Lucro da Cury cresce 41,9 % no 1T26, margens se mantêm robustas e papéis avançam no Ibovespa

Cury Construtora e Incorporadora reportou lucro líquido de R$ 302,9 milhões no primeiro trimestre de 2026, expansão de 41,9 % em relação a igual período do ano anterior; o desalinhamento entre oferta e demanda de moradias populares, aliado à disciplina de custos, impulsionou as ações CURY3, que subiam 5,36 % às 14h, figurando entre as maiores altas do Ibovespa.

Resultados financeiros sustentados por vendas e controle de despesas

A receita operacional líquida alcançou R$ 1,61 bilhão, favorecida pelo ciclo de lançamentos focado no programa Minha Casa Minha Vida e pelo reajuste de preços de unidades lançadas no biênio anterior. O Ebitda totalizou R$ 411,4 milhões, elevação de 42,9 %, enquanto a margem Ebitda atingiu 25,5 %, avanço de 1,8 ponto percentual em base anual. O indicador reflete ganhos de eficiência em canteiros de obras e diluição de SG&A.

Já o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) subiu para 79,5 %, aumento de 12 p.p. frente ao 1T25, apoiado na combinação de forte geração operacional e baixo nível de alavancagem. O fluxo de caixa livre foi positivo em R$ 91 milhões, resultado de maiores cessões de recebíveis para instituições financeiras e antecipações de pagamento a fornecedores.

No balanço patrimonial, a posição líquida de caixa chegou a R$ 407 milhões, favorecendo a distribuição anunciada de R$ 160 milhões em dividendos, programada para 28 de maio. No acumulado de 2026, a companhia já divulgou R$ 300 milhões em proventos, reforçando a política de retornos sinalizada aos acionistas.

Analistas mantêm visão construtiva e elevam projeções

BTG Pactual, XP Investimentos e Itaú BBA reiteraram recomendação de compra para CURY3 após a divulgação dos números. O earning per share (EPS) de R$ 0,98 superou em 7 % a estimativa do BTG e em 8 % a do BBA, sustentado por receita um pouco acima do previsto e menores despesas comerciais.

O BTG projeta preço-alvo de R$ 44,00, implicando potencial de valorização de 44,7 % frente ao fechamento de 12 de maio, enquanto o Itaú BBA fixa a cotação justa em R$ 38,00, upside próximo de 43 %. A XP mantém CURY3 como top pick do setor, citando ROE elevado, fluxo de caixa consistente e valuation descontado — múltiplo preço/lucro projetado de 7,7 x para 2026 e 5,5 x para 2027.

Entre os pontos de atenção, o BBA destacou recuo de 130 pontos-base na margem bruta trimestral, para 39,0 %, refletindo estimativas mais altas de inflação de insumos. Mesmo assim, a margem do backlog — carteira de contratos a faturar — permaneceu em 42,9 %, declínio contido de apenas 40 pontos-base.

Estratégia de mitigação de custos preserva rentabilidade futura

A guerra no Oriente Médio elevou a volatilidade nos preços do petróleo e, por consequência, nos custos de transporte e derivados utilizados na construção civil. Para contornar o cenário, a Cury inseriu premissas de inflação mais fortes nos orçamentos de novos canteiros, ajustou cronogramas de compras e intensificou a busca por fornecedores regionais, reduzindo exposição a fretes de longa distância.

Ao final de março, 100 % dos lançamentos já contavam com hedges naturais via repasse de preços, cláusulas de reajuste e mix de tipologias de unidades, o que contribuiu para a manutenção de margens acima da média histórica do segmento de baixa renda. Segundo analistas, a execução considerada “de primeira linha” permite à companhia repassar custos adicionais ao consumidor final sem comprometer velocidade de vendas, sustentada por déficit habitacional estimado em 7,8 milhões de moradias no país.

No âmbito financeiro, a estratégia de antecipar cessões de recebíveis para bancos limitou a necessidade de capital próprio, preservando liquidez e permitindo que a gestão mantenha o ciclo de lançamentos. O indicador land bank superou R$ 14 bilhões em VGV potencial, oferecendo visibilidade de crescimento pelos próximos quatro anos.

Conclusão técnica

Os resultados do 1T26 confirmam a capacidade da Cury de converter demanda estrutural em rentabilidade crescente, mesmo sob pressão inflacionária de custos de construção. A manutenção de margens robustas no backlog, geração de caixa positiva e política de dividendos consistente criam um colchão financeiro relevante para enfrentar cenários adversos. O consenso de mercado permanece favorável, sustentado por múltiplos atrativos e recomendações de compra reiteradas. A companhia segue monitorando a evolução do conflito no Oriente Médio e eventuais impactos na cadeia de suprimentos, mas, pelas métricas atuais, encontra-se posicionada para atravessar 2026 com crescimento sustentado e retorno ao acionista acima da média setorial.