Mills (MILS3) aceita oferta de R$ 3,75 bi da francesa Loxam e prepara saída da B3

Mills (MILS3) anunciou nesta segunda-feira, 25 de maio de 2026, que seus acionistas controladores firmaram contrato para vender 50,3 % do capital à francesa Loxam SAS por R$ 16 por ação, avaliando a companhia em R$ 3,75 bilhões; a transação inclui obrigação de Oferta Pública de Aquisição (OPA) aos minoritários e culminará na retirada das ações da B3, condicionada à aprovação do CADE.

1. Estrutura da operação e parâmetros financeiros

A negociação cobre exatamente 234.178.207 ações ordinárias, base que resulta no valuation de R$ 3,75 bilhões. O preço unitário acordado, R$ 16, embute um prêmio de aproximadamente 22 % sobre o último fechamento de mercado, registrado em 22 de maio de 2026. O contrato prevê correção adicional equivalente a 70 % do CDI aplicada após 31 dias da assinatura, com pagamento integral à vista na data de fechamento.

Segundo fato relevante, a conclusão da compra e venda depende do cumprimento de condições usuais para operações de M&A no Brasil, destacando-se a autorização do Conselho Administrativo de Defesa Econômica e o aval de órgãos reguladores do mercado de capitais.

2. Consequências para acionistas e cronograma da OPA

Ao assumir a posição de controladora, a Loxam SAS estará legalmente obrigada a estender oferta nas mesmas bases econômicas aos investidores minoritários da Mills, conforme exigido pelo Novo Mercado da B3 e pela Instrução CVM aplicável. A oferta contemplará o total de 47 % das ações em circulação além de 3 % mantidos em tesouraria, garantindo tratamento equitativo a todos os acionistas.

Com a liquidação da OPA, a companhia deixará a bolsa brasileira, seguindo trajetória semelhante a casos recentes de Neogrid (NGRD3), Desktop S.A. (DESK3) e Gol (GOLL54). O movimento reforça a tendência de fechamento de capital observada em 2026, motivada por estratégias de consolidação setorial e prêmios atrativos oferecidos por adquirentes estratégicos.

O cronograma preliminar indica publicação do edital de OPA após o sinal verde do CADE. A partir daí, o leilão ocorrerá em janela de 30 dias de negociação, seguido de liquidação financeira em D + 2. Concluído o processo, os papéis serão excluídos dos índices responsáveis, como Small Cap e Ibovespa, e a companhia passará a adotar estrutura societária fechada.

3. Perfil corporativo das companhias envolvidas

Mills, fundada em 1952, opera nos segmentos de construção civil, indústria e agronegócio, liderando o mercado nacional de locação de plataformas elevatórias. Em 2025, registrou R$ 1,8 bilhão de receita líquida e R$ 940 milhões de EBITDA ajustado, contando com mais de 2.500 colaboradores. A estrutura de controle atual inclui a família Nacht, o fundo Sun (Southern Cross Group) e a família Oxenford, que, juntas, detêm justamente os 50,3 % agora alienados.

Loxam SAS é a maior locadora europeia de máquinas e equipamentos. Em 2025, apurou receita de € 2,5 bilhões, empregando cerca de 11.600 profissionais distribuídos por 1.130 filiais em mais de 28 países. No Brasil desde 2015, opera via Loxam do Brasil e A Geradora, cujo faturamento combinado alcançou R$ 580 milhões no último exercício, apontando sinergias comerciais e operacionais relevantes para expansão regional.

A investida na Mills fornece à multinacional francesa escala imediata em um dos maiores mercados de construção da América Latina, ampliando portfólio de ativos, raio geográfico de atuação e base de clientes corporativos.

Conclusão técnica e próximos passos

A assinatura do contrato de compra de 50,3 % da Mills por Loxam SAS marca etapa decisiva para a consolidação de sua presença no Brasil. O desfecho da operação depende da aprovação do CADE e do sucesso da OPA que concederá liquidez aos minoritários. Caso cumpridos os prazos regimentais, a saída da empresa da B3 deverá ocorrer ainda no segundo semestre de 2026, quando a nova controladora integrará plenamente as operações, buscando capturar sinergias de receitas, custos e capex nos segmentos de locação de equipamentos e infraestrutura.