Itaú BBA aponta mais 21,8% de valorização para Usiminas mesmo após rally de 65%

Usiminas (USIM5) mantém espaço para avançar cerca de 21,8% até dezembro de 2026, segundo o Itaú BBA, apesar da elevação de 65,76% registrada nos últimos 12 meses e do ganho de 52,94% no ano.

Desempenho recente X projeção de preço-alvo

Desde outubro de 2025, quando o Itaú BBA revisou a recomendação para compra, a ação da siderúrgica acumula alta de 82%, superando o Ibovespa em 60 pontos percentuais no período. Na sessão mais recente, os papéis fecharam a R$ 9,10. O novo preço-alvo divulgado pelo banco foi fixado em R$ 11 para o fim de 2026, o que implica potencial de avanço adicional de 21,8% em relação à cotação atual.

O relatório destaca que poucos investidores internalizaram totalmente os vetores de geração de valor presentes no horizonte da companhia. Entre os principais fatores, constam a trajetória ascendente dos preços globais do aço, a recomposição da demanda doméstica e uma parcela relevante de ganhos fiscais ainda não refletida no fluxo de caixa projetado.

Pressão favorável nos preços do aço e demanda interna

O conflito no Oriente Médio continua a restringir oferta e a sustentar a curva internacional de preços do aço. Esse movimento reforça margens, principalmente a partir do terceiro trimestre de 2026, conforme estimativa do Itaú BBA. Paralelamente, o mercado interno registra sinais de aquecimento:

  • Medidas antidumping implementadas em fevereiro de 2026 reduziram o volume de aço importado, especialmente de origem chinesa.
  • A saída forçada de parte da concorrência asiática é comparada pelo UBS BB ao encerramento súbito da operação de uma siderúrgica de grande porte no país, criando lacunas de oferta que favorecem participantes locais.
  • Com a relação oferta–demanda mais apertada, as usinas nacionais tendem a repassar custos, consolidando preços domésticos em patamar superior ao observado em 2025.

Esse tripé — oferta global limitada, demanda interna em recuperação e medidas protecionistas — serve de alicerce para a expectativa de expansão das margens da Usiminas, corroborada pelo resultado do primeiro trimestre de 2026. No período, o lucro líquido atingiu R$ 896 milhões, avanço de 166% frente ao mesmo intervalo do ano anterior.

Opcionalidade fiscal: o Tema 1.319 do STJ

O principal vetor relegado pelo mercado, segundo o Itaú BBA, reside nos créditos fiscais provenientes de Juros sobre Capital Próprio (JCP) não distribuídos entre 1996 e 2025. O Tema 1.319, julgado pelo Supremo Tribunal de Justiça no fim de 2025, pacificou o entendimento de que as companhias podem deduzir JCP de exercícios anteriores da base de cálculo do IRPJ e da CSLL.

Para a Usiminas, o cálculo preliminar do banco indica montante potencial entre R$ 1,7 bilhão e R$ 3,6 bilhões, equivalente a 15%–32% do valor de mercado atual. O reconhecimento contábil dos créditos, porém, depende de duas variáveis:

  1. Decisão da diretoria sobre a efetiva distribuição dos JCP retroativos.
  2. Timing de registro no balanço, ainda sem cronograma definido.

Embora o Itaú BBA trate a quantia como ‘opcionalidade’, a magnitude do impacto potencial no fluxo de caixa livre poderia, em cenários extremos, antecipar reduções de endividamento ou sustentar remuneração adicional aos acionistas.

Visões complementares de mercado

Após a forte valorização de abril de 2026, o Safra ajustou o preço-alvo para R$ 9,70 e manteve recomendação de outperform. Já o Itaú BBA reforça a projeção de R$ 11, sustentada por drivers estruturais de médio prazo. A disparidade entre os alvos ilustra que parte dos analistas ainda precifica com cautela a materialização dos créditos fiscais.

No curto prazo, a discussão sobre importações chinesas e a dinâmica da guerra no Oriente Médio devem continuar a influenciar o humor do mercado. Qualquer alteração nas tarifas antidumping ou no prêmio internacional pago pelo aço poderia recalibrar as estimativas de margem.

Conclusão técnica

A Usiminas encerra o primeiro semestre de 2026 combinando sólidas métricas operacionais, cenário externo favorável e possibilidade de relevante crédito fiscal. A projeção do Itaú BBA de valorização adicional de 21,8% apoia-se nesse tripé, enquanto os riscos concentram-se na execução de distribuição de JCP retroativos e em eventuais mudanças na política comercial brasileira. A continuidade dos preços do aço em patamar elevado e a confirmação dos créditos fiscais serão determinantes para validar, ou revisar, o preço-alvo de R$ 11 até dezembro de 2026.