Havaianas eleva receita para R$ 1,2 bilhão no 1º trimestre de 2026 com expansão internacional

A Alpargatas registrou receita líquida de R$ 1,2 bilhão no primeiro trimestre de 2026, alta de 12,5 % em comparação anual, apoiada pela venda de 61,5 milhões de pares de Havaianas no Brasil e no exterior, alcançando o melhor EBITDA trimestral da série histórica, de R$ 300 milhões (margem de 24,4 %).

Resultados consolidados da Alpargatas

A controladora das marcas Havaianas e Rothys apresentou, entre janeiro e março, crescimento de dois dígitos na receita e rentabilidade. O indicador de EBITDA avançou para R$ 300 milhões, impulsionando a margem para 24,4 %, o maior patamar desde o início da série. O volume consolidado de pares comercializados subiu 8,4 %, totalizando 61,5 milhões de unidades. O desempenho refletiu tanto a operação doméstica quanto a internacional, com aceleração nos principais canais de distribuição.

De acordo com o CEO Liel Miranda, decisões estruturantes — como o início do novo modelo de negócios nos Estados Unidos — contribuíram para fortalecer a plataforma global da companhia. Paralelamente, a disciplina financeira foi mantida: dos R$ 243 milhões previstos para investimentos em 2026, já foram executados R$ 28,2 milhões no trimestre, direcionados a projetos de otimização, crescimento e sustentação operacional.

Desempenho da marca Havaianas no Brasil

No mercado doméstico, Havaianas somou receita líquida de R$ 909,1 milhões, avanço de 13 % sobre igual período de 2025. Foram vendidos 54,9 milhões de pares, incremento de 7,6 %, apoiado por crescimento de 4 % no sell-out. A Margem Bruta atingiu 49 %, enquanto a Margem EBITDA alcançou 26 %, ambas recordes para um primeiro trimestre.

A maior penetração em canais especializados e franquias reforçou a equação preço × mix, elevando o tíquete médio. Colaborações de marca, como a parceria com a grife Misci no Fashion Rio, ajudaram a sustentar a visibilidade e a demanda, sem pressionar custos operacionais.

Expansão internacional: Europa e Estados Unidos em foco

As operações fora do Brasil responderam por receita líquida de R$ 307,5 milhões, expansão de 10,2 %. O volume avançou 14,8 %, para 6,6 milhões de pares, beneficiado por redução de custos estruturais e priorização estratégica por geografia.

Na Europa, a empresa emplacou o sexto trimestre consecutivo de alta, com crescimento de 18 % e venda de 3,5 milhões de pares, sustentada por fortalecimento de marca e confiança do consumidor. Nos Estados Unidos, o novo modelo de negócios promoveu virada operacional: o volume saltou 161,4 %, alcançando 1,2 milhão de pares, efeito da mudança de sazonalidade e da otimização de estoques.

O orçamento de marketing permaneceu alinhado à estratégia global. No Brasil, recursos reforçaram a liderança da marca; no exterior, consolidaram a retomada europeia e o turnaround norte-americano.

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Imagem: MarVin

Rothys: sustentabilidade e expansão de portfólio

A marca internacional de calçados e acessórios sustentáveis Rothys somou receita líquida de US$ 46,8 milhões, evolução de 7,8 % ante o primeiro trimestre de 2025. A operação enfrentou pressão de custos após tarifas norte-americanas sobre produtos chineses, reduzindo a margem bruta em 4,8 p.p.; parte do impacto foi compensada por ganhos logísticos.

No período, foram inauguradas 10 novas lojas em relação ao ano anterior, elevando despesas operacionais em 9,8 %. O mix de produtos tornou-se mais estratégico, com ampliação dos segmentos masculino e infantil, contribuindo para distribuição mais eficiente e maior qualidade de execução.

Investimentos e perspectivas para 2026

A Alpargatas mantém plano de investir R$ 243 milhões ao longo de 2026, concentrando recursos em projetos que otimizem capacidade produtiva, impulsionem canais digitais e sustentem a expansão internacional. O foco inclui aprimoramento de logística global, digitalização de processos e avanços em sustentabilidade, em linha com a demanda crescente por produtos de menor impacto ambiental.

Na frente comercial, a companhia seguirá priorizando canais especializados, franquias e mercados com potencial de alavancagem de margem. Colaborações de moda e campanhas temáticas continuarão a reforçar o posicionamento premium das Havaianas em praças estratégicas.

Conclusão Técnica

O primeiro trimestre de 2026 confirmou a trajetória de crescimento rentável da Alpargatas. A combinação de aumento de volume, controle de custos e fortalecimento de canais impulsionou receita e margens a patamares recordes, tanto no Brasil quanto no exterior. Para os próximos trimestres, a companhia projeta manter o ritmo de investimentos previsto, avançar na consolidação do modelo de negócios nos Estados Unidos, sustentar o ciclo positivo na Europa e ampliar o portfólio de Rothys. A gestão indica continuidade na disciplina financeira e foco em ganhos operacionais para preservar a rentabilidade diante de possíveis variações macroeconômicas e cambiais nos mercados onde atua.