Itaú BBA revisou a projeção para as ações da Smart Fit e fixou preço-alvo em R$ 35 ao fim de 2026, estimando potencial de valorização de cerca de 91% impulsionado pelo crescimento da plataforma corporativa TotalPass.
Revisão estratégica eleva preço-alvo e reforça tese de crescimento
O relatório publicado em 03 de junho de 2026 indica que o Itaú BBA passou a incorporar novos vetores de receita e eficiência na modelagem financeira da Smart Fit (SMFT3). O banco projetou potencial de alta de 91% ante a cotação de tela, elevando o preço-alvo para R$ 35. O ajuste decorre, sobretudo, da reclassificação de receitas relacionadas ao TotalPass e da performance operacional das academias maduras no Brasil.
Segundo os analistas, a margem bruta caixa das unidades brasileiras atingiu 48,5% em 2025. Ao realocar as receitas e o lucro bruto do TotalPass Brasil — hoje distribuídos em outras linhas contábeis — essa margem chegaria a aproximadamente 50%, superando os níveis registrados antes da pandemia (2018-2019). O banco avalia que o mercado ainda não precifica plenamente esse ganho de eficiência.
TotalPass se consolida como principal alavanca de rentabilidade
Lançada como benefício corporativo para acesso a academias, a plataforma TotalPass vem ampliando participação na geração de caixa do grupo. De acordo com o Itaú BBA, o serviço transformou-se em uma das “alavancas mais relevantes de crescimento” da companhia e permanece pouco visível para parte dos investidores.
A instituição destaca que a expansão da base de empresas clientes — somada à melhora do tíquete médio por usuário — vem elevando a receita recorrente, diluindo custos fixos e contribuindo para margens mais robustas. O relatório salienta que o potencial de cross-selling entre a rede de academias e a plataforma digital fortalece a proposta de valor do ecossistema e sustenta projeções de longo prazo mais otimistas.
Panorama operacional: Brasil lidera ganhos, México permanece desafio
Embora o Brasil continue a representar o “músculo” mais forte da operação, o México mantém-se como ponto de atenção. Em 2025, a receita por academia mexicana recuou 5%, e o número de alunos por unidade madura caiu 7%. A margem bruta caixa local ajustou-se para 46,4%, sinalizando recuperação gradual apenas a partir do primeiro trimestre de 2026.
Imagem: Internet
Nos demais mercados latino-americanos, a margem bruta caixa ficou estável em 59% no período, compensando parte das pressões mexicanas. Para o banco, a resiliência regional sustenta a expansão do grupo sem queimar rentabilidade, enquanto a companhia ajusta estratégias comerciais no México para reduzir riscos de canibalização e elevar ocupação.
Valuation em múltiplo mínimo reforça assimetria de mercado
O estudo do Itaú BBA aponta que SMFT3 negocia atualmente a cerca de 9 vezes o lucro estimado para 2027, menor múltiplo desde o IPO na B3. O banco entende que o mercado já precificou a maioria dos desafios do negócio tradicional de academias — como concorrência e maturação de novas unidades — mas ainda atribui valor limitado ao TotalPass e à capacidade de monetização do ecossistema digital.
A análise classifica a ação como uma das oportunidades “mais assimétricas” da cobertura, respaldada por crescimento de receita, margens resilientes e underpricing do vetor corporativo. A previsão de abertura de unidades permanece intacta, mas a maior contribuição virá, segundo o relatório, da expansão orgânica de serviços de bem-estar voltados a empresas.
Conclusão técnica
Ao recalibrar o modelo financeiro e destacar a força do TotalPass, o Itaú BBA reforça a tese de que a Smart Fit dispõe de motor adicional de rentabilidade ainda subestimado pelo mercado. A perspectiva de valorização de 91% até o fim de 2026 baseia-se em margens superiores nas academias maduras, aceleração da plataforma corporativa e múltiplos historicamente baixos. No curto prazo, a evolução da operação no México segue como variável crucial de monitoramento, enquanto a consolidação do ecossistema de serviços deve orientar novos ciclos de revisão de preços-alvo.




