Goldman Sachs divulgou uma modelagem estatística que examina quase 20 mil partidas de seleções desde 1978 e projeta que o Brasil chegará invicto até a semifinal da Copa do Mundo de 2026, onde será superado pela Argentina; segundo o estudo, a Espanha termina campeã, enquanto a equipe brasileira ficaria fora do pódio após derrota para a França na disputa pelo terceiro lugar.
Metodologia empregada pelos analistas do banco
O levantamento conduzido pelo Goldman Sachs utiliza o sistema Elo para mensurar a força relativa das equipes. Originalmente criado para o xadrez, o Elo foi adaptado ao futebol e correlacionado a variáveis como saldo de gols esperado, desempenho recente e condições geográficas das partidas. A base de dados abrange quase cinco décadas de confrontos internacionais, somando aproximadamente 20 000 jogos.
Além do ranking Elo, o modelo pondera:
- Histórico em grandes torneios, identificando padrões de desempenho pós-título;
- Momento atual das seleções, refletido em vitórias, empates e derrotas nos últimos ciclos;
- Fatores de sede, como altitude e distância entre cidades, que afetam aclimatação e desgaste físico.
Os cálculos resultam em uma distribuição probabilística de títulos e colocação final para cada equipe, atualizada conforme surgem novos amistosos ou competições continentais.
Trajetória prevista para a Seleção Brasileira
De acordo com a simulação, o Brasil encerraria a fase de grupos com 100 % de aproveitamento. Na etapa eliminatória, os adversários projetados seriam Japão, Noruega e Inglaterra, todos superados no tempo regulamentar.
O ponto de inflexão viria na semifinal contra a Argentina. A rivalidade sul-americana é uma das mais equilibradas do futebol, com 43 vitórias brasileiras, 42 argentinas e 25 empates nos 110 confrontos oficiais registrados pela FIFA. O histórico, entretanto, não impediria o revés na projeção: a equipe albiceleste avançaria rumo à final, relegando a Seleção à disputa pelo terceiro lugar.
Na partida de consolação, o banco prevê um novo tropeço brasileiro diante da França, encerrando a participação verde-amarela fora do pódio — cenário que remete a retrospectos traumáticos, como o 7 × 1 de 2014, ainda presente na memória dos torcedores.
Favoritismo global segundo as probabilidades
O estudo atribui à Espanha a maior chance de erguer a taça, com 26 %. Na sequência, aparecem França (19 %), Argentina (14 %) e Brasil (8 %). Inglaterra e Holanda completam o grupo de elite, cada uma com 5 %.
A probabilidade relativamente modesta da atual campeã mundial, a Argentina, reflete um fenômeno estatístico destacado pelos analistas: seleções vencedoras tendem a registrar queda de rendimento no torneio seguinte, exceção feita a Brasil e Itália, que já conquistaram edições consecutivas.
Imagem: Internet
Para a Inglaterra, o modelo indica impacto negativo de possíveis jogos em cidades de altitude elevada — como a Cidade do México —, fator que historicamente penalizou equipes europeias acostumadas a níveis de oxigênio mais altos. Já a França surgiria como principal obstáculo no caminho dos espanhóis, mas seria superada antes da final.
Rivalidade histórica e implicações para 2026
Brasil e Argentina disputam hegemonia continental desde o início do século XX. A última colisão em Copas ocorreu na edição de 1990, quando os argentinos avançaram com vitória por 1 × 0 em Turim. Desde então, confrontos se limitaram a eliminatórias, amistosos e torneios regionais.
A projeção de um reencontro em solo norte-americano aquece debates táticos e psicológicos, especialmente após a Copa de 2022, vencida pela Albiceleste. As estatísticas compiladas pelo Goldman Sachs indicam que, apesar da leve vantagem brasileira no retrospecto geral, a paridade se mantém quando analisados apenas duelos oficiais em Copas e edições da Copa América.
Caso o cenário do banco se concretize, o Brasil completará 24 anos sem alcançar uma final de Copa do Mundo, reforçando questionamentos sobre renovação de elenco, preparação física e estratégia de jogo frente a seleções sul-americanas que adotam estilos variáveis entre transições rápidas e controle de posse.
Conclusão Técnica
A projeção publicada pelo Goldman Sachs fornece um retrato estatístico baseado em décadas de dados e na robustez do ranking Elo, apontando Espanha, França e Argentina como principais candidatas ao título, com o Brasil em condição de outsider. O relatório ressalta a influência de fatores geográficos, desempenho recente e trajetória histórica na definição de probabilidades.
Apesar da precisão metodológica, previsões permanecem suscetíveis a variáveis imprevisíveis, como lesões, condições climáticas e decisões técnicas próximas ao torneio. A confirmação ou refutação dessas estimativas dependerá do desempenho efetivo em campo durante a Copa do Mundo de 2026, cujos desdobramentos serão observados etapa a etapa a partir da fase de grupos.




