Usiminas (USIM5): Safra eleva preço-alvo para R$ 9,70, mas aponta assimetria negativa após salto de 166 % no lucro

O Banco Safra revisou o preço-alvo das ações da Usiminas (USIM5) para R$ 9,70 ao final de 2026, manteve a recomendação outperform e classificou o papel como caso de “assimetria negativa”, indicando maior espaço potencial para queda do que para valorização adicional.

Revisão do preço-alvo e justificativas da recomendação

Em relatório publicado nesta segunda-feira (18), os analistas Ricardo Monegaglia e Caique Isidoro explicam que o novo preço-alvo de R$ 9,70 embute alta estimada de 7,4 % ante a cotação de encerramento do pregão, de R$ 9,03. Embora o Safra mantenha a classificação outperform, o banco esclarece que interpreta a atual relação risco-retorno como desfavorável, pois boa parte dos vetores positivos já estaria refletida na precificação.

Segundo o documento, o ativo passa a ser visto com cautela devido à possibilidade de correção caso preços do aço não avancem como esperado ou se os custos de matérias-primas não recuarem. O banco também pontua que o mercado já precifica forte recuperação dos indicadores operacionais para 2027, o que eleva o risco de decepções.

Desempenho das ações e resultados financeiros do 1T26

Desde meados de abril, USIM5 supera tanto a Gerdau (GGBR4) quanto o Ibovespa, impulsionada pelo resultado acima do consenso no primeiro trimestre de 2026. Entre janeiro e março, a siderúrgica reportou lucro líquido de R$ 896 milhões, avanço de 166 % ano contra ano e de 596 % sobre o quarto trimestre de 2025.

O Safra destaca que a surpresa positiva concentrou-se na linha de cost of goods sold (COGS), responsável por ganho aproximado de 1 p.p. na margem Ebitda. Essa melhoria foi favorecida pela valorização do real frente ao dólar, efeito que pode não se repetir nos próximos trimestres.

No mercado de commodities, o preço do aço laminado a quente (HRC) acumula alta de 9 % no ano. A retração mais rápida das importações de aço — queda de 44 % em abril, para participação de 24 % do consumo interno, segundo a Secex — também contribuiu para o desempenho superior das ações.

Fatores de risco: câmbio, importações e medidas antidumping

Apesar do ambiente favorável recente, o Safra ressalta que parte da melhoria operacional dependeu de um câmbio benéfico. Uma eventual depreciação do real pressionaria custos de matérias-primas e reduziria margens.

Usiminas (USIM5): Safra eleva preço-alvo para R$ 9,70, mas aponta assimetria negativa após salto de 166 % no lucro - Imagem do artigo original

Imagem: Internet

Em relação às importações, o banco reconhece que a expectativa de novas medidas antidumping sustentou o otimismo do mercado, mas pondera que o impacto efetivo tende a ser limitado. Historicamente, fornecedores estrangeiros podem contornar barreiras por meio da substituição por produtos similares ou da mudança de origem. O Safra projeta que a decisão sobre laminados a quente deve ocorrer apenas no fim de 2026, com repercussão material a partir de 2027.

Caso os preços do aço estacionem ou recuem no restante do ano, e os custos não apresentem a deflação embutida pelo consenso, a pressão vendedora sobre USIM5 deve aumentar. Nessa hipótese, a assimetria negativa destacada no relatório se materializaria.

Valuation e projeções para 2027

Na análise de múltiplos, o Safra observa que o EV/Ebitda projetado para 2027 já reflete melhora significativa das métricas operacionais. O relatório indica que tanto as estimativas internas quanto as de mercado assumem preços médios de aço superiores aos atuais e redução de custos de insumos. Qualquer desvio negativo nesses pilares teria potencial de reduzir o valor justo da companhia.

Os analistas reforçam que, embora enxerguem fundamentos operacionais saudáveis no curto prazo, “o risco-retorno deixa de ser atraente nos níveis de preço vigentes”. Dessa forma, o banco recomenda cautela e alerta que eventuais surpresas macroeconômicas — como desaceleração global ou novas pressões inflacionárias — podem amplificar a volatilidade no setor.

Conclusão técnica

O reajuste do preço-alvo para R$ 9,70 coloca a Usiminas em trajetória de potencial de valorização modesto (7,4 %) frente ao último fechamento, ao mesmo tempo em que evidenciam-se riscos macroeconômicos e setoriais capazes de limitar ganhos. O histórico recente de lucro robusto, câmbio favorável e retração das importações sustenta o desempenho das ações, mas o Safra avalia que esses catalisadores já foram, em grande parte, precificados. À luz das premissas atuais, o banco mantém a recomendação outperform por critérios metodológicos, porém destaca assimetria negativa e possibilidade de correção caso os vetores positivos não se consolidem até 2027.