Nova fase da inteligência artificial impulsiona Microsoft e Nvidia; veja o cenário que atrai investidores

O avanço da inteligência artificial (IA) entrou em um estágio de monetização corporativa, mobilizando gigantes como Microsoft, OpenAI, Alibaba e Nvidia, enquanto indicadores de Wall Street e do setor de semicondutores registram novos recordes e reposicionam estratégias de investidores, aponta relatório da Empiricus.

Mudança de foco: da pesquisa ao caixa das empresas

Após anos de lançamentos de modelos e provas de conceito, a IA passa a concentrar esforços em soluções capazes de gerar receita recorrente e ganhos mensuráveis de produtividade. Segundo o analista Matheus Spiess, da Empiricus, a prioridade atual recai sobre ofertas corporativas escaláveis, convertendo inovação em fluxo de caixa. Nesse contexto, plataformas como o Azure, da Microsoft, e provedores de nuvem asiáticos intensificam investimentos para capturar a nova demanda.

A competição se acirra também entre desenvolvedores de modelos. A startup Anthropic amplia participação em empresas que buscam IA pela primeira vez, pressionando fornecedores estabelecidos. Paralelamente, disputas contratuais entre Microsoft e OpenAI em torno da exclusividade do Azure evidenciam que a infraestrutura de nuvem torn-se tão estratégica quanto os próprios modelos de linguagem.

Indicadores de mercado reforçam otimismo com tecnologia

O movimento de capital para o setor de tecnologia ganhou tração na semana encerrada em 24 de maio de 2026. O índice Dow Jones cravou máxima histórica em 50 579 pontos no dia 22 de maio, enquanto o S&P 500 completou oito semanas de alta consecutiva, fechando em 7 473 pontos. A leitura da Empiricus é que esses recordes confirmam a manutenção de um ciclo global de investimentos em IA.

Nos semicondutores, o Índice SOX acumulou valorização de 70 % entre janeiro e maio de 2026, refletindo a escalada de pedidos de processadores especializados. Analistas da Empiricus atribuem a expansão à necessidade crescente de hardware para treinar e executar grandes modelos de linguagem, serviços de reconhecimento de imagem e aplicações generativas.

Casos de destaque: Microsoft e Nvidia

No segmento de computação em nuvem, a Empiricus mantém recomendação nas ações MSFT34 (Microsoft). A companhia alia liderança em infraestrutura — o Azure responde por parcela significativa de novos contratos de IA — a um ecossistema de software proprietário e robusta posição de caixa para sustentar investimento contínuo. A iniciativa Copilot, que integra recursos de IA ao pacote de produtividade, é listada como motor de adoção corporativa.

Entre fabricantes de semicondutores, o relatório ressalta NVDC34 (Nvidia). Fatores recentes incluem: 1) viagem do CEO Jensen Huang à China junto à comitiva do ex-presidente Donald Trump, que destravou permissão para venda dos chips H200 a dez grupos chineses; 2) parceria com a estatal saudita Humain para erguer data center de 500 MW em Riad; e 3) consolidação como fornecedora central de unidades de processamento para grandes modelos de linguagem. A combinação desses eventos levou as ações à marca inédita de US$ 3 trilhões em valor de mercado.

A Empiricus destaca que ambas as companhias fazem parte da carteira temática IA Cash, que reúne ações e criptoativos associados à inteligência artificial. O portfólio está disponível na plataforma BTG Content, com opção de testes gratuitos por 30 dias e automação de ordens via banco digital.

Perspectivas e próximos passos

Analistas projetam que a disputa por infraestrutura de IA — compostos lógicos, redes de fibra óptica e data centers de alta densidade — ganhará relevância semelhante à corrida por novos modelos. Ao mesmo tempo, espera-se que a busca por capex em semicondutores permaneça elevada, sustentando margens de fornecedores até 2027.

No âmbito corporativo, a tendência é que companhias de médio porte adotem soluções pré-treinadas em nuvem, reduzindo barreiras de entrada e ampliando a base de clientes das gigantes citadas. Para investidores, o cenário indica continuidade na valorização de empresas posicionadas em computação em nuvem e chips de IA, embora os analistas recomendem monitorar possíveis pressões regulatórias e o ritmo de normalização monetária nos Estados Unidos, fatores capazes de influenciar múltiplos de preço-lucro.

Conclusão Técnica: Com indicadores de mercado em máximas históricas e a migração da inteligência artificial para modelos de negócio rentáveis, as ações da Microsoft e da Nvidia permanecem entre as principais vias de exposição ao tema. A continuidade dos investimentos em nuvem, a expansão da demanda por semicondutores e a consolidação de parcerias estratégicas sustentam a tese de crescimento, enquanto disputas por infraestrutura e eventuais regulações compõem o quadro de riscos a ser acompanhado nos próximos trimestres.