O Tesouro Reserva alcançou R$ 1 bilhão em vendas até 22 de maio, apenas 11 dias depois da estreia oficial, consolidando-se como o título de reserva de emergência de maior tração inicial na história do Tesouro Direto.
Fase de testes restrita já indicava a forte demanda
Antes da liberação ao público em 11 de maio de 2026, o Tesouro Reserva passou por um período piloto disponível exclusivamente a clientes do Banco do Brasil. Entre fevereiro e abril, o programa registrou R$ 62,88 milhões em aplicações, dos quais R$ 60,3 milhões foram alocados apenas em abril. Esses números preliminares sinalizaram o interesse elevado dos investidores, mesmo sem campanhas amplas de divulgação nem acesso multibanco.
No mesmo intervalo, outros papéis do Tesouro Direto apresentaram volume inferior. O Tesouro Prefixado, por exemplo, totalizou R$ 971,6 milhões em abril, valor menor do que o desempenho isolado do Tesouro Reserva nos seus primeiros 22 dias de operação plena.
Diferenciais operacionais impulsionam adesão ao novo título
Dois atributos técnicos explicam a aceleração das aplicações:
1. Negociação 24/7: o investimento pode ser comprado ou resgatado a qualquer hora, todos os dias, abrindo flexibilidade inédita para produtos de dívida soberana no varejo.
2. Rentabilidade atrelada a 100% da Selic sem oscilação de preço: diferente do Tesouro Selic, cujo preço de mercado possui variação diária, o Tesouro Reserva elimina o risco de marcação a mercado, tornando a curva de retorno sempre crescente enquanto a taxa Selic permanecer positiva.
Com a Selic em 14,5% ao ano, o título oferece rendimento competitivo para aportes a partir de R$ 1, sob garantia direta do Tesouro Nacional — combinação que potencializa o uso como caixa de curto prazo, inclusive por investidores iniciantes.
Imagem: Internet
Efeitos sobre a composição do Tesouro Direto e tendências futuras
Em abril, o Tesouro Direto movimentou R$ 8,55 bilhões em vendas totais. A procura concentrou-se nos papéis indexados à taxa básica: o Tesouro Selic respondeu por 55,4% do total (R$ 4,74 bilhões). Na sequência, vieram Tesouro IPCA+ (19,2%) e prefixados (11,4%).
Com o avanço do Tesouro Reserva — ainda restrito ao Banco do Brasil —, analistas de mercado projetam redistribuição gradual dessa cesta. A expectativa é de que o novo papel se aproxime da participação do Tesouro Selic assim que outras instituições financeiras passarem a intermediar as operações.
O último relatório oficial também indica foco contínuo em pequenos poupadores: 55% das 938.747 transações de abril foram inferiores a R$ 1.000, e 78% ficaram abaixo de R$ 5.000. Ao ampliar o leque de horários e zerar a volatilidade de preço, o Tesouro Reserva tende a reforçar essa base, oferecendo previsibilidade de retorno em horizontes curtos.
No estoque geral, o programa atingiu R$ 242,3 bilhões em abril, avanço de 41,8% sobre o mesmo mês de 2025. Apesar de o Tesouro IPCA+ deter atualmente 51,3% desse montante, a chegada do Tesouro Reserva pode reequilibrar a fatia dos indexados à Selic, hoje em 36,7%.
Conclusão Técnica
O desempenho do Tesouro Reserva confirma a demanda latente por instrumentos de liquidez diária e proteção de capital vinculados à taxa básica de juros. A combinação de acessibilidade mínima de R$ 1, rentabilidade integral da Selic e negociação ininterrupta diferencia o produto dos demais títulos públicos e de alternativas privadas como CDBs ou fundos DI. Nas próximas etapas, a ampliação da distribuição para além do Banco do Brasil deverá acelerar ainda mais o volume captado, com potencial para aproximar — ou até superar — a representatividade histórica do Tesouro Selic no portfólio dos investidores de varejo.




