Relatório divulgado nesta quinta-feira, 14 de maio de 2026, mostra o Citi revisando sua cobertura no setor farmacêutico: a recomendação para as ações da Hypera (HYPE3) passou de neutra para compra, enquanto Raia Drogasil (RADL3) foi rebaixada para venda, movimentando o Ibovespa logo na abertura do pregão.
Revisão estratégica do Citi reposiciona ativos farmacêuticos
A atualização de cobertura do banco ocorre em meio a um cenário de volatilidade no mercado acionário brasileiro, com o Ibovespa acumulando queda de 4 % na semana. Segundo o relatório, a elevação de recomendação para a Hypera é sustentada por maior visibilidade de lucros, melhorias operacionais e múltiplos considerados atrativos. O preço-alvo foi ajustado de R$ 26 para R$ 28, enquanto a classificação de “alto risco” foi retirada.
No sentido oposto, a farmácia de varejo Raia Drogasil enfrentou corte de estimativas de lucro de 7 % em 2026 e 6 % em 2027, além de preocupações estruturais com margens pressionadas pela maior penetração do e-commerce. O valuation elevado de 21,8x P/L projetado para 2026 foi citado como obstáculo adicional a novos ganhos de capital.
Cinco fatores sustentam a tese otimista para Hypera
O Citi elencou cinco catalisadores para justificar o upgrade:
- Receita resiliente: expectativa de crescimento mesmo sob condições mais rígidas de capital de giro, apoiada por mix de produtos com maior contribuição de marcas líderes.
- Câmbio favorável: um real mais forte reduz custos de insumos importados, ampliando margens brutas.
- Fluxo de caixa aprimorado: disciplina na gestão de estoques e prazos de recebimento reforça a geração de caixa operacional.
- Potencial dos medicamentos GLP-1: a linha de canetas emagrecedoras permanece subestimada pelo mercado e pode acelerar receitas nos próximos ciclos.
- Compra de ações pelos controladores: aquisições recentes no mercado reforçam a confiança interna na valorização da companhia.
Além desses vetores, a capitalização de R$ 1,5 bilhão concluída em fevereiro fortaleceu a estrutura de capital e reduziu o perfil de risco financeiro. Como resultado, as projeções de lucro foram elevadas em 4 % para 2026 e 5 % para 2027.
Imagem: Internet
Indicadores de valuation e riscos monitorados
Mesmo após a alta intradiária de 5 %, a ação HYPE3 encerrou o pregão valorizada em 4,03 %, cotada a R$ 23,48. O múltiplo preço-sobre-lucro estimado situa-se em 7,2x para 2026 e 6,5x para 2027, níveis considerados “baratos” em comparação com outras empresas do segmento de saúde listadas na B3. Para o Citi, a combinação de revisões positivas de lucro, fluxo de caixa robusto e posicionamento técnico favorece a continuidade do desempenho relativo da Hypera.
O principal risco negativo apontado é uma eventual deterioração no capital de giro, que poderia reverter parte dos ganhos projetados em margem e fluxos de caixa. Já no caso da Raia Drogasil, o banco destaca a concorrência crescente — tanto física quanto digital — como fator potencial de compressão de margens, além da perspectiva de crescimento de lucro bruto por loja abaixo da inflação.
Conclusão técnica e próximos passos
Com a revisão, o Citi recomenda exposição relativa no setor farmacêutico, privilegiando Hypera diante de múltiplos descontados e perspectivas de expansão de receita amparadas pelos cinco catalisadores destacados. Para Raia Drogasil, o banco sugere cautela, dado o valuation exigente e a pressão competitiva. No curto prazo, os investidores devem acompanhar a evolução do capital de giro da Hypera e as tendências de penetração do e-commerce nas redes de drogarias, fatores que podem alterar a dinâmica de margens e, consequentemente, as recomendações futuras.




