O recuo superior a 5% nos contratos internacionais de petróleo, motivado pelo cessar-fogo anunciado entre Estados Unidos e Irã e pela reabertura do Estreito de Ormuz, desencadeou fortes vendas em Petrobras (PETR4) e Prio (PRIO3) nesta segunda-feira, 15 de junho; apesar do movimento, a XP Investimentos reafirmou recomendação de compra para os dois papéis, projetando até 53% de potencial de valorização para a estatal.
Contexto geopolítico pressiona as cotações do Brent e do WTI
A trégua firmada nas primeiras horas do dia entre Washington e Teerã reduziu, ainda que temporariamente, o prêmio de risco embutido no preço da commodity. Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Brent para agosto era negociado a US$ 82,69, queda de 5,30% na ICE de Londres, enquanto o WTI para julho recuava 5,66%, para US$ 80,08, na Nymex.
A retomada do tráfego de navios pelo Estreito de Ormuz — rota responsável por cerca de 20% do petróleo transportado globalmente — reduziu temores de oferta, impulsionando ordens de venda em contratos futuros. O movimento repercutiu imediatamente nos segmentos de exploração e produção listados na B3.
Aversão a risco derruba PETR4 e PRIO3, em contraste com o Ibovespa
No mesmo intervalo, o Ibovespa avançava 0,69%, aos 172.307,09 pontos, refletindo alta dos setores financeiro e de consumo. Já no grupo de petróleo e gás, as quedas dominavam:
- PRIO3: queda de 5,75%, cotada a R$ 57,81;
- PETR4: retração de 4,86%, a R$ 39,18;
- PETR3: recuo de 4,70%, negociada a R$ 44,03.
Empresas menores também sentiram o baque. Brava Energia (BRAV3) e PetroReconcavo (RECV3) operavam em baixa robusta, embora protegido parcialmente por contratos de hedge que amortizam oscilações bruscas no Brent.
Racional da XP Investimentos: preço-alvo, dividendos e subsídios
Em relatório distribuído a clientes, a equipe de análise da XP Investimentos manteve visão construtiva para o segmento, elegendo Petrobras e Prio como principais apostas graças à combinação de fluxo de caixa, disciplina de capital e política de dividendos:
- PETR4: preço-alvo de R$ 63, representando 53% de upside frente ao fechamento de 12/06;
- PRIO3: preço-alvo de R$ 78, potencial de 27%.
No caso da Petrobras, o banco ressalta que os subsídios governamentais na manutenção de preços internos abaixo da paridade internacional mitigam parte da volatilidade. A estimativa é de US$ 7,6 bilhões em geração adicional de fluxo de caixa livre entre o 2º e o 4º trimestre de 2026, caso o modelo permaneça inalterado.
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Para a Prio, a corretora destaca a estratégia de aquisições de campos maduros e eficiência na extração como drivers que sustentam retornos atrativos mesmo em cenários de petróleo abaixo de três dígitos. A alavancagem reduzida amplia a capacidade de distribuição de dividendos, segundo o documento.
Outros papéis analisados receberam as seguintes classificações:
- BRAV3: recomendação de compra e preço-alvo de R$ 25 (upside de 19%);
- RECV3: visão neutra com preço-alvo de R$ 13 (upside de 18,9%).
Projeções de mercado e cenários para a commodity
Embora o alívio atual no Brent tenha origem geopolítica, as casas de análise apontam que o equilíbrio estrutural entre oferta e demanda segue frágil. A Agência Internacional de Energia prevê déficit moderado até o fim do ano, caso a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep+) mantenha os atuais cortes voluntários de produção.
Nesse contexto, oscilações de curto prazo como a registrada hoje tendem a produzir janelas de entrada em ativos ligados ao setor, desde que as empresas apresentem hedge natural ou custos de extração competitivos. É nessa premissa que se baseia a XP para sustentar a exposição recomendada em PETR4 e PRIO3.
Conclusão técnica
O recuo expressivo do Brent e do WTI, provocado pela trégua EUA-Irã, desencadeou correção acentuada nos papéis de Petrobras e Prio, mas não alterou a avaliação de risco-retorno da XP Investimentos. Com preços-alvo de R$ 63 e R$ 78, respectivamente, a corretora projeta recuperação suportada por robusto fluxo de caixa, potencial de dividendos acima da média e, no caso da estatal, benefícios fiscais decorrentes da política de preços domésticos. A evolução dos desdobramentos diplomáticos no Oriente Médio e as próximas reuniões da Opep+ permanecem como vetores centrais para a trajetória da commodity e, por consequência, para o desempenho futuro das ações.




