Revolut anunciou em 11 de junho de 2026 a criação de um conselho consultivo no Brasil e confirmou a entrada do ex-ministro da Economia Paulo Guedes, movimento que reforça a disputa entre as grandes fintechs globais por expertise regulatória e institucional para sustentar planos de expansão no país.
Contratação de peso para navegar um ambiente regulatório complexo
Segundo a companhia britânica, a escolha de Paulo Guedes decorreu da necessidade de profissionais que dominaram ciclos econômicos variados, crises financeiras e processos de formulação de políticas públicas. A avaliação interna aponta que o economista reúne experiência em macroeconomia global, mercados de capitais e compreensão aprofundada do ambiente de negócios latino-americano. Com passagens pela fundação do Banco Pactual e da gestora JGP, Guedes liderou o Ministério da Economia entre 2019 e 2022, período marcado por reformas de caráter fiscal e pela coordenação de medidas de estímulo durante a pandemia.
O processo de seleção seguiu o protocolo corporativo padrão da Revolut. Guedes participou de entrevistas técnicas e avaliações de adequação cultural conduzidas por executivos internacionais. De acordo com o CEO da Revolut Brasil, Glauber Mota, a preocupação principal foi garantir capacidade de diálogo tanto com o Banco Central quanto com investidores estrangeiros que acompanham a trajetória da fintech.
Estrutura do novo conselho e competências complementares
O modelo adotado replica estruturas locais já implementadas pela Revolut em outros mercados estratégicos. No Brasil, o colegiado reúne três perfis considerados complementares:
Paulo Guedes – negócios, macroeconomia e construção de instituições financeiras;
Luiz Lobo – gestão de riscos, compliance e governança, após décadas na Caixa Econômica Federal e no IBGC;
Ana Novaes – infraestrutura de mercado, regulação e mercado de capitais, com experiência na B3 e na CVM.
Conforme Mota, a combinação de business, infraestrutura e gestão de riscos cria uma base robusta para a “próxima fase de crescimento” da operação brasileira. A meta é alinhar boas práticas de governança às exigências regulatórias locais, evitando atalhos que possam comprometer a perenidade do plano de expansão.
Escala, digitalização e concorrência impulsionam estratégia no Brasil
Em comunicado, a Revolut descreve o Brasil como um mercado que combina grande escala populacional, elevado grau de digitalização financeira, ambiente competitivo acirrado e múltiplas avenidas de crescimento. Esses fatores diferenciam o país de outras geografias e justificam a montagem de estruturas locais mais sofisticadas.
Imagem: Internet
O reforço de governança ocorre após um ciclo de crescimento rápido no segmento de pessoa física. Com mais de 35 milhões de clientes globais, a fintech mira agora acelerar a oferta para pequenas e médias empresas (PJ), linha que responde por cerca de 25 % da receita mundial. A estratégia inclui soluções B2B voltadas a câmbio, contas multi-moeda e gestão de despesas corporativas, nichos considerados subatendidos no sistema bancário nacional.
Paralelamente, a Revolut planeja ampliar linhas de crédito e investimentos para usuários brasileiros. A adoção de um conselho consultivo local pretende antecipar discussões com reguladores sobre prudência, prevenção à lavagem de dinheiro e proteção ao consumidor, temas críticos à expansão dessas verticais.
Disputa simbólica com o Nubank eleva o nível do jogo
A entrada de Guedes sucede o movimento do Nubank, que em 2025 incorporou o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto ao seu conselho de administração e liderança de políticas públicas globais. Revolut e Nubank figuram entre as maiores fintechs do mundo, e a atração de figuras ligadas à economia brasileira recente sinaliza uma corrida por legitimidade institucional.
Campos Neto e Guedes formaram a dupla responsável pela condução da política econômica no governo Jair Bolsonaro entre 2019 e 2022. A chegada do ex-ministro à Revolut instaura comparação direta com a rival do cartão roxo, elevando a temperatura no segmento de serviços financeiros digitais que buscam escalar operações na América Latina.
Conclusão Técnica
A constituição de um conselho consultivo liderado por Paulo Guedes confirma a estratégia da Revolut de consolidar presença no Brasil com governança local robusta e alinhamento regulatório. A formação do colegiado, composta ainda por Luiz Lobo e Ana Novaes, cria um arcabouço capaz de apoiar a expansão para o segmento empresarial e o incremento de produtos de crédito e investimentos. A expectativa é que a experiência combinada dos conselheiros contribua para mitigar riscos regulatórios, atrair capital internacional e acelerar a captura de mercado em um ambiente de alta concorrência e significativa oportunidade de crescimento.




