Rede D’Or (RDOR3) e BradSaúde (SAUD3) foram apontadas pela XP Investimentos como as principais oportunidades para investidores que buscam captar a retomada do setor de saúde na B3. Em relatório de início de cobertura divulgado em 19 de junho de 2026, a corretora sustenta que a fase mais crítica para hospitais, operadoras e seguradoras ficou para trás, enquanto as ações ainda negociam com desconto próximo de 40% em relação à média histórica do setor.
Desconto histórico impulsiona a tese de recuperação
Os analistas da XP observam que o mercado permanece ancorado nos desafios recentes — inflação médica elevada, maior utilização de planos de saúde no pós-pandemia, pressão sobre margens e ambiente de juros altos —, fatores que comprimiram resultados entre 2022 e 2025. Mesmo após uma alta parcial nos preços, o valuation agregado do segmento continua cerca de 40% abaixo da média de longo prazo, sinalizando, segundo a casa, “uma desconexão entre fundamento e preço”.
De acordo com o relatório, as companhias chegam a 2026 mais eficientes, com balanços ajustados e estrutura de capital menos alavancada. Essa combinação reforça a leitura de que o ciclo adverso terminou e abre espaço para uma fase de competição baseada em captura de clientes e ganho de eficiência, sem comprometer geração de caixa.
Rede D’Or: liderança hospitalar e sinergias com SulAmérica
Rede D’Or desponta como a escolha principal entre as empresas de maior porte. A XP atribuiu preço-alvo de R$ 45,00 por ação, o que implica potencial de valorização de aproximadamente 35% frente à cotação vigente no pregão que antecedeu o relatório. A tese se apoia em três vetores:
- Liderança hospitalar: maior plataforma privada de hospitais do país, com presença relevante em capitais estratégicas.
- Maturação de investimentos: robusto ciclo de expansão concluído entre 2021 e 2024 deve agora traduzir-se em ganho operacional e diluição de custos fixos.
- Integração com SulAmérica: sinergias esperadas em underwriting, redes de atendimento e provisões técnicas.
Um diferencial-chave, segundo a XP, é o volume de reservas excedentes da SulAmérica, estimado em 13 p.p. sobre a necessidade regulatória. Esse colchão tende a absorver choques de sinistralidade sem deteriorar margens, permitindo que a companhia navegue por cenários de maior competição com conforto financeiro.
BradSaúde: caixa robusto e estrutura corporativa em consolidação
A recém-listada BradSaúde é a segunda aposta prioritária da XP. Formada a partir da reorganização de ativos do grupo Bradesco no segmento, a companhia estreia na B3 com R$ 8 bilhões em caixa, conferindo flexibilidade para aquisições, expansão orgânica ou distribuição de capital. Os analistas argumentam que o mercado ainda não precificou integralmente:
- Escala e diversificação de portfólio, que combina planos individuais, coletivos e corporativos.
- Sólida posição de provisões técnicas, excedente em torno de 8 p.p., funcionando como amortecedor de volatilidade de resultados.
- Baixa alavancagem, facilitando a captura de oportunidades em um ambiente de juros gradualmente mais baixos.
Com base nesses fatores, a XP enxerga espaço para revisão positiva de estimativas de lucro e, consequentemente, reavaliação do múltiplo preço/lucro ao longo de 2026.
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Outras candidatas à valorização e panorama de risco
Além das duas preferidas, a corretora mantém recomendação de compra para Dasa (DASA3) e Mater Dei (MATD3), avaliando que ambas ingressam em fase de turnaround. Para a Dasa, projeta-se expansão de 4,9 p.p. na margem Ebitda em 2026, apoiada por iniciativas de eficiência e pela joint venture com a Amil. Já a Mater Dei, após anos de forte capex, foca agora na rentabilização dos leitos existentes, estratégia que já refletiu em salto de quase 80% no lucro do 1T26.
No segmento farmacêutico, Hypera (HYPE3) e Blau (BLAU3) negociam com desconto próximo de 30% versus médias históricas. Para a Hypera, o possível fim de patentes de medicamentos à base de semaglutida desponta como catalisador adicional de crescimento.
Apesar do tom construtivo, a XP destaca dois vetores de risco:
- Trajetória dos juros: as empresas administram cerca de R$ 50 bilhões em reservas técnicas alocadas em renda fixa. Reduções mais acentuadas da Selic podem comprimir a linha de receita financeira.
- Mercado de trabalho: aproximadamente 80% dos beneficiários de planos de saúde estão vinculados a contratos corporativos. Desaceleração econômica que afete emprego formal pode arrefecer o crescimento de carteiras.
Conclusão técnica
A XP Investimentos entende que o setor de saúde deixa para trás o período de maior deterioração operacional e ingressa em ciclo de ganho de eficiência, sustentado por balanços mais ajustados e margens protegidas por provisões robustas. Rede D’Or e BradSaúde se destacam pela capacidade de atravessar eventuais oscilações sem comprometer resultados, motivo pelo qual figuram no topo das recomendações. Para investidores, o cenário base contempla valorização expressiva dessas ações até o fim de 2026, desde que juros e emprego evoluam dentro das expectativas traçadas pela corretora.




