XP atualiza carteira de small caps: entrada de Alupar e BR Partners redefine pesos e reforça estratégia defensiva

A XP Investimentos promoveu duas substituições e um amplo rebalanceamento na carteira recomendada de small caps para maio, incluindo Alupar (ALUP11) e BR Partners (BRBI11) no portfólio e retirando Direcional (DIRR3) e Intelbras (INTB3), em ajuste que reforça a postura defensiva da corretora no segmento de companhias de menor capitalização.

Movimentações no portfólio: quem entrou e quem saiu

A presença de Alupar, holding do setor de transmissão e geração de energia, marca o retorno de uma empresa de perfil regulado e fluxo de caixa previsível, característico de ativos considerados mais resilientes em ciclos de volatilidade. Já o ingresso de BR Partners, banco de investimentos especializado em operações de mercado de capitais, traz exposição a receitas de assessoria financeira e gestão de recursos, áreas que mantêm demanda mesmo em cenários de menor liquidez.

Na direção oposta, Direcional, construtora focada em residências de média e baixa renda, e Intelbras, fabricante de equipamentos de segurança eletrônica e energia solar, deixam o time titular. Segundo o relatório da XP, a remoção reflete a busca por “melhor relação risco–retorno diante das incertezas macroeconômicas” para os próximos meses.

Rebalanceamento de pesos evidencia preferência por defensividade

Além da troca de nomes, a corretora ajustou significativamente a participação relativa de diversos ativos. A fatia da Marcopolo (POMO4) subiu de 5% para 7,5%. A justificativa se baseia na solidez dos segmentos de ônibus rodoviários e micros, além de margens mais robustas nas operações internacionais. A companhia, segundo a XP, exibe estrutura de capital menos exposta a riscos de mercado e cambiais.

No agronegócio, 3tentos (TTEN3) dobrou seu peso, passando de 5% para 10%. A corretora entende que o posicionamento integrado da empresa — que atua em originação de grãos, distribuição de insumos e produção de biodiesel — mitiga oscilações de preço de commodities e torna o papel elemento estratégico para compor uma carteira defensiva.

Para acomodar essas ampliações, a XP reduziu de 12,5% para 10% a proporção destinada à construtora Cury (CURY3), refletindo a maior sensibilidade do setor imobiliário às variações de juros. Na mineração, Aura Minerals (AURA33) perdeu metade do espaço, saindo de 10% para 5%, movimento alinhado à leitura de que metais preciosos podem enfrentar pressão caso o cenário de risco geopolítico se dissipe.

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Com os ajustes, a composição atual da carteira é a seguinte: Aura Minerals 5%; Vivara 10%; LWSA 5%; Bemobi 7,5%; Mills 5%; Marcopolo 7,5%; Priner 5%; Cury 10%; 3tentos 10%; Pague Menos 10%; Orizon 15%; Alupar 5%; e BR Partners 5%.

Desempenho acumulado reforça reputação da estratégia

Lançada em maio de 2021, a carteira de small caps da XP acumula valorização de 94,2% até o fechamento de abril de 2026. No mesmo intervalo, o Ibovespa avançou 57,6%. A diferença de 36,6 pontos percentuais destaca a capacidade de geração de retorno superior a partir de critérios de seleção focados em governança, solidez operacional e liquidez das companhias de menor porte.

Apesar do histórico positivo, o relatório enfatiza que a composição atual permanece “em revisão constante”, dado o ambiente de juros ainda elevados e a sensibilidade típica das small caps a ajustes nas estimativas de crescimento econômico. Para lidar com esses vetores de risco, a XP optou por reduzir exposição a setores cíclicos, aumentar peso de empresas com geração de caixa previsível e diversificar geograficamente as receitas do portfólio.

Conclusão técnica

A atualização da carteira demonstra a estratégia tática da XP de priorizar nomes com perfil mais defensivo, presença significativa em contratos regulados ou receitas recorrentes e menor alavancagem operacional. A inclusão de Alupar e BR Partners reflete o foco em fluxos de caixa estáveis, enquanto o aumento relativo de Marcopolo e 3tentos sinaliza confiança em setores com demanda menos elástica. Já as reduções em Cury e Aura Minerals evidenciam cautela frente à volatilidade de juros e preços de commodities. A carteira permanece sujeita à reavaliação contínua conforme novos indicadores macroeconômicos, resultados trimestrais das companhias e movimentos do mercado de capitais.