Uma ofensiva coordenada pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP) e pelo Ministério da Justiça resultou no cumprimento de 20 mandados de prisão entre os dias 5 e 7 de maio, atingindo núcleos estratégicos de uma facção criminosa com atuação no Norte do país e ramificações em Santa Catarina, Goiás, Rio de Janeiro e Amazonas.
Escopo da Operação Hemostasia e metas centrais
A Operação Hemostasia integra a Operação Nacional RENORCRIM, conjunto de ações voltadas à repressão de organizações multiestruturadas envolvidas em tráfico de entorpecentes, homicídios e planejamento de ataques armados. Sob coordenação tática da Polícia Civil do Pará, o esforço mobilizou unidades especializadas de cinco estados, com suporte aéreo, inteligência cibernética e cooperação interestadual para traçar a rota financeira da facção.
Segundo relatórios preliminares, o objetivo principal foi desarticular o comando operacional e paralisar o fluxo de capitais ilícitos que abastecem a compra de armamento pesado. A iniciativa também está vinculada à Rede Nacional de Recuperação de Ativos (RECUPERA), mecanismo que permite o bloqueio cautelar de bens e valores associados ao crime organizado, reduzindo a capacidade de recomposição logística das quadrilhas.
Mais de 100 agentes foram destacados para o cumprimento simultâneo de ordens judiciais, garantindo o efeito surpresa e minimizando vazamentos de informação. A ofensiva resultou ainda em prisões em flagrante por posse ilegal de armas de fogo, munições de uso restrito e tabletes de entorpecentes prontos para distribuição regional.
Desdobramentos em Santa Catarina: foco em Blumenau e Palhoça
No território catarinense, equipes da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (CORE) da Polícia Civil de Santa Catarina executaram mandados em Blumenau e Palhoça. Os alvos ocupavam cargos de planejamento dentro da hierarquia criminosa, sendo responsáveis por coordenar remessas interestaduais de drogas e repassar determinações para células locais.
Investigações balísticas e de telefonia apontam que estes integrantes mantinham contato frequente com o núcleo decisório no Pará, repassando orientações para homicídios encomendados e instruções logísticas para o armazenamento de armamentos de grosso calibre. Durante as diligências, foram apreendidos:
- Duas pistolas calibre .40 com numeração suprimida;
- Um fuzil de fabricação estrangeira, adaptado para tiro automático;
- Documentos com contabilidade paralela, indicando movimentação mensal superior a R$ 500 mil em drogas e armas.
Além das prisões preventivas, mandados por homicídio qualificado foram cumpridos contra dois investigados que teriam participado de execuções ligadas a disputas internas por território de venda. Todo o material recolhido será periciado para subsidiar inquéritos em curso nos demais estados.
Imagem: PCSC
Integração interestadual e impacto sobre a estrutura financeira da facção
A Hemostasia contou com intercâmbio de dados entre os laboratórios de lavagem de dinheiro das polícias civis e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF). O rastreamento bancário identificou circulação de recursos por meio de criptomoedas e contas de fachada em nomes de laranjas distribuídos em quatro unidades da federação.
Durante uma abordagem realizada fora de Santa Catarina, um dos principais articuladores do grupo reagiu com arma de fogo e foi neutralizado após confronto. A morte do suspeito, segundo a SENASP, evidencia o alto grau de periculosidade das lideranças visadas.
Autoridades federais estimam que o bloqueio de ativos represente uma perda inicial de R$ 8 milhões para a facção, valor que inclui imóveis, veículos de luxo e criptoativos. A etapa seguinte da Operação prevê o confisco definitivo desses bens após decisão judicial, debilitando o capital de giro empregado na compra de drogas e no pagamento de executores.
Conclusão técnica e próximos passos
Com o cumprimento de 20 mandados de prisão e apreensões relevantes, a Operação Hemostasia consolida-se como fase decisiva da RENORCRIM na repressão a facções de abrangência nacional. Relatórios de inteligência apontam para nova rodada de diligências focada na captura de financiadores que permanecem foragidos e na extensão do bloqueio patrimonial a empresas de fachada identificadas em estados do Centro-Oeste.
Os inquéritos continuarão sob supervisão do Ministério da Justiça e da SENASP, com previsão de novas ordens judiciais nas próximas semanas. A estratégia mantém a ênfase no estrangulamento financeiro para evitar rearticulação, enquanto as polícias civis envolvidas reforçam o monitoramento de eventuais retalições planejadas pela organização criminosa.



