O Altus Property Group confirmou o cancelamento do arranha-céu de 91 andares planejado para a Gold Coast, citando a crescente rejeição local à Trump Organization e classificando a associação à marca como “tóxica”.
Projeto recorde perde fôlego em menos de três meses
Anunciado em fevereiro de 2026, o Trump International Hotel & Tower Gold Coast previa 91 pavimentos, 285 quartos, boutiques de luxo, restaurantes de alto padrão e residências privadas. Se concluído, seria o edifício mais alto da Austrália, superando o Q1 Tower (78 andares) também localizado em Gold Coast. A empreitada reunia a desenvolvedora Altus Property Group e a Trump Organization, proprietária de 136 torres e resorts em diversos continentes.
Menos de doze semanas após a divulgação oficial, a Altus recuou. O presidente-executivo David Young relatou à CNN World que a percepção negativa em torno do nome Trump tornou-se um obstáculo comercial insustentável. Uma petição online atingiu 140 mil assinaturas protestando contra o empreendimento e pressionando autoridades locais a barrar licenças preliminares.
Motivos apontados pela incorporadora e reação nas redes
Em comunicado corporativo, a Altus descreveu a marca Trump como “inviável” no atual ambiente australiano. Young atribuiu parte da mudança de humor público à instabilidade geopolítica envolvendo os Estados Unidos, mencionando “a guerra no Irã e tudo o mais” como fatores que ampliaram a rejeição.
No LinkedIn, o executivo classificou grupos opositores como “detestavelmente injustos” e igualmente “tóxicos”. Ele reforçou que a Trump Organization é administrada pelos irmãos Eric Trump e Donald Trump Jr., afastados de decisões políticas do ex-presidente Donald Trump. Apesar da crítica pública, Young declarou não nutrir ressentimentos e destacou a parceria de quase duas décadas com a família.
Repercussão política e incertezas sobre o cronograma
O prefeito de Gold Coast, Tom Tate, declarou à CNN que o conselho municipal ainda não recebeu o plano de desenvolvimento revisado. Embora seja notório defensor de grandes projetos turísticos, Tate classificou o acordo inicial como “entendimento entre partes privadas”, sinalizando que qualquer proposta futura precisará reiniciar os trâmites de aprovação.
Imagem: Internet
Fontes próximas à administração local sugerem que divergências financeiras entre a Altus e a Trump Organization podem ter acelerado a ruptura contratual. Não há, até o momento, documentação pública sobre eventuais multas ou litígios decorrentes da rescisão.
Impacto econômico e redirecionamento da torre
Estimativas preliminares apontavam investimento de AUD 1,5 bilhão no canteiro, com geração de aproximadamente 2 000 empregos diretos durante a construção. A retirada da marca Trump obriga a Altus a buscar um novo parceiro hoteleiro internacional ou reposicionar o ativo como torre residencial de alto luxo.
Segundo Young, a estrutura arquitetônica – assinada pelo escritório DBI Design – permanece válida. A empresa pretende manter a entrega antes dos Jogos Olímpicos de Brisbane 2032, prazo que exige início de obras civis até 2027 para cumprir o cronograma regular de super-arranha-céus.
Conclusão Técnica
Com a desistência oficializada, o Trump International Hotel & Tower Gold Coast deixa de existir na forma originalmente concebida. A Altus Property Group controla o terreno, detém o projeto arquitetônico e pretende prosseguir sem a marca norte-americana, mas carece de aprovação municipal e de um operador hoteleiro substituto. Os próximos passos incluem protocolar um novo plano de desenvolvimento junto ao conselho de Gold Coast, renegociar financiamentos e mitigar o impacto da perda de marketing global associada ao nome Trump. Até a apresentação de um cronograma revisado, a construção do arranha-céu permanece indefinida.




