Prio pode entregar dividend yield de até 21% em 2027, aponta Itaú BBA após elevar recomendação

O Itaú BBA elevou a recomendação para as ações da Prio (PRIO3) de neutra para outperform, projetando que a companhia poderá distribuir até 21% em dividendos em 2027 mesmo sob cenários conservadores de preços do petróleo.

Revisão estratégica: do preço do Brent à nova classificação da ação

No relatório assinado por Monique Greco, o banco de investimento ajustou as premissas de longo prazo para o petróleo Brent de US$ 70 para US$ 65 por barril. Apesar da redução, o preço atual dos papéis da Prio embute uma curva de petróleo ao redor de US$ 61, o que, segundo o BBA, cria um espaço de valorização atrativo. Na reavaliação, o preço-alvo passou para R$ 73 ao fim de 2027, indicando potencial de alta próximo de 20% sobre a cotação de referência em torno de R$ 60.

A classificação outperform, equivalente a compra, baseia-se no perfil de risco-retorno da petroleira independente, que, na análise do banco, “suporta retornos para o acionista acima de 20% mesmo em cenários conservadores de commodities”. Para sustentar a tese, o banco cita ainda o portfólio de campos maduros da companhia e a disciplina de capital na expansão de produção.

Projeções de dividendos: cenários de 21% a 25% de retorno

Embora a Prio ainda não tenha implementado uma política formal de distribuição, a administração indicou em teleconferência que pretende definir diretrizes ao longo de 2027. O Itaú BBA antecipou esse movimento nas projeções, relacionando a remuneração ao endividamento e à cotação do petróleo.

  • Cenário base: petróleo a US$ 60 e alavancagem em 1,0 x dívida líquida/Ebitda resultariam em dividend yield de 21%.
  • Cenário otimista: petróleo a US$ 70 e alavancagem em 0,8 x elevam o retorno potencial para 25%.

O banco atribui a capacidade de pagamento à geração de caixa dos campos Frade, Polvo & Tubaruão Martelo e Albacora Leste, aliados a um plano de redução gradual da dívida após conclusão de ciclos intensivos de investimento.

Petrobras segue preferida, mas gap de valorização da Prio se amplia

No mesmo documento, o Itaú BBA manteve a Petrobras (PETR4) como principal escolha no setor devido à resiliência em ambientes de Brent mais baixos e margens de refino mais robustas. A estatal tem preço-alvo de R$ 63 para 2027, o que representa potencial de valorização de aproximadamente 50% sobre a cotação de R$ 42. O banco calcula dividend yield de cerca de 12% para a companhia no mesmo período, assumindo estratégia de precificação no limite inferior da atual política.

Apesar da preferência setorial pela Petrobras, o BBA ressalta que o gap entre risco e retorno para a Prio tornou-se mais atraente após a revisão de preços e o avanço operacional dos ativos adquiridos nos últimos quatro anos. A exposição direta a preços internacionais, sem o componente de refino, confere à Prio maior sensibilidade positiva caso o petróleo permaneça acima dos níveis considerados conservadores pelo banco.

Conclusão técnica

A elevação da recomendação para PRIO3 reflete ajustes nas premissas de mercado e na expectativa de formalização de política de dividendos em 2027. Se confirmados os cenários de dividend yield entre 21% e 25% e a redução programada da alavancagem, a companhia deve consolidar-se como alternativa de alto retorno no segmento de óleo e gás. O acompanhamento, até o próximo ano, concentrar-se-á nos comunicados sobre distribuição de resultados, na evolução da dívida e no desempenho dos campos recentemente integrados ao portfólio.