A Log Commercial (LOGG3) pretende manter a política de forte distribuição de capital em 2026, cogitando dividendos extraordinários após a entrada de recursos de R$ 1,02 bilhão provenientes da venda de 11 galpões logísticos ao fundo Itaú Log CP, enquanto a administração classifica a ação como “mal precificada” mesmo com valorização de 20 % em 12 meses.
Retorno robusto ao acionista sustenta tese de investimento
O CEO Sérgio Fischer afirmou que a companhia especializada em galpões logísticos continuará devolvendo caixa aos investidores, apoiada por baixa alavancagem e geração operacional consistente. Em 2025, o dividend yield atingiu aproximadamente 17 %, enquanto em 2026 o indicador gira em torno de 16,2 %, conforme dados da plataforma Status Invest.
No ano fiscal anterior, a Log registrou lucro líquido de R$ 350 milhões e distribuiu a mesma quantia aos acionistas. Já em 2024, o desembolso somou R$ 220 milhões em dividendos, complementado por R$ 300 milhões em recompra de ações. A política oficial prevê a distribuição mínima trimestral de 25 % do lucro, porém Fischer sinaliza a intenção de exceder essa proporção por meio de pagamentos extraordinários ainda em 2026.
Segundo o executivo, a flexibilidade para novos proventos dependerá do cronograma de investimentos, da velocidade de expansão orgânica e do êxito no processo de reciclagem de ativos. “Queremos ir além do mínimo regulamentar”, declarou.
Venda de portfólio ao Itaú reforça caixa e reduz riscos
Anunciada no início de maio, a transação com o fundo imobiliário Itaú Log CP envolve 11 empreendimentos totalizando 332,8 mil m² de área bruta locável (ABL). O acordo foi fechado por R$ 1,02 bilhão, com preço médio de R$ 3.065/m². Pelo contrato, cerca de R$ 816 milhões (80 % do total) serão liquidados à vista, enquanto os 20 % restantes serão quitados em cotas do próprio fundo.
Fischer projeta que os recursos entrarão no caixa “no próximo mês”, deixando o balanço “superconfortável” e ampliando o potencial de distribuição adicional. A estratégia de reciclagem de portfólio visa liberar capital para novos projetos de alto padrão em mercados com demanda crescente por logística, sem elevar significativamente a alavancagem corporativa.
Com liquidez reforçada, a empresa avalia oportunidades para acelerar obras em andamento e iniciar novos parques logísticos próximos a eixos rodoviários de alta capilaridade, mantendo foco em centros de consumo no Sudeste e no Sul do país.
Imagem: Internet
Mercado questiona valorização modesta de LOGG3
Mesmo após uma alta aproximada de 20 % em 12 meses, as ações LOGG3 acumulam queda de cerca de 4 % nos últimos 30 dias. Para o CEO, o desempenho reflete fatores macroeconômicos, como saída de investidores da bolsa e cautela com o custo de capital, mais do que eventuais pressões de custo nos canteiros de obra.
O Índice Nacional de Custo da Construção – Mercado (INCC-M) subiu 1,04 % em abril e acumula 6,28 % em 12 meses. O diretor Eudóxio Pontes estima avanço potencial de 7,5 % nos custos de construção em 2026 para projetos ainda não iniciados, mas garante que a companhia vem repassando aumentos contratuais sem perda de margem.
Fischer reiterou que o “elevado retorno em dividendos” deveria traduzir-se em maior valorização do papel, classificando a precificação atual como descontada frente aos fundamentos de geração de caixa, portfólio estabilizado e pipeline de expansão.
Conclusão técnica
A combinação de alto dividend yield, baixa alavancagem e encaixe bilionário proveniente da venda de ativos reforça a expectativa de proventos extraordinários ainda em 2026, conforme sinalizado pela administração da Log Commercial. A execução dessa estratégia depende da finalização do pagamento pelo fundo Itaú Log CP e da evolução dos custos de construção, monitorados de perto pela companhia. No curto prazo, a direção deve intensificar a comunicação com o mercado para reduzir a percepção de desconexão entre preço e valor de LOGG3, enquanto consolida um ciclo de capital intensivo em retornos ao acionista.




