada de balanços, elevou a cautela e reduziu a liquidez, contribuindo para o desempenho negativo generalizado de ações sensíveis ao ciclo doméstico, como varejistas, educacionais e locadoras de veículos.

Braskem surpreende com lucro bilionário e revisão de recomendação

A ponta positiva do índice foi capitaneada por Braskem (BRKM5), que reportou lucro líquido de R$ 1,45 bilhão no 1T26, alta de 107% sobre igual intervalo de 2025. Embora a receita líquida tenha caído 20%, para R$ 15,49 bilhões, o Ebitda recorrente de R$ 1 bilhão superou as estimativas de instituições como BTG Pactual. O J.P. Morgan elevou a recomendação do papel, citando recuperação esperada dos spreads petroquímicos no 2T26, com potencial de multiplicar em duas a três vezes o Ebitda trimestre a trimestre. A performance da ação contribuiu para amenizar parte das perdas setoriais e evidenciou a correlação direta entre resultados operacionais e fluxo estrangeiro em papéis de alta liquidez.

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Cosan lidera quedas após prejuízo e receita menor

No grupo das maiores baixas, Cosan (CSAN3) reportou prejuízo líquido de R$ 1,58 bilhão, ainda que 11% inferior às perdas do 1T25. A receita líquida caiu 7%, para R$ 9,03 bilhões, enquanto o Ebitda ajustado avançou 60%, alcançando R$ 3,34 bilhões. Analistas do Banco Safra destacaram a perspectiva de melhora nos indicadores de alavancagem nos próximos trimestres, mas o mercado penalizou o papel diante da ausência de catalisadores de curto prazo e da permanência de risco elevado nos preços de commodities. O recuo de 14,20% da ação pressionou setores relacionados, como logística e energia.

Outras companhias com desempenho negativo expressivo incluíram Localiza (-13,83%), Yduqs (-12,77%) e Rumo (-11,58%), refletindo tanto o ambiente macro sensível ao crédito quanto a revisão de projeções de crescimento para 2026.

Conclusão Técnica

A quinta semana consecutiva de queda do Ibovespa resultou principalmente da combinação de choques externos de petróleo, mudanças na liderança do Fed e incerteza política doméstica. Nesse contexto, papéis com catalisadores microeconômicos próprios, como Braskem, conseguiram destoar positivamente, ao passo que empresas ainda em processo de reestruturação, caso de Cosan, ampliaram perdas. A evolução dos conflitos no Oriente Médio, a trajetória do dólar e novas pesquisas eleitorais serão determinantes para definir o apetite ao risco nas próximas semanas. Enquanto isso, a temporada de resultados do 2T26 e eventuais medidas fiscais do governo poderão reequilibrar ou intensificar a volatilidade observada no mercado acionário brasileiro.