Ronaldo Caiado aponta expansão do crime organizado e prevê cenário semelhante ao da Venezuela no Brasil

Pré-candidato à Presidência da República em 2026, Ronaldo Caiado (PSD) afirmou que o avanço territorial das facções criminosas e o atual quadro de endividamento público colocam o Brasil em “passos acelerados” rumo a uma realidade comparável à crise venezuelana, declarou em entrevista publicada pelo portal ND Mais nesta semana.

Criminalidade em expansão: 60 milhões de brasileiros sob influência de facções

Caiado atribuiu o crescimento do crime organizado à “omissão de lideranças políticas” no enfrentamento das facções. Segundo o ex-governador, aproximadamente 60 milhões de cidadãos já convivem com algum grau de subordinação a 72 organizações criminosas ativas. O político relacionou a disseminação desse poder paralelo a impactos diretos na economia formal, citando a cobrança de “pedágios” a comerciantes e limitações à livre circulação em regiões do Norte, Sudeste e Nordeste.

Durante a entrevista, Caiado mencionou ameaças recentes à sua segurança pessoal e informou que conta com esquema de proteção autorizado pela Assembleia Legislativa de Goiás. A medida, segundo ele, é reflexo das ações adotadas contra facções durante seus dois mandatos no estado.

Análise econômica: endividamento generalizado e risco fiscal

O pré-candidato criticou a atual política econômica do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Para Caiado, a política fiscal expansionista gerou um “quadro de endividamento generalizado” que atinge empresas, famílias e produtores rurais. Ele alertou para um possível desequilíbrio fiscal a partir de 2027, mencionando cenários discutidos por analistas que preveem dificuldades semelhantes a um shutdown.

Entre as propostas para um eventual mandato, Caiado defendeu a redução da relação dívida/PIB já no primeiro ano de governo, com sinalização clara ao mercado de que o indicador não voltaria a crescer. O ex-governador também pregou maior autonomia fiscal para estados e municípios, criticando a centralização em Brasília ampliada após a reforma tributária aprovada no Congresso.

Gestão em Goiás: índices de aprovação e entregas estruturais

Ao citar a experiência no Executivo estadual, Caiado destacou aprovação de 84% ao final do segundo mandato, respaldada por indicadores de liderança em segurança, educação e transparência fiscal. O ex-governador relembrou a recuperação das contas públicas goianas, classificadas anteriormente como Capag C, e a posterior melhora que permitiu a retomada de investimentos em infraestrutura.

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Imagem: ND Mais

Entre as iniciativas mencionadas estão: digitalização de serviços públicos, fortalecimento de programas sociais de emancipação econômica e obras rodoviárias. Esses resultados, segundo Caiado, compõem a base para sua plataforma nacional focada em “governabilidade efetiva” após 2026.

Perspectiva eleitoral para 2026 e comparação histórica

Caiado previu que a eleição presidencial de 2026 poderá reabrir debates semelhantes aos da disputa de 1989, quando concorreu pela primeira vez. Ele mencionou possíveis cenários de “todos contra um”, reunindo candidaturas de oposição ao atual presidente. O político avalia que a insatisfação popular com indicadores econômicos e de segurança pode reduzir a competitividade do governo federal na busca pela reeleição.

Em relação ao contexto internacional, o ex-governador lembrou que o Brasil já figurou entre as oito maiores economias do mundo e atualmente ocupa a 11ª posição em PIB nominal. Ele atribuiu a perda de protagonismo à “falta de comando” nos últimos anos, citando especificamente a diferença de performance em comparação a China e Índia.

Conclusão técnica

As declarações de Ronaldo Caiado expõem duas frentes de preocupação: 1) a expansão das facções criminosas, que segundo o pré-candidato alcança já dezenas de milhões de brasileiros e compromete a segurança nacional; 2) o agravamento do endividamento público e privado, apontado como fator de instabilidade fiscal no curto prazo. Ao sustentar que o Brasil pode repetir a trajetória socioeconômica da Venezuela, Caiado reforça a necessidade de políticas de contenção de dívida, descentralização administrativa e fortalecimento de sistemas de segurança. O tema tende a ganhar centralidade no debate pré-eleitoral, impulsionando discussões sobre responsabilidade fiscal, combate ao crime organizado e modelos de governança federativa nos próximos ciclos políticos.