Bom Jardim da Serra registrou -6,7 °C na madrugada desta quarta-feira, 17 de junho, consolidando o terceiro amanhecer consecutivo de geada que deixou campos, telhados e vegetação da Serra Catarinense completamente brancos.
Temperaturas extremas confirmadas pelos institutos de monitoramento
Dados oficiais da Epagri/Ciram e estações particulares instaladas no Planalto Serrano apontam uma sequência de mínimas negativas desde o início da semana. A lista de ocorrências mais severas inclui: -6,7 °C em Bom Jardim da Serra, -5,1 °C em Urupema, -3,6 °C em Urubici, -2,4 °C em São Joaquim e -2,2 °C em Ponte Alta do Norte. Em Lages, principal centro urbano da região, os termômetros marcaram 0,3 °C, suficiente para a formação de uma fina película de gelo sobre gramados e para-brisas.
As leituras foram confirmadas entre 4h e 7h, faixa considerada o pico de resfriamento noturno. Fotos e vídeos divulgados por moradores mostram cristais de gelo esculpidos em folhas, telhados cobertos por uma película opaca e o contraste do sol nascente refletindo no manto branco.
Massa de ar frio e seco mantém o padrão de geada
A presença de uma massa de ar polar de trajetória continental vem influenciando o Sul do Brasil desde a última segunda-feira. Segundo meteorologistas da Epagri/Ciram, o sistema apresenta altos índices de pressão em superfície e umidade relativa abaixo de 50 % durante as madrugadas, combinação que favorece o intenso resfriamento radiativo. O ar seco reduz a formação de nuvens, permitindo que o calor acumulado no solo escape com rapidez para a atmosfera, baixando a temperatura a níveis negativos em áreas de maior altitude.
No caso da Serra Catarinense, elevações superiores a 1 300 m — como o Altos da Boa Vista em Bom Jardim da Serra — potencializam esse efeito. A topografia em forma de campos abertos facilita a deposição do orvalho que, ao congelar, transforma-se em geada. Técnicos agrícolas locais relatam que o fenômeno, embora bonito, exige atenção redobrada de produtores de hortaliças e fruticultores devido ao risco de queimaduras nos tecidos vegetais.
Imagem: Divulgação
Previsão de instabilidade e nova queda de temperatura no fim do mês
Modelos numéricos processados nesta quarta-feira indicam mudança significativa a partir de 21 de junho. Duas frentes frias associadas a centros de baixa pressão devem avançar pelo litoral, provocando chuva frequente e acumulados expressivos em todo o estado até 24 de junho. O cenário traz possibilidade de temporais localizados, sobretudo no Oeste e no Litoral Sul.
Após a passagem desses sistemas, a previsão converge para o ingresso de uma nova massa de ar frio entre 25 e 27 de junho. A projeção é de que as mínimas retornem a valores negativos nas áreas serranas, com potencial para repetir ou mesmo superar os registros desta semana. Meteorologistas observam que o padrão atmosférico do Hemisfério Sul sugere a continuidade de ondas de frio intensas ao longo de julho, mês que historicamente concentra os recordes de temperatura mínima em Santa Catarina.
Os dados atuais confirmam a manutenção de um ciclo típico de inverno rigoroso na Serra Catarinense, caracterizado por alternância entre geada forte, episódios de instabilidade e novas incursões polares. Agricultores, setores de turismo de inverno e órgãos de defesa civil devem permanecer atentos às atualizações diárias dos órgãos oficiais, uma vez que a tendência sinaliza novas mínimas abaixo de zero e possíveis eventos de chuva intensa antes do retorno de outra onda de frio no final do mês.



