Ronaldo Caiado declarou, em 18 de março de 2026, durante entrevista coletiva no evento Conexa da Associação Empresarial de Florianópolis (Acif), que o plano de governo elaborado para sua primeira candidatura presidencial em 1989 foi inspirado nos indicadores socioeconômicos de Santa Catarina, citando distribuição de renda, perfil profissional e qualidade de vida como elementos centrais da decisão.
Contexto da declaração e pontos principais
O pronunciamento ocorreu no CentroSul, em Florianópolis, diante de empresários, economistas e lideranças políticas. Ao explicar a motivação de retomar a lembrança de 1989, Caiado destacou que Santa Catarina apresentava, à época, o melhor índice de distribuição de renda do país, além de um ambiente produtivo diversificado. Segundo o pré-candidato, aqueles indicadores serviram como bússola para formular propostas de desenvolvimento equilibrado, voltadas à interiorização das indústrias e fortalecimento do setor de serviços.
Na entrevista, o político sublinhou que a trajetória catarinense manteve “avançado progresso” nas últimas décadas, reforçando a pertinência de adotar o estado como modelo comparativo em 2026. O sinal de continuidade entre a inspiração de 1989 e o projeto atual, conforme relatado, objetiva demonstrar coerência programática ao eleitorado.
Histórico eleitoral e evolução na carreira pública
Ronaldo Ramos Caiado, filiado atualmente ao PSD, iniciou carreira política vinculada ao setor agropecuário. Na primeira eleição presidencial direta após a redemocratização, obteve 488.872 votos, equivalente a 0,68 % dos válidos, posicionando-se em décimo lugar. Após o pleito, declarou apoio a Fernando Collor, vencedor do segundo turno em 1989.
No ano seguinte, conquistou mandato de deputado federal por Goiás com 98.256 votos, o maior quantitativo do estado. Entre 1991 e 2014, cumpriu cinco mandatos consecutivos na Câmara dos Deputados, liderando temas ligados à agropecuária e à defesa de produtores rurais. Em 2014, assumiu cadeira no Senado, ampliando a visibilidade nacional e viabilizando a candidatura ao governo goiano em 2018.
Governador reeleito em primeiro turno em 2022, Caiado consolidou aliança com segmentos empresariais e manteve foco em infraestrutura logística. Em 2024, iniciou articulações internas no PSD para viabilizar nova candidatura presidencial, superando nomes como Ratinho Júnior e Eduardo Leite em processo partidário.
Santa Catarina como modelo socioeconômico
As referências utilizadas por Caiado em 1989 basearam-se em três eixos mensuráveis:
Imagem: Internet
- Distribuição de renda: o estado possuía, segundo dados do IBGE, Gini inferior à média nacional à época, resultado de um tecido produtivo descentralizado.
- Perfil profissional: altos índices de emprego industrial e qualificação técnica, impulsionados por polos em Joinville, Blumenau e Chapecó.
- Qualidade de vida: indicadores de expectativa de vida e alfabetização superiores à média brasileira, refletindo maior investimento per capita em saúde e educação.
Estudos recentes do Observatório FIESC apontam que Santa Catarina continua líder em Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) entre as unidades federativas, reforçando a percepção de referência citada pelo pré-candidato.
Agenda eleitoral e próximos passos
Após a declaração em Florianópolis, Caiado intensificará visitas a capitais do Sul e Sudeste para apresentar propostas ancoradas em indicadores catarinenses, focando em políticas de equilíbrio regional de renda e parcerias público-privadas em infraestrutura. A equipe da pré-campanha planeja divulgar, ainda no primeiro semestre, um documento técnico com metas de redução do coeficiente de Gini em até 10 % durante eventual mandato, usando benchmarks estaduais.
Na esfera intrapartidária, o PSD definirá oficialmente o candidato em convenção nacional prevista para julho. Pesquisas internas sinalizam que Caiado lidera intenções de voto entre filiados no Centro-Oeste, mas enfrenta disputa competitiva no eixo Rio–São Paulo.
Conclusão Técnica
A declaração de Ronaldo Caiado reafirma a estratégia de associar sua plataforma nacional a casos de sucesso regionais, com Santa Catarina figurando como estudo de caso principal. A menção ao histórico de 1989 cria narrativa de continuidade e experiência, enquanto os dados socioeconômicos catarinenses oferecem legitimidade estatística ao discurso. Nos próximos meses, a pré-campanha deverá apresentar detalhamento metodológico das metas inspiradas no modelo catarinense, sujeito a validação pública durante debates e eventos partidários.



