Imagens captadas no saguão do Aeroporto Internacional de Guarulhos mostram o instante em que uma passageira, irritada com orientações de check-in, desfere socos em quatro funcionárias da Latam durante a madrugada de terça-feira, 25 de junho. A SSP-SP confirmou que o caso foi registrado como lesão corporal na 3ª Deatur, enquanto a companhia aérea presta apoio às vítimas e colabora com a investigação.
Cronologia da agressão capturada por celulares
O vídeo de 1 minuto e 23 segundos, publicado inicialmente na rede X (antigo Twitter), abre com a passageira aos gritos diante do balcão de atendimento da Latam Airlines. Depois de questionar as colaboradoras, a mulher exclama “Você quer ver?” e atinge o rosto de uma atendente com o punho fechado. Na sequência:
- 00:14 – Segunda funcionária tenta conter a agressora, mas também é golpeada várias vezes.
- 00:27 – Funcionários adicionais da companhia se aproximam para intervir, formando uma barreira física.
- 00:38 – Um homem carregando um bebê no colo tenta separar as partes, sem sucesso inicial.
- 00:52 – Outro passageiro tenta auxiliar na contenção, criando um cordão humano improvisado.
- 01:10 – Agente identificado pelo colete institucional do aeroporto conduz a mulher para longe do balcão.
A gravação, replicada em múltiplos perfis, ultrapassou 1,2 milhão de visualizações em menos de 12 horas, de acordo com dados públicos da plataforma.
Intervenção policial e tipificação jurídica
Segundo nota da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, quatro funcionários formalizaram boletim de ocorrência relatando lesões no rosto e nos braços. A suspeita deixou o terminal antes da chegada da Polícia Militar, mas foi identificada por meio de câmeras internas. A ocorrência foi enquadrada como lesão corporal, prevista no art. 129 do Código Penal, com pena inicial de três meses a um ano de detenção, aumentada em função de eventual qualificadora por motivo fútil.
A investigação segue na Delegacia de Atendimento ao Turista – 3ª Deatur, que requisitou:
- Cópia integral das imagens de segurança do concessionário GRU Airport.
- Laudos de corpo de delito das vítimas, expedidos no Instituto Médico Legal de Guarulhos.
- Dados do bilhete aéreo e endereço residencial da suspeita para intimação formal.
Até o fechamento deste texto, a passageira permanecia em liberdade, sujeita a ser convocada para depoimento e eventual audiência de custódia, caso haja flagrante posterior ou representação criminal das vítimas.
Posicionamento da Latam e procedimentos internos de segurança
Em comunicado oficial, a Latam Airlines Brasil classificou o comportamento como “conduta inadmissível” e reafirmou política de tolerância zero a atos de violência. A companhia informou que:
- Oferece apoio psicológico e médico às funcionárias agredidas.
- Disponibilizou equipe jurídica para acompanhar o inquérito.
- Implementou análise interna para revisar protocolos de atendimento em situações de conflito.
A transportadora destacou que o episódio ocorreu durante “contingência operacional” que afetou o fluxo do check-in. Fontes ligadas ao sindicato de aeroviários afirmam, sob reserva, que atrasos em voos de conexão provocaram acúmulo de passageiros no balcão, aumentando a tensão no local.
Imagem: Reprodução
Contexto do aeroporto e estatísticas de incidentes similares
O Aeroporto Internacional de Guarulhos, maior hub aéreo da América do Sul, movimentou 39,5 milhões de passageiros em 2023, segundo a Agência Nacional de Aviação Civil. Do total de ocorrências registradas pela Polícia Civil no aeródromo no mesmo período, 8,2% envolveram desentendimentos físicos ou verbais entre passageiros e funcionários.
Especialistas em segurança de aviação indicam três fatores principais para o aumento de conflitos em áreas de check-in:
- Pressão por horários e conexões próximas.
- Desconhecimento de políticas de bagagem ou documentação.
- Estresse associado a cancelamentos ou contingências climáticas.
Companhias aéreas adotam treinamentos regulares de mediação de crise e, em alguns hubs internacionais, reforçam a presença de seguranças com câmeras corporais. No Brasil, a prática ainda não é padronizada, mas vem ganhando espaço após episódios de repercussão semelhante.
Próximos passos e possíveis desdobramentos
O inquérito segue em fase de coleta de testemunhos e análise pericial das imagens. Após a conclusão:
- O Ministério Público poderá oferecer denúncia, transformando a suspeita em ré.
- A Latam pode ingressar com ação cível para ressarcimento de danos materiais e morais.
- A Agência Nacional de Aviação Civil tem prerrogativa de instaurar processo administrativo se identificar falhas protocolares no atendimento.
Em paralelo, o GRU Airport estuda intensificar rondas preventivas no Terminal 3, onde o fato ocorreu, incluindo possível instalação de barreiras físicas adicionais nos balcões de atendimento.
Conclusão técnica: as agressões registradas no Aeroporto Internacional de Guarulhos configuram lesão corporal múltipla, já sob investigação da 3ª Deatur. A passageira responde em liberdade, as funcionárias recebem assistência médica e a Latam revisa protocolos de segurança. O caso agora depende de laudos periciais e da manifestação do Ministério Público para avançar na esfera criminal, enquanto a administradora do aeroporto avalia medidas para mitigar episódios semelhantes em operações futuras.




