Itaú BBA eleva preço-alvo da Axia (AXIA3) para R$ 75,20 e aponta avanço potencial de 49% até 2026

Relatório publicado nesta segunda-feira (10) pelo Itaú BBA aumentou o preço-alvo da ação AXIA3 de R$ 50,30 para R$ 75,20, projetando valorização de até 49% até o fim de 2026 e reforçando a recomendação de compra para a elétrica ex-Eletrobras, que acumula queda de 12,23% em seis meses.

Revisão de preço-alvo: métricas e horizonte de retorno

O ajuste promovido pelo Itaú BBA atribui à Axia um potencial de ganho imediato de 45,11% sobre a cotação de fechamento de 10 de agosto, além do upside total de 49% no horizonte de 18 meses. A revisão ocorre após o banco recalibrar modelos de fluxo de caixa descontado para incorporar:

  • Nova expectativa de preço médio de energia no curto prazo;
  • Flexibilidade operacional dos reservatórios hidrelétricos;
  • Projeção de dividendos anuais acima de R$ 20 bilhões entre 2027 e 2030.

Segundo o relatório, mesmo no cenário mais adverso de preços de energia no segundo semestre de 2026, o impacto negativo estimado é de R$ 1,7 bilhão em valor presente, magnitude considerada modesta diante da perda de R$ 42 bilhões em capitalização registrada entre abril e julho. Para os analistas, o desconto de mercado foi 24,5 vezes superior ao dano econômico potencial.

Tese de valor: flexibilidade hidrelétrica em um sistema elétrico em transição

O mercado brasileiro de energia vem apresentando janelas de excedentes diurnos, causadas pela expansão das fontes solares e eólicas, e picos noturnos de demanda que exigem oferta despachável. Nesse contexto, a principal vantagem competitiva da Axia, na visão do banco, é a capacidade de redirecionar geração para os horários mais remunerados graças aos reservatórios de suas hidrelétricas.

Os analistas sustentam que “o que importa é a hora, não o megawatt-hora”, destacando a habilidade da companhia de arbitrar preços intradiários. Essa funcionalidade adicionaria aproximadamente R$ 6,2 bilhões em valor presente ao portfólio, montante ignorado pelas premissas de valuation que se baseiam apenas nas curvas tradicionais de preços futuros.

Além disso, o estudo aponta que 288 empreendimentos em implantação poderão elevar a Receita Anual Permitida (RAP) em cerca de R$ 2 bilhões entre 2026 e 2030, sustentando crescimento orgânico e estabilidade de fluxo de caixa mesmo em cenários de volatilidade tarifária.

Indicadores operacionais: desempenho financeiro do 2T26

No segundo trimestre de 2026, a Axia reportou lucro líquido ajustado de R$ 1,61 bilhão, avanço de 9,5% ano a ano. O Ebitda ajustado somou R$ 6,31 bilhões, alta de 22,5%, puxado pela:

  • Descotização das usinas, que ampliou o volume de energia disponível;
  • Alta dos preços de curto prazo em submercados estratégicos;
  • Otimização operacional em geração e transmissão.

Os investimentos totalizaram R$ 3,12 bilhões no trimestre, incremento de 53% frente ao mesmo período de 2025. A companhia mantém foco em projetos de transmissão de alto retorno regulatório e na modernização de ativos hidrelétricos para elevar a eficiência na alocação de água.

Ao avaliar a estrutura de capital, o relatório do Itaú BBA indica alavancagem confortável, compatível com a manutenção de dividend yield médio de 13% entre 2027 e 2030. A combinação de distribuição robusta de proventos e valorização potencial resulta, segundo o banco, em taxa interna de retorno de 12,7% acima da inflação.

Conclusão técnica

Os analistas do Itaú BBA consideram que o mercado precifica a Axia de forma desproporcional a partir de premissas restritas ao preço spot de energia, desconsiderando a flexibilidade hidrelétrica, a expansão de RAP e a política de dividendos já sinalizada. A nova meta de R$ 75,20 por ação reflete esses vetores adicionais de geração de valor, configurando ponto de entrada considerado assimétrico para investidores voltados a longo prazo. O acompanhamento dos leilões de transmissão, a evolução do mix hidrotérmico nacional e a execução do capex projetado serão os próximos catalisadores capazes de confirmar ou revisar a tese.