Mercado Livre mantém foco em expansão e ações recuam 13% após balanço trimestral

O Mercado Livre registrou crescimento expressivo nas vendas no primeiro trimestre de 2026, mas a decisão de priorizar participação de mercado voltou a pressionar as margens e provocou queda de quase 13% nos papéis negociados na Nasdaq, em linha com o movimento observado nos BDRs listados na B3.

Resultados do 1T26 confirmam prioridade em expansão

Divulgado em 7 de maio, o balanço evidenciou o avanço de 38% nas vendas no Brasil, principal mercado da companhia, impulsionado por investimentos agressivos em logística, marketing e subsídios a vendedores. Em nível consolidado, o lucro antes de juros e impostos (Ebit) encolheu cerca de 20% na comparação anual, enquanto o lucro por ação recuou 16%, refletindo a compressão deliberada das margens.

Segundo relatório do Itaú BBA, a plataforma “deixou absolutamente claro” que defender e ampliar o fosso competitivo tem prioridade sobre a exibição de rentabilidade no curto prazo. Já o BTG Pactual classificou o desempenho como “misto”, destacando recordes operacionais, mas reconhecendo frustração com o Ebit.

Na sessão de 8 de maio, as ações MELI fecharam a US$ 1.631,58 (-12,72%), enquanto os BDRs MELI34 recuaram 8,99%, a R$ 66,88.

Pressão sobre margens reacende debate sobre rentabilidade

A margem Ebit consolidada atingiu 7%, menor patamar em vários anos, sinalizando o novo “botão de ajuste” da companhia, segundo o BTG. A margem de contribuição encolheu 9,4 pontos percentuais em doze meses, para aproximadamente 8%. O impacto mais intenso, apontam analistas, tende a aparecer no segundo trimestre, quando a empresa passará a capturar menor fatia de receita em categorias altamente competitivas.

Para o Citi, mesmo entre 2026 e 2028 há pouco espaço para expansão relevante das margens por alavancagem operacional, dada a necessidade contínua de aportes em crédito, adquirência e novos serviços financeiros.

Apesar da deterioração, o Itaú BBA argumenta que a estratégia segue alinhada aos manuais de alocação de capital em mercados de competição intensa, pois reforça barreiras de entrada e sustenta o crescimento da base de usuários.

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Perspectivas dos bancos e avaliação de mercado

Os três principais bancos que acompanham o caso mantiveram recomendação de compra:

  • BTG Pactual: preço-alvo de US$ 2.700, potencial de alta de 44,4%.
  • Itaú BBA: preço-alvo de US$ 2.250, potencial de 20,3%.
  • Citi: preço-alvo de US$ 2.200, potencial de 17,6%.

A despeito do tombo recente, o ativo ainda negocia a aproximadamente 31 vezes o lucro projetado para 2027, múltiplo considerado elevado em ambiente de juros globais mais altos. O BTG revisou a projeção de margem Ebit para 2026 de 8,6% para 7,5%, reduzindo a expectativa de Ebit anual de US$ 3,37 bilhões para US$ 3,05 bilhões. A estimativa de lucro líquido também foi ajustada, de US$ 2,28 bilhões para US$ 2,02 bilhões.

Em contrapartida, a casa elevou as projeções de volume de vendas e engajamento, refletindo a performance acima do esperado no Brasil. Para os analistas, caso o novo patamar de margem se confirme como piso, o risco de revisões negativas adicionais tende a diminuir nos próximos trimestres.

Conclusão Técnica

O recuo das ações do Mercado Livre decorre da persistente estratégia de priorizar expansão sobre rentabilidade imediata, evidenciada pela compressão das margens no 1T26. Embora a abordagem pressione resultados de curto prazo, bancos de investimento consideram que o fortalecimento do ecossistema justifica o sacrifício temporário. A projeção predominante indica continuação dos investimentos, com possível inflexão positiva das margens a partir do segundo semestre de 2026. Até lá, volatilidade deve permanecer elevada, balizando as cotações ao ritmo de execução operacional e à capacidade de conversão do crescimento em lucro sustentável.