Troca de CEOs em série redefine estratégias de Axia, Tenda e Cemig na B3

Axia Energia, Tenda e Cemig anunciaram, em sequência, mudanças no comando executivo que remodelam seus planos de longo prazo e movimentam o radar de investidores na B3.

Axia Energia planeja sucessão até abril de 2027

A elétrica criada após a privatização da antiga Eletrobras definiu um processo de sucessão controlado para o atual CEO Ivan Monteiro, que permanecerá no cargo até abril de 2027. Para conduzir a transição, o conselho aprovou a criação de uma vice-presidência executiva temporária, diretamente vinculada ao comando da companhia. A nova função será exercida por Élio Wolff, hoje responsável pela Vice-Presidência de Estratégia e Desenvolvimento de Negócios.

Segundo fato relevante, a diretoria liderada por Wolff será extinta em junho de 2026, enquanto a vice-presidência provisória deixará de existir ao término do processo sucessório. A decisão integra o programa de governança corporativa e desenvolvimento de lideranças apoiado por consultoria externa. O movimento ocorre em meio à consolidação da “nova Axia”, que passou a priorizar planejamento de longo prazo, expansão em renováveis e redução do endividamento após a privatização.

Tenda recruta liderança externa para nova fase operacional

Após 15 anos à frente da construtora, Rodrigo Osmo deixará a presidência-executiva. O substituto escolhido é Marcos Cruz, ex-CEO da Nitro Química, com histórico na McKinsey e passagem pela Secretaria Municipal da Fazenda de São Paulo. A transição tem início em junho de 2026 e se estende por 12 meses; concluída essa etapa, Osmo migrará para o conselho de administração.

Em comunicado, o presidente do conselho, Claudio Andrade, afirmou que a busca concentrou-se em um perfil fortemente operacional, capaz de liderar grandes equipes e sustentar a cultura de partnership. Embora executivos internos tenham sido avaliados, a companhia avaliou que nenhum nome reunia experiência suficiente para comandar operações mais complexas diante do atual ciclo de crescimento.

No mercado, a escolha é interpretada como preparação para uma etapa de expansão nacional combinada a ganhos de eficiência, especialmente em projetos de habitação de interesse social, segmento central da Tenda. A introdução de liderança externa sinaliza disposição em trazer metodologias de gestão diferenciadas sem descartar o histórico de disciplina de capital que marcou a última década.

Cemig promove executivo de carreira em meio a resultados pressionados

Na mesma semana, a mineira Cemig oficializou Alexandre Ramos Peixoto como novo CEO, substituindo Reynaldo Passanezi Filho. Engenheiro formado pela PUC Minas e pós-graduado pela UFMG, Peixoto ocupa cargos técnicos na companhia desde a década passada, com ênfase em gestão e planejamento estratégico.

O anúncio foi feito em conjunto com o balanço do 1T26, que registrou lucro líquido de R$ 979 milhões (queda de 5,8 % ano a ano) e Ebitda consolidado de R$ 1,79 bilhão, abaixo do consenso de mercado. A receita avançou 6,3 %, para R$ 10,46 bilhões. A nova liderança assume o desafio de reverter a pressão sobre margens e acelerar investimentos em infraestrutura de distribuição e geração renovável, mantendo o foco em eficiência operacional iniciado por Passanezi.

Para analistas, a manutenção de um executivo “prata da casa” reforça a estratégia de continuidade, importante em um período de reorganização tarifária e competição por concessões. A companhia destaca que a sucessão integra o planejamento estratégico previamente aprovado pelo conselho e prioriza estabilidade regulatória.

Conclusão técnica

As substituições em Axia Energia, Tenda e Cemig evidenciam um calendário de renovação de lideranças que deve seguir ativo em 2026, impulsionado por ciclos estratégicos distintos: transição pós-privatização, expansão operacional e consolidação de eficiência. Nos três casos, os conselhos optaram por processos graduais, com prazos definidos para mitigar riscos de execução e assegurar alinhamento entre gestão e acionistas. O mercado acompanhará, nos próximos trimestres, a capacidade dos novos executivos de preservar disciplina financeira, entregar metas operacionais e sustentar políticas de governança alinhadas às demandas regulatórias e de investidores institucionais.