BTG Pactual reafirma compra de Embraer mesmo após recuo de 25% e vê potencial de recuperação

A recomendação de compra mantida pelo BTG Pactual para as ações da Embraer destaca que, apesar da queda próxima de 25% desde a divulgação do balanço do 1T26, os fundamentos operacionais permanecem sólidos e sinalizam espaço para recuperação no curto e médio prazos.

Mercado reage às margens mais fracas e ações desabam

A publicação dos resultados de R$ 7,6 bilhões em receita líquida no primeiro trimestre de 2026 foi ofuscada pela compressão das margens nas divisões comercial e executiva. A Embraer atribuiu a perda de rentabilidade a impactos tarifários, reorganização do mix de produtos e aumento dos custos logísticos. Mesmo assim, investidores penalizaram os papéis, que acumularam queda de cerca de 25% desde 15 de maio, pressionados ainda pela volatilidade geopolítica e pelo avanço do preço do petróleo.

Segundo relatório assinado por Lucas Marquiori, o mercado considerou as explicações insuficientes, ampliando os descontos nos múltiplos da companhia. O banco, porém, avalia que a magnitude da correção se descolou dos fundamentos.

Robustez do backlog garante visibilidade até 2030

O BTG Pactual vê na carteira de pedidos de US$ 32 bilhões — equivalente a aproximadamente quatro anos de produção contratada — um dos principais fatores de sustentação do caso de investimento. Essa cobertura assegura previsibilidade de receitas e diluição de custos fixos, reforçando a tese de execução, fator mais determinante que o crescimento orgânico de pedidos em 2026.

Adicionalmente, o banco destaca que a reprecificação negativa do setor aeroespacial diante da guerra no Oriente Médio não afetou de forma estrutural empresas expostas a defesa, segmento em que a Embraer mantém posição estratégica por meio das plataformas C-390 Millennium e sistemas de vigilância.

Números operacionais mostram resiliência apesar da pressão no lucro

Embora o lucro líquido ajustado tenha recuado para R$ 145,4 milhões, frente a R$ 299,9 milhões um ano antes, os indicadores de geração de caixa avançaram. O Ebitda ajustado atingiu R$ 749,4 milhões, 19% acima do 1T25, mantendo margem de 9,9%. O Ebit ajustado totalizou R$ 488,6 milhões, com margem de 6,4%.

Para o BTG, a manutenção dessas métricas em cenário adverso demonstra disciplina de custos e reforça a expectativa de retorno gradual das margens à normalidade à medida que pressões tarifárias e logísticas se dissipem.

Pressões externas e relação risco-retorno atrativa

Além dos aspectos operacionais, o banco enumera fatores exógenos que contribuíram para a correção: negociações de cessar-fogo na Ucrânia, incertezas sobre demanda de combustíveis e revisão dos fluxos de caixa futuros do setor aéreo. Ainda assim, a instituição ressalta que empresas com exposição relevante a defesa, como a Embraer, tendem a capturar contratos adicionais em contexto global de aumento dos gastos militares, sobretudo na Europa.

Nesse sentido, as cotações atuais proporcionam, segundo os analistas, uma relação risco-retorno que compensa eventuais revisões de curto prazo nas projeções de lucro.

Conclusão técnica

O BTG Pactual sustenta a recomendação de compra em razão de: i) backlog de US$ 32 bilhões que assegura quatro anos de produção; ii) geração de caixa crescente mesmo com margens pressionadas; e iii) possibilidade de novos contratos de defesa em ambiente de elevação do orçamento militar internacional. A expectativa é que, com a normalização dos custos logísticos e a execução das entregas contratadas, as ações recuperem parte do terreno perdido nos próximos trimestres, alinhando preço de mercado aos fundamentos operacionais.