Carro de motorista de aplicativo assassinado em Chapecó é recuperado a 330 km após perseguição no Paraná

O Toyota Etios branco conduzido por Alvício Epp, 69 anos, foi localizado na manhã de terça-feira (19) a aproximadamente 330 quilômetros de Chapecó, depois de perseguição policial que terminou com a prisão de dois suspeitos em Cascavel, no Oeste do Paraná.

Localização do veículo e ação policial interestadual

Sistemas de monitoramento das polícias rodoviárias federais identificaram o Toyota Etios, placas RCA-9827, trafegando pelas BR-277 e BR-369 nas primeiras horas do dia. A partir da sinalização automática, guarnições do Paraná iniciaram o acompanhamento tático por volta das 08h40, mantendo contato em tempo real com a Central Integrada de Operações de Segurança.

Durante a fuga, o condutor tentou abandonar o automóvel em uma plantação de milho na zona rural de Cascavel. A manobra permitiu a interceptação de dois homens de 22 e 27 anos. Um deles foi alvejado na perna ao tentar avançar contra a equipe; ambos acabaram detidos e encaminhados para a 20ª Subdivisão Policial de Cascavel. O veículo passou imediatamente por perícia para coleta de impressões digitais, vestígios biológicos e análise dos sistemas de ignição, etapa fundamental para reconstruir a rota percorrida desde Santa Catarina.

Dinâmica do crime e descoberta do corpo em Chapecó

Alvício Epp foi visto pela última vez às 15h de segunda-feira (18), quando cessou o contato com familiares enquanto realizava corridas pelo aplicativo. Na manhã seguinte, um morador da comunidade localizou documentos espalhados próximo a uma caixa d’água nos fundos de uma escola desativada, no interior de Chapecó, acionando a Polícia Militar.

No ponto indicado, equipes da Polícia Civil e da Polícia Científica encontraram o corpo do motorista com ferimento contundente na cabeça, mãos amarradas por cordão de nylon e indícios de estrangulamento. A cena foi isolada para levantamento de trajetória balística, coleta de fibras e preservação de potenciais pegadas ou marcas de pneu.

Questionados na delegacia, os detidos alegaram ter abandonado a vítima ainda com vida entre Pinhalzinho e Chapecó, versão que será confrontada com laudos necroscópicos, dados de telefonia e eventuais registros de câmeras urbanas. A linha investigativa principal trabalha com latrocínio — roubo seguido de morte —, hipótese reforçada pela subtração do veículo e pela tentativa de comercialização de pertences pessoais.

Procedimentos periciais e próximos passos da investigação

O Instituto Geral de Perícias de Santa Catarina concluiu a remoção do corpo às 11h30, dando início aos exames de necropsia para estabelecer a causa mortis, o intervalo post-mortem e a presença de substâncias tóxicas ou sedativas. Simultaneamente, peritos em informática requisitaram os logs de corrida do aplicativo utilizado por Epp, buscando identificar a origem da chamada que culminou no crime.

No Paraná, a Polícia Científica analisará resíduos no interior do automóvel, incluindo amostras de DNA, além de verificar possíveis adulterações no chassi e no módulo eletrônico de partida. A cooperação interestadual foi formalizada por meio de ofício encaminhado à Secretaria Nacional de Segurança Pública, garantindo tráfego de informações sobre balística, telefonia e laboratório forense.

A investigação também mapeia transações bancárias e geolocalização dos celulares apreendidos. Relatórios preliminares indicam que os suspeitos teriam deixado Chapecó ainda na noite de segunda-feira, percorrendo o trajeto SC-480, BR-282 e BR-277 em cerca de seis horas. A eventual participação de um terceiro envolvido — responsável pela logística da fuga — não está descartada.

Conclusão técnica

Com a recuperação do Toyota Etios e a prisão dos dois principais suspeitos, as polícias Civil de Santa Catarina e do Paraná concentram-se agora em três frentes: confirmação da causa exata da morte de Alvício Epp, reconstrução detalhada da rota seguida pelos detidos e identificação de eventuais coautores. Laudos periciais e quebras de sigilo telefônico irão balizar o inquérito, que deve ser finalizado nas próximas semanas antes do envio ao Ministério Público para oferecimento de denúncia.