Ibovespa mira recuperação a 190 mil pontos; analistas apontam dois gatilhos decisivos

O principal índice da B3 vem oscilando em torno de 169 mil pontos após ter encostado em quase 200 mil pontos em abril, e especialistas da Empiricus Research avaliam que um retorno à faixa de 180 mil – 190 mil pontos é plausível caso se alinhem dois elementos-chave: o arrefecimento das tensões no Oriente Médio e a permanência dos ativos brasileiros com múltiplos atrativos.

Mercado testou fundo técnico em meio a volatilidade global

Desde o início do segundo trimestre, o Ibovespa registrou forte correção. O movimento ganhou tração em 15 de junho, quando o índice chegou a tocar 174 mil pontos durante o pregão, impulsionado por sinais de acordo diplomático entre Estados Unidos e Irã. Entretanto, o fechamento do dia seguinte mostrou retração para 169 mil pontos, evidenciando que o otimismo permanece frágil.

De acordo com relatório distribuído em 12 de junho, os analistas da Empiricus Research ressaltam que a correção recente não altera o cenário construtivo de médio prazo. O documento enfatiza que, se confirmadas determinadas condições externas e domésticas, “os preços podem reaproximar-se rapidamente do topo histórico revisitado em abril”.

O fluxo estrangeiro continua determinante. Dados da B3 indicam saída líquida de R$ 11,3 bilhões no acumulado de maio, movimento que contribuiu para a perda de fôlego do índice. Ainda assim, o valuation abaixo da média histórica segue como argumento para reentrada de capital quando o cenário de risco diminuir.

Conflito no Oriente Médio define humor dos investidores

O possível entendimento entre Washington e Teerã é classificado pelos especialistas como o primeiro grande gatilho para o retorno dos 190 mil pontos. O confronto na região elevou o prêmio de risco global e estimulou a busca por ativos defensivos, afetando particularmente mercados emergentes.

A Empiricus destaca que o processo de pacificação tende a ser gradual, pois envolve “direitos e deveres complexos de ambas as partes”. Entretanto, mesmo avanços parciais favorecem a redução da aversão ao risco. Esse alívio abre espaço para que fundos internacionais voltem a alocar recursos em países com maior exposição a commodities — categoria na qual o Brasil se insere de forma destacada.

Durante o primeiro trimestre, a B3 recebeu fluxo significativo justamente em função da procura por empresas exportadoras de minério de ferro, petróleo e celulose. A retomada dessa dinâmica, combinada ao arrefecimento das tensões geopolíticas, é vista como motor potencial para a próxima pernada de alta.

Valuation descontado sustenta tese de valorização doméstica

O segundo fator citado pelos analistas envolve o posicionamento relativo das ações brasileiras. Estudo da casa mostra que o price-to-earnings médio do Ibovespa permanece 15 % abaixo da média dos últimos cinco anos, enquanto o dividend yield projeta-se em 6,1 %, taxa considerada elevada frente a pares internacionais.

Esse desconto estrutural foi determinante para repiques recentes — como o observado em 11 de junho, quando o índice subiu +1,8 % apesar da cautela externa. Na visão da Empiricus, “os múltiplos convidativos criam colchão de segurança que dificulta quedas prolongadas e, simultaneamente, oferecem alavanca para movimentos de recuperação”.

Outro elemento é a possível rotação de portfólio em Wall Street. Depois de oito meses de forte valorização de empresas ligadas à inteligência artificial, parte dos gestores avalia realização de lucros. Caso esse giro se confirme, parte do capital pode migrar para bolsas emergentes com estruturas de caixa robustas e fluxo de caixa previsível — atributos presentes em companhias listadas no Brasil.

Perspectivas de curto e médio prazos

Somando os dois vetores — normalização geopolítica e múltiplos atrativos —, o modelo quantitativo da Empiricus projeta banda de 180 mil a 190 mil pontos para o Ibovespa no horizonte de seis a nove meses. A trajetória, contudo, não deve ser linear. Volatilidade provocada por decisões de política monetária nos Estados Unidos e revisões de crescimento na China ainda pode gerar sessões de correção.

Para investidores institucionais, a casa recomenda monitorar indicadores de fluxo — como saldo de capital estrangeiro diário — e a evolução das Treasuries de dez anos, pois alta brusca nos rendimentos americanos costuma pressionar moedas emergentes e, por consequência, as bolsas locais.

Conclusão Técnica: A possibilidade de o Ibovespa reconquistar o patamar de 190 mil pontos depende diretamente da descompressão de risco internacional e da visibilidade dos fundamentos domésticos já destacadamente baratos. Enquanto o acordo entre Estados Unidos e Irã avança, o desconto no valuation brasileiro atua como suporte. Caso ambos os fatores se consolidem, os modelos de precificação indicam espaço estatístico para recuperação aos níveis de abril. Até lá, permanece essencial acompanhar o fluxo estrangeiro e os desdobramentos geopolíticos para calibrar expectativa de retorno.