Trump e Xi Jinping reforçam trégua comercial com acordos bilionários; Taiwan segue como risco geopolítico

Donald Trump concluiu reunião em Pequim nesta sexta-feira, 15 de maio de 2026, assegurando a manutenção da trégua comercial firmada em 2025, a compra de 200 aeronaves Boeing pela China e a liberação norte-americana para que a Nvidia forneça chips H200 a empresas chinesas; o presidente Xi Jinping, porém, advertiu que qualquer apoio dos EUA à independência de Taiwan colocará a relação bilateral “em grave perigo”.

Agenda econômica: encomendas, tecnologia e energia sob novo entendimento

A extensão do armistício tarifário por mais um ciclo anual foi o primeiro ponto formalizado no comunicado conjunto. Desde outubro de 2025, o pacto vinha impedindo a retomada de sobretaxas que, no auge da disputa, alcançaram US$ 360 bilhões em mercadorias. A permanência da moratória tarifária remove, segundo projeções de bancos globais, cerca de 0,3 ponto percentual do risco-país para ambas as economias.

No setor aeroespacial, Trump informou que a Comissão Nacional de Reforma e Desenvolvimento da China autorizou a compra de 200 jatos Boeing 787 e 737-MAX, operação estimada em US$ 40 bilhões a preços de catálogo. Apesar de inferior à expectativa inicial de 500 unidades, o volume cobre aproximadamente 18 meses da produção prevista da fabricante norte-americana e deve reforçar a balança comercial dos EUA em 0,1 p.p. do PIB em 2027.

Em tecnologia, Washington concedeu licença especial para a Nvidia exportar o processador H200, desenvolvido para aplicações de inteligência artificial, às gigantes Alibaba Cloud, Tencent e Baidu. O despacho libera embarques potencialmente superiores a US$ 5 bilhões no próximo ano fiscal e desencadeou valorização média de 4,7 % nas ações do segmento de semicondutores na Nasdaq durante o pregão imediato.

No campo energético, Xi Jinping comprometeu-se a ampliar as aquisições de petróleo dos Estados Unidos, medida que pode elevar o fluxo mensal em até 200 mil barris/dia. Além disso, Pequim aceitou intermediar tratativas com Teerã para reduzir tensões que afetam o Estreito de Ormuz, corredor responsável por 21 % do comércio global de petróleo.

Diplomacia empresarial: comitiva de peso sustenta confiança do mercado

A delegação norte-americana contou com Elon Musk (Tesla), Tim Cook (Apple) e Jensen Huang (Nvidia), figuras que somam capitalização de mercado superior a US$ 7 trilhões. A presença dos executivos sinalizou convergência público-privada e funcionou como aval à estabilidade buscada por investidores institucionais.

Analistas da Bank of America calculam que os acordos anunciados podem sustentar um ganho adicional de US$ 450 bilhões em valor de mercado para companhias listadas nos dois países até o final de 2026, caso sejam cumpridos integralmente. O índice MSCI World registrou avanço de 0,9 % no encerramento do dia, refletindo a leitura de menor risco sistêmico.

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No diálogo fechado, representantes chineses defenderam a transformação da “vontade transacional” de Trump em um framework operacional de longo prazo. Fontes próximas às negociações relatam que Pequim deseja estabelecer um comitê permanente para supervisão semestral de metas comerciais e tecnológicas, proposta que será analisada por Washington antes da visita de Xi aos EUA, agendada para 24 de setembro.

Taiwan: o ponto de ruptura permanece inalterado

O tema mais sensível, Taiwan, emergiu em reunião privada no Great Hall of the People. Xi Jinping reiterou que qualquer passo norte-americano em direção ao reconhecimento formal da independência da ilha configuraria “linha vermelha incontornável”.

Questionado sobre uma possível intervenção militar dos EUA em caso de agressão chinesa, Trump limitou-se a declarar: “Só eu conheço a resposta”. A declaração mantém calculada ambiguidade estratégica estabelecida pelo Taiwan Relations Act de 1979 e preserva o chamado status quo — suficientemente vago para dissuadir ações unilaterais, mas insuficiente para eliminar o prêmio de risco geopolítico precificado em ativos asiáticos.

Instituições como o Rand Corporation avaliam que a probabilidade de confronto direto no Estreito de Taiwan até 2030 permanece em torno de 25 %, percentual inalterado após a cúpula. Investidores seguem monitorando exercícios militares chineses e quaisquer alterações nos contratos de fornecimento de armas defensivas norte-americanas à ilha.

Com a confirmação da compra de aviões Boeing, a liberação de chips H200 da Nvidia e a promessa chinesa de importação de petróleo norte-americano, EUA e China estenderam o período de estabilidade comercial iniciado em 2025. O próximo marco será a visita de Xi Jinping aos Estados Unidos em 24 de setembro, ocasião em que as duas potências devem revisar as metas firmadas. Até lá, mercados tendem a precificar menores barreiras tarifárias, porém manterão atenção redobrada à questão de Taiwan, único elemento capaz de reverter rapidamente o cenário de moderação geopolítica.