Cosan converte 41 mil hectares em liquidez: venda de R$ 1,85 bilhão reforça caixa e acelera redução de dívidas

Cosan anunciou a alienação de 41 mil hectares de terras agrícolas no Mato Grosso por R$ 1,85 bilhão nesta quarta-feira (17), operação que direcionará cerca de R$ 586 milhões ao caixa da holding de Rubens Ometto, alinhando-se ao plano de redução de alavancagem e simplificação de portfólio.

Estratégia corporativa foca em desalavancagem e liquidez

A venda de parte dos ativos da Radar, divisão dedicada à aquisição e gestão de propriedades rurais, integra a agenda de desinvestimentos iniciada pela Cosan há vários trimestres. Sob juros domésticos ainda elevados e diante da necessidade de preservar margens, a holding tem priorizado a conversão de ativos não essenciais em recursos de alta liquidez. Reduzir a razão dívida líquida/Ebitda é a principal métrica acompanhada pela administração, que já comunicou ao mercado a intenção de retornar a patamares considerados prudentes pelas agências de rating.

No histórico recente, a companhia concluiu movimentos semelhantes no segmento de infraestrutura e lançou mão de bônus perpétuos para alongar perfil de vencimentos. A alienação da carteira de terras amplia o arsenal de liquidez em meio ao cenário de crédito seletivo no país.

Perfil dos ativos negociados e posicionamento da Radar

Localizadas em municípios do Mato Grosso, as propriedades transferidas concentram plantios de soja, milho e algodão, culturas que sustentam a liderança do estado no valor bruto de produção agropecuária nacional. Os 41 mil hectares representam cerca de 12 % da área total administrada pela Radar, portfólio originalmente elaborado para capturar a valorização de terras férteis no Cerrado.

A subsidiária mantém modelo de negócio baseado na compra, arrendamento e venda de propriedades agrícolas, gerando retorno tanto pela apreciação fundiária quanto pela renda de contratos com produtores. Mesmo após a transação, a Radar conserva posição significativa em regiões como Mato Grosso do Sul, Goiás e São Paulo, assegurando diversificação geográfica e exposição continuada ao agronegócio.

Detalhes financeiros e condições precedentes da operação

O valor total da transação, R$ 1,85 bilhão, foi pactuado com um comprador não revelado. A participação econômica da Cosan no ativo negociado equivale a R$ 586 milhões, quantia que ingressará no caixa após o cumprimento das condições precedentes usuais para negócios desta magnitude, tais como avaliação documental, obtenção de certidões e aprovação de órgãos reguladores quando cabível.

A holding destacou em fato relevante que os recursos fortalecerão o capital de giro e contribuirão para reduzir o custo médio da dívida. No último balanço divulgado, a alavancagem medida por dívida líquida/Ebitda estava acima da meta interna, reflexo de investimentos robustos em energia e logística. Com a nova entrada de caixa, a administração espera acelerar a convergência para o intervalo alvo, melhorando a percepção de risco de crédito e potencialmente abrindo espaço para emissões futuras em condições mais favoráveis.

Contexto de mercado e precedentes no setor

A monetização de ativos agrícolas por conglomerados industriais não é isolada. Nos últimos anos, grupos como J&F e Marfrig também adotaram a venda de fazendas ou participação em joint ventures imobiliárias para robustecer liquidez e financiar expansões estratégicas. O movimento reflete duas dinâmicas simultâneas: a consistência da valorização fundiária no Brasil e a necessidade de otimizar estruturas de capital em ambientes de custo de dívida mais alto.

No caso específico da Cosan, o portfólio da Radar sempre funcionou como uma “reserva de valor” que poderia ser ativada em ciclos de aperto financeiro. Analistas de mercado avaliam que, ainda que o desinvestimento reduza a exposição direta ao agronegócio, o ganho de eficiência financeira compensa a diminuição de ativos tangíveis no balanço.

Conclusão técnica

A alienação de 41 mil hectares por R$ 1,85 bilhão reforça a estratégia da Cosan de converter ativos de menor liquidez em caixa, direcionando R$ 586 milhões para reduzir dívidas e fortalecer a estrutura de capital. Após a liquidação das condições precedentes, a holding deve encerrar o exercício com melhora relevante nos indicadores de alavancagem e maior flexibilidade para prosseguir com projetos prioritários em energia, logística e infraestrutura. O mercado agora acompanha possíveis novos desinvestimentos e a efetividade da companhia em equilibrar crescimento de longo prazo com disciplina financeira.