Fernando Haddad anunciou nesta quinta-feira, 7 de março, que a vaga de vice em sua pré-candidatura ao governo de São Paulo será preenchida por uma mulher; ao mesmo tempo, o petista agenda reuniões nas próximas semanas para fechar os nomes que disputarão o Senado, buscando representar diversos setores da base aliada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Composição feminina: estratégia central da chapa
Ao participar de evento na Fundação FHC, Haddad afirmou que a inclusão de mais mulheres na linha de frente da campanha deixou de ser objetivo secundário e passou a condição “certa” na montagem da chapa. A declaração foi feita perante plateia de empresários, acadêmicos e dirigentes partidários, reforçando o compromisso do Partido dos Trabalhadores (PT) com a paridade de gênero.
Segundo aliados presentes, a escolha por uma vice mulher baseia-se em três fatores principais: 1) ampliar representatividade num eleitorado em que as mulheres somam quase 53% dos votos válidos no estado; 2) atender às diretrizes internas do PT, que exigem maior participação feminina nos cargos majoritários; 3) diferenciar a chapa num cenário em que adversários masculinos dividem protagonismo na corrida ao Palácio dos Bandeirantes.
Nos bastidores, o convite feito à empresária Teca Vendramini, ex-presidente da Sociedade Rural Brasileira, ilustrou o movimento. Vendramini recusou concorrer, mas aceitou permanecer no núcleo que elabora o plano de governo, mantendo os canais com o setor do agronegócio.
Três nomes fortes na disputa ao Senado
Além da vice, o petista trabalha para consolidar uma candidatura de consenso ao Senado Federal. Os nomes avaliados são:
- Marina Silva (Rede) – ministra do Meio Ambiente, figura reconhecida internacionalmente por pautas ambientais;
- Simone Tebet (PSB) – ministra do Planejamento, terceira colocada na eleição presidencial de 2022, com 4,9% dos votos válidos nacionais;
- Márcio França (PSB) – atual ministro de Portos e Aeroportos e ex-governador paulista.
Haddad pretende retomar conversas com os três ainda em março, seguindo calendário interno que fixa abril como prazo-limite para definição. A interlocução também envolve o PDT; o ex-ministro Carlos Lupi mantém diálogo frequente com o petista, sinalizando possível adesão ao bloco.
Ajustes programáticos e apoios setoriais
A equipe de campanha reúne propostas direcionadas a segurança pública, educação, saúde e desenvolvimento econômico. No eixo de ciência e tecnologia, a deputada federal Tabata Amaral (PSB) prepara sugestões de incentivo à pesquisa aplicada, bolsas de pós-graduação e expansão de institutos federais no interior paulista. Já o deputado federal Guilherme Boulos (PSOL) oferece contribuições voltadas a habitação e combate ao déficit habitacional, mesmo mantendo atuação nacional.
Os ajustes programáticos serão submetidos a grupos temáticos formados por especialistas da Fundação Perseu Abramo e representantes de partidos aliados. O cronograma prevê apresentação pública das linhas gerais até o final do primeiro semestre.
Imagem: Diogo Zacarias
Críticas à gestão estadual e cenário fiscal
Durante a palestra na Fundação FHC, Haddad responsabilizou o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) por, segundo ele, “insuficiente aproveitamento” da renegociação de dívidas estaduais viabilizada pelo governo federal. O ex-ministro argumentou que, sem o alívio financeiro, as contas paulistas estariam em “situação mais delicada”.
Em segurança pública, Haddad citou dados de insatisfação entre policiais militares e civis; na educação, mencionou pleitos de profissionais por maior reajuste salarial; na saúde, apontou filas de espera para cirurgias eletivas em hospitais estaduais. As críticas ecoam trocas de declarações entre ambos os pré-candidatos, intensificadas nas redes sociais desde 6 de março.
Origem da candidatura e adesão de Lula
O ex-ministro da Fazenda relatou que inicialmente resistiu a disputar o governo paulista porque coordenava estudo de desenvolvimento econômico de alcance nacional. A entrada na corrida estadual ocorreu após solicitação direta do presidente Lula. O petista enxerga a eleição de 2026 como oportunidade para alinhar o maior estado do país aos programas federais de reindustrialização verde e inclusão social.
Calendário eleitoral e próximos passos
De acordo com a legislação, as convenções partidárias devem ocorrer entre 20 de julho e 5 de agosto de 2026. Até lá, Haddad concentra esforços em:
- Definir a vice feminina até maio, garantindo tempo de exposição midiática;
- Concluir a escolha da candidatura ao Senado até julho, para acomodar coligações;
- Publicar a primeira versão do plano de governo no início do segundo semestre;
- Intensificar caravanas regionais a partir de agosto, com foco em cidades de mais de 200 mil eleitores.
Conclusão técnica
A sinalização de vice mulher reposiciona a pré-candidatura de Fernando Haddad em um eixo de representatividade e ampliação de base. As negociações com Rede, PSB, PDT e PSOL indicam construção de frente multipartidária voltada à eleição paulista de 2026, enquanto as críticas à administração Tarcísio dão o tom do embate programático. Até o fim do primeiro semestre, a campanha deverá consolidar nomes e diretrizes, definindo formalmente a chapa majoritária e a plataforma que será submetida ao eleitor paulista.




