Suspeitos de espancar criança de 8 anos até a cegueira são presos em Santa Catarina

Dois homens foram presos preventivamente na noite de 15 de março sob acusação de terem agredido uma criança de 8 anos em Araranguá, Sul de Santa Catarina, crime que provocou perda total da visão e fratura de maxilar na vítima; a captura ocorreu em Sombrio, a 26 quilômetros do local da agressão, durante operação conjunta da Polícia Civil de Araranguá e da DPCAMI.

Contexto da agressão

A violência foi desencadeada por um suposto furto de celular atribuído ao irmão mais velho do menino. De acordo com o delegado Jorge Giraldi, titular da Delegacia de Polícia Civil de Araranguá, os suspeitos invadiram a residência situada no beco Vila Samaria na madrugada de 6 de março. O garoto dormia na mesma cama do irmão quando foi atacado com um pedaço de madeira. O golpe atingiu a região ocular e a face, resultando em lesões irreversíveis na visão e em fratura óssea.

Os autores pretendiam, segundo a investigação, “tirar satisfações” com o adolescente apontado como responsável pelo furto. Na tentativa de localizá-lo, acabaram desferindo os golpes igualmente contra a criança. Testemunhas relataram fuga imediata após o ato, sem prestação de socorro.

Operação policial e prisões

A diligência que levou às prisões foi articulada pela equipe da DPCAMI de Araranguá, chefiada pela delegada Eliane Chaves, responsável pelo pedido de mandados de prisão preventiva. Os agentes localizaram os suspeitos por volta das 20h no bairro Boa Esperança, município de Sombrio. A dupla estava na casa de um conhecido e não apresentou resistência durante a abordagem.

Após a formalização da captura, ambos foram conduzidos ao Presídio Regional de Araranguá, onde permanecem à disposição da Justiça. A investigação segue em curso para reunir elementos adicionais, como perícias no local do crime, laudos médicos e eventuais depoimentos complementares de testemunhas.

Os celulares apreendidos com os investigados serão submetidos à extração de dados, procedimento que pode indicar conversas ou registros relacionados ao planejamento ou à execução da agressão. A polícia também avalia a possibilidade de indiciamento por outros delitos, entre eles violação de domicílio e tentativa de homicídio qualificado.

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Imagem: Divulgação

Estado de saúde da vítima e desdobramentos legais

O menino passou por atendimento de urgência em Araranguá e, em seguida, foi transferido para Florianópolis, onde permanece internado em hospital de referência oftalmológica. Segundo o delegado Giraldi, exames confirmaram a cegueira bilateral e a fratura de maxilar, exigindo intervenção cirúrgica complexa. A família recebe acompanhamento psicológico fornecido pela rede municipal de assistência social.

No âmbito jurídico, o Ministério Público deve formalizar a denúncia nos próximos dias. Caso o Poder Judiciário acolha integralmente as qualificadoras sugeridas pela Polícia Civil, os acusados poderão responder por tentativa de homicídio triplamente qualificado, crime cuja pena varia de 12 a 30 anos de reclusão, aumentada em dois terços se reconhecida a intenção de dificultar a defesa da vítima.

A Defensoria Pública informa que atuará na garantia dos direitos do menor e acompanhará o processo para assegurar eventual reparação civil. A Secretaria de Estado da Saúde avalia a necessidade de transferência do paciente para unidade especializada em reabilitação visual.

Conclusão técnica

A prisão dos suspeitos elimina o risco imediato de fuga e possibilita a coleta de provas sob custódia judicial. Nos próximos passos, a investigação deverá concluir laudos periciais, ouvir testemunhas remanescentes e encaminhar o inquérito ao Ministério Público. Paralelamente, a equipe médica definirá protocolo de reabilitação do menino, que inclui cirurgias reconstrutivas e suporte multidisciplinar. A audiência de custódia, prevista para ocorrer ainda nesta semana, determinará a manutenção ou não da prisão preventiva enquanto aguarda-se a denúncia formal. Até a conclusão do processo, os réus permanecem recolhidos no Presídio Regional de Araranguá.