Brasil e EUA definem metas para tarifas, terras raras e segurança após reunião entre Lula e Trump

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou como “passo importante” a reunião de três horas realizada em 7 de maio de 2026 com o colega norte-americano Donald Trump em Washington, onde ambos acordaram criar um plano de metas para reduzir tarifas, estimular a cadeia de minerais críticos no Brasil e ampliar a cooperação no combate a facções criminosas.

Agenda bilateral concentra comércio, investimento e marco regulatório de minerais

Durante a parte oficial do encontro, que antecedeu um almoço com cinco representantes de cada delegação, Lula informou que a Câmara dos Deputados aprovou o marco regulatório para terras raras, etapa que seguirá ao Senado com expectativa de conclusão “ainda esta semana”. O texto prevê manutenção da extração e do refino em território brasileiro, estratégia descrita pelo governo como essencial para atrair capital estrangeiro e impedir que o país repita históricos de exportação primária.

Trump sinalizou interesse em elevar investimentos no Brasil, destacando na rede Truth Social que “novas reuniões técnicas” já estão agendadas. Segundo o ministro das Minas e Energia, Alexandre Silveira, a proposta brasileira enfatiza que “é mais barato refinar no Brasil”, fator que reduz custos logísticos para empresas norte-americanas do setor tecnológico e de defesa, grandes consumidoras desses insumos.

Em números, o Ministério do Desenvolvimento estima que a demanda global por terras raras ultrapassará 210 mil toneladas em 2030, o que coloca o Brasil — detentor de cerca de 22 milhões de toneladas em reservas mapeadas — na rota dos novos projetos de semicondutores, ímãs permanentes e baterias de veículos elétricos.

Negociações tarifárias terão prazo de 30 dias para proposta conjunta

Márcio Elias Rosa, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, afirmou que as equipes econômicas abrirão um cronograma de até 30 dias para apresentar uma solução às atuais tarifas sobre aço, alumínio e produtos agroindustriais brasileiros. De acordo com o chanceler Mauro Vieira, a meta inicial é “igualar condições” de acesso ao mercado norte-americano, hoje impactado por sobretaxas que variam de 18 % a 25 %, dependendo da categoria.

Dados do Itamaraty mostram que o comércio bilateral somou US$ 88 bilhões em 2025, com superávit de US$ 3,7 bilhões para o Brasil. A expectativa de ambos os governos é elevar o fluxo a US$ 100 bilhões até 2028, apoiado pela revisão tarifária e pela entrada de novos investimentos em infraestrutura logística.

Cooperação contra crime organizado foca aduanas e lavagem de dinheiro

Segurança foi o terceiro eixo do diálogo. Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, as autoridades dos dois países trocaram informações sobre facções transnacionais, com prioridade para o bloqueio de canais financeiros utilizados por organizações que atuam na rota Brasil–Estados Unidos.

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Entre as ações detalhadas está a criação de um grupo aduaneiro binacional para rastrear entrada de armas e drogas em portos brasileiros, além de um memorando específico para o combate à lavagem de dinheiro. O plano prevê interoperabilidade de bases de dados e treinamentos conjuntos de agentes federais ao longo de 2026.

No âmbito diplomático, Lula reiterou que o Brasil “não abrirá mão da democracia e da soberania”, declaração feita diante de questionamentos sobre possíveis condicionantes de Washington no campo de segurança interna.

Geopolítica e temas multilaterais entram na pauta, mas sem vetos

O encontro foi descrito pelas duas chancelarias como “franco” e “sem assunto proibido”. Lula abordou a necessidade de reforma do Conselho de Segurança da ONU, sugerindo a inclusão de países como Brasil, México e Alemanha entre os membros permanentes. Sobre o Oriente Médio, criticou o conflito entre Estados Unidos e Irã, avaliando que “os prejuízos tendem a se agravar”.

Houve ainda menção à disposição brasileira de mediar a relação entre Estados Unidos e Cuba; segundo Lula, Trump garantiu — por meio da tradutora oficial — que “não pensa em invadir o país caribenho”.

Conclusão Técnica

Com a criação de um plano de metas comerciais, a aprovação iminente do marco regulatório de minerais críticos e o lançamento de frentes conjuntas de segurança, Brasil e Estados Unidos inauguram um ciclo de negociações que deverá se intensificar nas próximas semanas. Delegações setoriais retomarão os detalhes tarifários antes do prazo de 30 dias, enquanto o Senado brasileiro avalia o texto sobre terras raras. A efetividade desses compromissos será mensurada por indicadores de fluxo de investimentos, redução de sobretaxas e operações integradas de combate ao crime organizado ao longo de 2026.